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Edição 2055

9 de abril de 2008
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Cinema
Enterrado vivo

Documentário mostra ascensão e queda de Wilson Simonal

Dudu Tresca
Simonal: entertainer nato, ele foi acusado de ser informante do regime militar


Um dos maiores intérpretes da MPB, Wilson Simonal foi condenado ao desterro artístico por causa de um imbróglio até hoje mal explicado. Em 1971, ele desconfiou que seu contador o estivesse roubando. Teria então pedido a dois seguranças que dessem uma lição (leia-se uma surra) no trapaceiro. Um dos sujeitos era ligado ao Dops, órgão de repressão do regime militar, e Simonal foi acusado de ser informante da ditadura – acusação que o acompanhou até a morte, em 2000, aos 62 anos. Ninguém Sabe o Duro que Dei (Brasil, 2007), documentário de Claudio Manoel, Micael Langer e Calvito Leal, tenta explicar o porquê do banimento de Simonal por seus pares. Para tanto, entrevista, de maneira inédita, Raphael Viviani, o ex-contador e suposto autor do desfalque, bem como artistas. O saxofonista Paulo Moura confessa que deixou de chamar Simonal para seus shows porque temia cair em desgraça com a esquerda. O cartunista Jaguar, então do Pasquim, um dos jornais que mais bateram em Simonal, desvia-se do assunto concentrando-se na questão da surra. "De repente, esse contador merecia levar uma surra", ironiza. Outro mérito de Ninguém Sabe é mostrar a qualidade de Simonal como intérprete. O jornalista Nelson Motta e o comediante Miéle, entre outros, exaltam a musicalidade do cantor, enquanto as muitas cenas de arquivo relembram que ele era um entertainer, capaz de fazer a platéia do Maracanãzinho cantar em coro Meu Limão, Meu Limoeiro. Exibido na semana passada no festival É Tudo Verdade, o documentário deve ser lançado em circuito comercial no segundo semestre.

 



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