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Televisão A curiosa
mistura de humor político e assédio
Se até há pouco tempo os humoristas do Pânico dominavam o esporte de perseguição às celebridades, agora eles têm de dividir espaço com um concorrente: o Custe o que Custar, exibido pela Band nas segundas à noite. O CQC estreou há três semanas e já deixou claro que será uma pedra no sapato da atração da RedeTV!. Na semana passada, o Pânico mostrou entrevistas da dupla Vesgo e Ceará no show do cantor inglês Seal em São Paulo. Eles abordaram as apresentadoras Luciana Gimenez e Cynthia Benini, a cantora Zizi Possi e as modelos Daniella Sarahyba e Ticiane Pinheiro. No local, trombaram com o ator-repórter Rafael Cortez, do CQC. Que entrevistou quem? As mesmas. O modo anárquico de abordar as vítimas também lembra as investidas do Pânico. No programa passado, o cineasta Hector Babenco perdeu a paciência com Oscar Filho, outro ator-repórter do CQC. Furioso em razão de uma comparação capciosa com o colega Fernando Meirelles, Babenco o golpeou com uma revista. O Pânico desbravou essa seara por aqui. Mas não se pode acusar o CQC de havê-lo imitado. O modelo é outro: uma atração argentina que está no ar há treze anos e faz sucesso do Chile à Itália. Na Argentina, o CQC é tão popular que, em seus tempos na Presidência, Néstor Kirchner preferia dar entrevista a seus repórteres a falar com a imprensa. Na versão nacional, a direção e outros cinco postos cabem a profissionais vindos da Argentina. Eles zelam pela fidelidade ao formato: os humoristas usam terno preto e óculos escuros, a edição é ágil e os quadros são pontuados por efeitos visuais e sonoros. Eles monitoraram também a seleção do elenco. Dos sete humoristas em cena no Brasil, cinco são novatos na TV. É o caso de Rafael Cortez, que interpreta tipos como o Repórter Egocêntrico (que só quer falar de si próprio nas entrevistas). "Ele foi chamado para trabalhar na produção e surpreendeu nos testes", diz Elisabetta Zenatti, chefe de programação da Band.
O destaque do programa até agora é uma figura que prima pela estultice. No papel do Repórter Inexperiente, o ator Danilo Gentili se passa por um novato que só faz perguntas confusas. A certa altura de uma entrevista com o padre-cantor Marcelo Rossi, Gentili informou que ele tinha feito um "CD demo" ao que o entrevistado interrompeu a gravação e tentou explicar que muita gente acharia que isso era coisa do demo. "O padre até fez pressão para não exibirmos o quadro", diz Gentili. O Repórter Inexperiente travou ainda um embate de igual para igual com o senador Eduardo Suplicy. Depois de confessar ao programa que já fumou maconha, o ex da ministra Marta Suplicy foi confrontado com uma questão enviesada: "O senhor experimentou droga, viu que não era bom e se divorciou?". Com a chegada do CQC, podem-se comparar os prós e os contras de dois estilos humorísticos. O programa dispensa as popozudas e os quadros de mau gosto que volta e meia se vêem no Pânico. Recentemente, esse último suspendeu com um guindaste, pela calcinha, Sabrina Sato e as Panicats a piada estúpida era flagrá-las gemendo de dor. O CQC corre o risco de derrapar se insistir em se levar a sério politicamente. Alguns de seus quadros pretendem ser reportagens-denúncia e assim eles flertam perigosamente com a demagogia do documentarista americano Michael Moore.
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