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Edição 2055

9 de abril de 2008
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Internacional
Demografia da fé

Muçulmanos ultrapassam católicos em número
de adeptos. A razão: eles têm mais filhos


Duda Teixeira

Ali Jarekji/Reuters
Muçulmanos em Meca: uma religião em ascensão

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Durante séculos, o catolicismo desfrutou o privilégio de ser a religião com o maior número de fiéis. Já não é assim. Na semana passada, monsenhor Vittorio Formenti, que trabalha na próxima edição do relatório anual de estatísticas do Vaticano, revelou ao L’Osservatore Romano, órgão oficial da Igreja, que atualmente há 1,3 bilhão de muçulmanos no mundo e apenas 1,1 bilhão de católicos. Em termos porcentuais, eles representam 19,6% da população mundial, enquanto os católicos são 17,4%. A vantagem islâmica no jogo demográfico é, por enquanto, parcial, pois se forem somados os fiéis de todas as denominações cristãs o total ultrapassa 2 bilhões de pessoas. O próprio Islã não é um bloco monolítico. Cada uma de suas várias vertentes – xiita, sunita, alauíta etc. – é, isoladamente, menor que o catolicismo. O futuro, de todo modo, favorece os seguidores de Maomé. No ritmo atual de expansão do islamismo, em menos de vinte anos os muçulmanos serão 30% da humanidade. O número de católicos então representará 16,7% da população mundial e os cristãos serão 25%.

Alguns fatos ajudam a entender essa expansão. A primeira é a diferença nas taxas de fertilidade entre os adeptos das duas religiões. O número de filhos por mulher cai nos países de maioria católica há mais de uma década. São sociedades modernas, em que as mulheres dão prioridade à profissão e o custo da educação dos filhos ajuda na decisão de optar por uma família menor. Na Itália e na Espanha, tradicionais bastiões do catolicismo, os índices de fertilidade estão entre os mais baixos do mundo. Na Europa, a taxa média é de 1,37 filho por mulher, bem abaixo dos 2,1 necessários para manter o tamanho da população. Na maior parte do mundo islâmico, o índice se mantém bem acima da média de reposição populacional. Dos dez países com as maiores taxas de fertilidade, seis são de maioria muçulmana. No Afeganistão, que lidera o ranking, a média é sete filhos por mulher.

O alto índice de fertilidade tem a ver com o papel subalterno da mulher e a valorização da família numerosa na sociedade islâmica. Mas as condições socioeconômicas influenciam tanto quanto as normas religiosas. Em mais da metade dos países com maioria muçulmana, o PIB per capita está abaixo de 1 000 dólares anuais. Isso equivale a um quarto da renda brasileira. Países pobres, famílias maiores. Um temor crescente entre os países europeus é ter sua identidade cultural – marcadamente cristã – ameaçada pelo crescimento da população muçulmana. Na França, imigrantes islâmicos e seus descendentes representam 10% da população. Entre os jovens franceses, o porcentual de muçulmanos sobe para 30%.

A Igreja Católica sofre uma sangria de fiéis – eles debandam para as seitas pentecostais, sobretudo na América Latina –, fenômeno que não existe nas fileiras do Islã. A contrapartida ocorre na África, onde o número de católicos triplicou nos últimos 26 anos. Até 2050, o planeta ganhará mais 2,7 bilhões de habitantes. Desse total, 40% virão da África Subsaariana, a África Negra. Outros 30% virão de países majoritariamente muçulmanos. Apenas 1% virá das nações ocidentais ricas, onde o cristianismo está mais consolidado.

 



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