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brincadeirinha
Snatch,
a nova produção do marido
de Madonna, tem
crime e violência.
Mas é só para divertir
Isabela
Boscov
Divulgação
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Pitt,
como o cigano Mickey
Um-Soco: ninguém entende
o que ele diz |
Cães de Aluguel, o sucesso de estréia do diretor
americano Quentin Tarantino, começava com uma cena inesquecível:
um grupo de amigos na verdade, criminosos que se preparavam para
um golpe se enfronhava numa discussão acalorada sobre o
"significado" da canção Like a Virgin, de Madonna.
Já na cena inicial de Snatch Porcos e Diamantes
(Snatch, Estados Unidos/Inglaterra, 2000), que estréia nesta
sexta-feira no país, um grupo de judeus ortodoxos na verdade,
criminosos a caminho de mais um roubo discute se a Virgem era,
bem, virgem. Não se trata de coincidência nem de plágio.
É a maneira bem-humorada que o diretor inglês Guy Ritchie
encontrou de satirizar o pessoal que o acusa de ser apenas um imitador
de Tarantino. Na verdade, Ritchie (que é casado com Madonna) está
mais para liquidificador cinematográfico que para imitador. Além
da violência "moderninha" do colega americano, ele recicla em Snatch
um verdadeiro catálogo de clichês tirados de filmes de gângster
e daquelas comédias sobre golpes que a Inglaterra produzia nos
anos 60. O resultado é pobre em significado, mas divertido à
beça exatamente como o primeiro filme de Ritchie, Jogos,
Trapaças e Dois Canos Fumegantes.
O cenário também é o mesmo: o submundo de Londres,
habitado por tipos impagáveis, como Boris o Lâmina, Cabeça-de-Tijolo,
Franky Quatro-Dedos e Mickey Um-Soco. Este último é interpretado
por Brad Pitt, ótimo no papel de um cigano que balbucia um inglês
ininteligível e luta boxe sem luvas. A trama gira em torno de um
diamante que está pulando de mão em mão, mas nem
vale a pena explicá-la. A idéia é que ela funcione
como um quebra-cabeça. E também como pretexto para muitas
piadas, incontáveis malabarismos visuais (especialidade do diretor)
e um bocado de violência que, de tão estilizada e absurda,
termina por não ser chocante aliás, mais parece saída
de um episódio radical dos desenhos de Tom e Jerry. Num contexto
como esse, é fácil entender por que Ritchie não achou
lugar para a "patroa" (é assim que ele chama Madonna) na história.
Há pouquíssimas personagens femininas em Snatch.
Mas todas pertencem àquela variedade de mulher que sabe defender-se
muito bem e não tem medo de cara feia. Onde Ritchie acha inspiração
para figuras assim é, claro, um mistério.
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