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Edição 2055

9 de abril de 2008
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Vinte anos atrás, a Itália era o país mais
dinâmico, criativo e otimista da Europa.
Hoje, essas características descrevem
muito melhor a Espanha


Alexandre Salvador

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Quadro: Os contrastes entre Itália e Espanha

Uma coincidência aproxima Itália e Espanha: a realização de eleições para a escolha do primeiro-ministro. Os italianos votarão nesta semana. Os espanhóis reelegeram o socialista José Luis Rodríguez Zapatero no mês passado. A ida às urnas serve também para ressaltar a diferença entre os dois países, os mais populosos do sul da Europa. As eleições espanholas são simplesmente a decorrência natural do fim do mandato legislativo. Já na Itália... Bem, por lá dificilmente um governo completa o mandato. Em janeiro, depois de vinte meses sem conseguir consenso no Parlamento, o primeiro-ministro Romano Prodi acabou por entregar o cargo e foi necessário convocar novas eleições. O novo governo de Zapatero será o décimo desde a Constituição de 1978, que selou a transição para a democracia. A Itália terá o seu 27º governo no mesmo período.

A estabilidade política na Espanha, tão diferente da confusão em Roma, é um dos pilares do excelente desempenho econômico do país. Nos últimos doze anos, o crescimento do PIB espanhol foi três vezes maior que o do italiano. Comparar a vida nesses dois países mediterrâneos, ambos do primeiro time da União Européia, encerra várias surpresas – a maior delas é que, de uma perspectiva histórica, o que se está vendo é uma troca de papéis. Vinte anos atrás, a Itália era o país mais dinâmico, criativo e otimista da Europa. Hoje, esses adjetivos descrevem muito melhor a Espanha. No ano passado, os espanhóis ultrapassaram os italianos em renda per capita. A superação de um pelo outro se dá em muitas áreas. A Itália é a meca da indústria de luxo, design de móveis e carros esportivos – ainda assim, a maior empresa de moda na Europa não é italiana, mas espanhola. Da mesma forma, o maior banco europeu é castelhano.

Em arquitetura e em cinema, os espanhóis são associados com o novo, e os italianos, com o passado. Claro que não há jeito de competir com maravilhas como o Coliseu e o Panteão, em Roma. Ambos, no entanto, são 2.000 anos mais antigos que as obras arquitetônicas mais conhecidas da Espanha. Os exemplos são o Museu Guggenheim, em Bilbao, e a recentíssima Ópera de Valência. A diva do cinema italiano, Sophia Loren, viveu seu auge na década de 60. A espanhola Penélope Cruz desfruta seu melhor momento agora. Os dois países têm índices de natalidade baixíssimos. Mas a população da Espanha é um pouquinho mais jovem: a proporção de idosos é de 21,7%, contra 26,4% na Itália.

O envelhecimento da população italiana é dos mais acentuados da Europa, e, ao contrário da Espanha, a Itália não tem conseguido compensar com imigrantes a demanda por mão-de-obra. Até no futebol o tempo pesa para os italianos. A média de idade da equipe do Milan, o atual vencedor da Liga dos Campeões, é uma das mais altas entre os times de elite da Europa. Na verdade, no quesito futebol, a Espanha não foi capaz de virar o jogo. Os dois países cultivam intensa rivalidade nos gramados, com nítida vantagem para os italianos. A Squadra Azzurra foi campeã em quatro Copas do Mundo. A melhor colocação de La Furia foi um quarto lugar em 1950. Trata-se de um resultado humilhante, considerando-se que os clubes da Espanha jogam um futebol bonito, põem em campo muitos dos melhores atletas de todo o mundo e não são assombrados por escândalos de corrupção como os da Itália. Se isso serve de consolo...

 



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