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Edição 2055

9 de abril de 2008
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Educação
Medo na escola

Pesquisa mostra que os pais não acham a sala
de aula um lugar seguro para os filhos


Camila Pereira

Egberto Nogueira
Lucas testemunhou brigas violentas e consumo de drogas no pátio: "É difícil estudar assim"

O período do dia que as crianças passam na escola deveria ser de tranqüilidade para os pais. Os filhos, afinal, estão sob a supervisão de outros adultos, em um ambiente voltado para a atividade intelectual. Esse é o cenário esperado – mas ele está longe de espelhar a realidade em muitas das escolas públicas brasileiras, sobretudo as das grandes cidades. O fato de a escola nem sempre ser um lugar pacífico não chega a ser novidade. O mérito de uma pesquisa divulgada na semana passada foi mostrar, em detalhes e com números, em que medida a violência preocupa os familiares. O estudo, conduzido pelo Instituto Fernand Braudel em parceria com a Fundação Victor Civita, baseou-se na opinião de pais de alunos da rede pública da cidade de São Paulo. Ele chama atenção para um dado impressionante: os pais não só não estão em paz ao enviar os filhos à escola como, bem ao contrário disso, 44% dizem que ela não oferece segurança aos alunos. O medo da violência é tamanho que nenhum outro tema relativo à rotina escolar ganha tanto espaço em casa quanto brigas ou o uso de drogas no recreio. Esse assunto aparece à frente daquilo que deveria estar no centro das conversas familiares: a sala de aula.

A preocupação dos pais tem respaldo na realidade – e a própria pesquisa aponta isso: 45% deles relatam saber de episódios de agressão física na escola dos filhos, 40% mencionam roubos e furtos e 32% se referem a casos de drogas no pátio. São dados que ajudam a explicar parte da insegurança manifestada pelos entrevistados. Há, no entanto, outra razão – essa de caráter mais subjetivo: tal insegurança é também provocada pela indisciplina e pela desorganização nas escolas. Explica Patrícia Guedes, uma das coordenadoras da pesquisa: "Esse ambiente transmite a idéia de que as crianças estão desprotegidas – e não sendo cuidadas". O fato é que, em escolas onde todo mundo se sente mais vulnerável, os alunos faltam mais às aulas e o ensino piora, segundo demonstrou um estudo da Unesco. Resume o estudante Lucas Batista, 15 anos, testemunha de xingamentos entre professores e alunos e do consumo de drogas nas dependências de sua escola: "Com um clima assim, é difícil aprender qualquer coisa".

A violência não é um problema restrito às escolas públicas de São Paulo, tampouco está circunscrito à realidade brasileira. Em Londres, em Nova York ou na Cidade do México, ela também aparece. Todas essas metrópoles lidam com redes gigantescas de escolas e classes lotadas, sobre as quais é, evidentemente, mais difícil manter o controle. Olhar para medidas eficientes tomadas nessas cidades pode ajudar o Brasil. Antes de tudo, elas se cercaram de estatísticas para mapear o problema, o que praticamente inexiste no caso brasileiro. Em outra frente, algumas delas criaram núcleos de educadores para tratar dos casos de violência nas escolas, antes da alçada exclusiva da polícia. Com tudo isso, as ocorrências em Nova York caíram 10% em apenas dois anos e o ensino melhorou – algo de que, não há dúvida, o Brasil precisa com urgência.



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