Publicidade
buscas
cidades PROGRAME-SE
Edição 1 699 - 9 de maio de 2001
Geral Espaço
 

estasemana
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Sumário
Brasil
Internacional
Geral
  Só as empresas transparentes sobrevivem
A brasileira que retoca as preciosidades do Louvre
Controle de batimentos cardíacos no esporte está superado
Mulheres que sofrem com espinhas
Montadoras são obrigadas a fazer carros menos poluentes
Milionários querem a caça ao leão em Botsuana
Grifes de luxo mostram muita instalação e pouca roupa
Paloma Picasso
As pichações chegam às estampas
Assassinato de fonoaudióloga choca o Rio
O racismo no futebol italiano
O caso Herbert Vianna
Turismo sideral
Casais fazem de tudo para ter um filho
Economia e Negócios
Guia
Artes e Espetáculos

colunas
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Stephen Kanitz
Gustavo Franco
Diogo Mainardi
Roberto Pompeu de Toledo

seções
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Carta ao leitor
Entrevista

Cartas
VEJA on-line
Radar
Contexto
Holofote
Veja essa
Arc
Hipertexto
Notas internacionais
Gente
Datas

Para usar
VEJA Recomenda
Os mais vendidos

arquivoVEJA
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Busca detalhada
Arquivo 1997-2001
Busca somente texto 96|97|98|99|00|01


Crie seu grupo




 

Hotel nas estrelas

Viagem de empresário provoca congestionamento nas agências
que oferecem passeios no espaço

Bia Barbosa

Fotos AFP
O turista Dennis Tito flutua na estação espacial (à dir.): pacote de seis dias por 20 milhões de dólares

A base de Baikonur, no Casaquistão, foi o ponto de partida do vôo do primeiro homem no espaço, quarenta anos atrás. Há dez dias se tornou também o porto de embarque do primeiro turista espacial. O milionário americano Dennis Tito fez com um foguete espacial o que o restante das pessoas faz com aviões de carreira: comprou uma passagem, com direito à hospedagem de seis dias na Estação Espacial Internacional, à comida de astronauta e à incrível sensação de flutuar no espaço. Tito, próspero proprietário de uma empresa que administra fundos de pensão, pagou pelo pacote 20 milhões de dólares e só conseguiu embarcar porque os russos que receberam pela viagem mantiveram o contrato firmado há um ano, quando Tito deveria subir à Mir. Na época, a velha estação desativada quase se transformou numa pensão cósmica. Com a queda da Mir, em março, o milionário acabou ganhando um upgrade e foi conhecer a novíssima estação espacial, mesmo sob os protestos dos oficiais da Nasa, que não queriam saber de Tito a bordo.

Com a viagem do empresário, programas que oferecem passeios na alta atmosfera para mortais comuns adquiriram visibilidade excepcional. A empresa Space Adventures, que intermediou as negociações entre o empresário e o governo russo, passou a semana com suas linhas telefônicas congestionadas. O diretor de cinema James Cameron, o canadense que dirigiu o filme Titanic, é o próximo da lista e pretende viajar em outubro. Como os lugares são limitadíssimos, a agência de viagens cósmicas oferece também opções módicas em caças MiG, que, relativamente baratas, são uma atração irresistível para qualquer aventureiro. Os supersônicos russos sobem a uma altitude de 25.000 metros e atingem a velocidade de 2.880 quilômetros por hora, duas vezes e meia a do som. Com isso, é possível por alguns minutos ver a superfície arredondada da Terra, o impressionante ponto em que o céu azul começa a ficar negro. Na volta, como o avião desce muito rápido, o passageiro tem a breve sensação de ausência de gravidade. Tudo isso por preços que variam entre 4.000 e 13.000 dólares, dependendo do modelo MiG utilizado.


Space Adventure
Caça russo MiG 29: passeio na estratosfera custa 13 000 dólares


É um mercado promissor. Mais de 10 milhões de pessoas visitam anualmente museus e centros de pesquisa ligados a assuntos espaciais nos Estados Unidos. Uma pesquisa recente realizada pela empresa Roper Starch Worldwide apontou que 20% dos adultos americanos estariam dispostos a comprometer quatro anos de sua renda em uma viagem espacial. A Space Adventures já encomendou a empresas especializadas em tecnologia aeroespacial um novo avião, parecido com o ônibus espacial, capaz de realizar vôos suborbitais a 100 quilômetros de altitude. "Queremos ter um avião desse tipo até 2004", disse a VEJA Michael Lyon, vice-presidente da Space Adventures. "Serão viagens de uma hora e meia, que custarão 98.000 dólares", explica ele. Mais de 100 pessoas procuraram a empresa para fazer a reserva, 67 deram um sinal para garantir a vaga e outras pagaram todo o pacote. Mais quatro companhias oferecem serviços semelhantes.

Apesar de a imensa maioria das agências de viagens espaciais ser americana, elas só existem por causa do interesse do governo russo em ganhar dinheiro com o que sobrou de seu vultoso programa espacial. Tudo, das viagens em naves e caças ao treinamento básico para sobrevivência no espaço, é disponibilizado pelos russos.

É a evolução de um programa chamado Intercosmos, iniciado em 1965, quando países comunistas de pouquíssima expressão espacial, como Cuba, Bulgária e Mongólia, enviavam astronautas para participar de viagens espaciais. Com a Mir, os russos foram além e venderam uma vaga para um jornalista de uma emissora de TV japonesa em 1990 por 12 milhões dólares. Toyohiro Akiyama, o jornalista, odiou a viagem. Passou mal, vomitou a bordo e achou péssimas as instalações da estação. Um ano depois, a química inglesa Helen Sharman ganhou uma viagem numa competição realizada na Inglaterra e teve sua passagem financiada por um banco russo em busca de publicidade. Vagas na velha estação serviam também para barganhas políticas. No final dos anos 80, a extinta União Soviética ofereceu à Inglaterra um lugar a bordo em troca de o governo da então primeira-ministra Margareth Thatcher cancelar um programa de instalação de mísseis de longo alcance nas ilhas britânicas. "Já estamos negociando novos vôos como o de Tito", diz Yuri Koptev, diretor da Agência Espacial Russa. O duro vai ser convencer os americanos, que, desde a morte da professora Christa McAuliffe, na explosão da Challenger, em 1986, não querem saber de amadores dentro de suas naves espaciais.

 

O CINCO-ESTRELAS DO FUTURO

 
Courtesy by Space Island Group
Projeto de hotel para 2007: restos de foguetes

O projeto de construir um hotel no espaço sempre trombou com um obstáculo mais poderoso que as dificuldades técnicas: o custo, digamos, astronômico da obra. Uma empresa da Califórnia, a Space Island Group, tirou da manga uma engenhosa solução para tocar um projeto de grande porte construído por até um décimo do que custará a Estação Espacial Internacional. O hotel com capacidade para 100 hóspedes poderá exigir 6 bilhões de dólares e deve ficar pronto em apenas seis anos, caso a empresa encontre investidores interessados em bancar o empreendimento. Todo o complexo seria construído com restos dos foguetes lançadores do ônibus espacial que hoje flutuam no espaço antes de cair de volta à Terra. São estruturas ocas do tamanho de um Boeing 747, que depois de esvaziadas de seu conteúdo de combustível seriam agrupadas e soldadas para construir o hotel. A idéia de utilizar os tanques nasceu na própria Nasa nas etapas iniciais da estação espacial, mas os americanos acharam que o projeto perderia prestígio se fosse feito de sucata. Entre os possíveis patrocinadores está a rede de hotéis Hilton. Seus executivos enxergam muitas semelhanças entre o projeto da Space Island Group e o hotel espacial Hilton que apareceu no filme 2001 – Uma Odisséia no Espaço. O preço inicial estimado para a estada de uma semana no resort espacial é de 2 milhões de dólares. Uma temporada e tanto, em que os viajantes flutuariam o tempo todo dentro das instalações do hotel, cercados por vistas espetaculares da Terra 650 quilômetros abaixo. O sonho é livre.

 

Veja também
Participe da enquete de VEJA on-line

 

 

   
 
   
  voltar
   
   
  NOTÍCIAS DIÁRIAS