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Uma utopia realizável
AFP
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| Malan:
um apelo aos pré-candidatos |
São sólidas as razões para acreditar na sinceridade
da campanha que o ministro da Fazenda, Pedro Malan, vem fazendo para que
as oposições declarem publicamente seu compromisso para com
os avanços recentes da sociedade brasileira na área das finanças
públicas. Na semana passada, nos Estados Unidos, diante de uma platéia
qualificada de ouvintes internacionais, tanto Malan quanto Armínio
Fraga reafirmaram a convicção de que esse é um passo
fundamental para garantir a estabilidade e as bases mínimas de crescimento
da economia brasileira nas agitações típicas do clima
pré-eleitoral, já instalado no Brasil a menos de dois anos
das eleições presidenciais. "Seria bom que os principais pré-candidatos
à Presidência dessem uma clara mensagem sobre seus compromissos,
como o controle da inflação e das contas fiscais", disse Malan.
Fraga afirmou estar certo de que os próximos governantes, sejam quais
forem seus matizes ideológicos, não vão adotar políticas
econômicas "malucas".
Parece uma
meta utópica, inatingível, civilizada demais para o ambiente
político brasileiro. Não é. Os processos recentes
de sucessão nos vizinhos Argentina, Uruguai, Chile e no México
transcorreram sem tantos sobressaltos em razão da certeza interna
e externa de que políticas monetárias sadias e responsabilidade
fiscal por parte dos governantes não são bandeiras de um
único partido ou facção, eventualmente no poder.
São conquistas de toda a sociedade. Árduas conquistas, diga-se.
Nem por isso naturalmente duradouras ou irrevogáveis. Gastar menos
do que se arrecada, não produzir inflação punitiva
e manter a economia em estado de saudável alerta por meio de uma
abertura comercial equilibrada são medidas que exigem esforço
permanente. Sua manutenção é com freqüência
desafiada por insatisfeitos de toda ordem, não raro espertamente
manipulados pelos políticos, especialmente em épocas de
crise política. A opinião pública está mais
ligada nessa questão do que parece.
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