Dith Pran e um de seus registros
da guerra que dizimou
Morreu: Dith Pran,
o fotógrafo que registrou a tomada do poder pelos
comunistas no Camboja, em 1975, e foi retratado no filme Os
Gritos do Silêncio, de 1984. Dith Pran foi impelido
para o jornalismo pela ascensão da guerrilha comunista.
Demitido do hotel em que trabalhava, passou a atuar como tradutor
de Sydney H. Schanberg, correspondente do TheNew
York Times na região. Aprendeu a fotografar para
ilustrar as reportagens do colega. Quando o Khmer Vermelho tomou
a capital, Phnom Penh, Pran retirou sua família do Camboja,
mas ficou para completar o trabalho, que rendeu um Prêmio
Pulitzer à dupla. Ainda salvou seu colega e outros estrangeiros
da execução pelos comunistas, mas acabou sendo
enviado para trabalhar como agricultor nos campos da morte,
onde um quarto da população cambojana morreu de
fome e exaustão. Pran comeu uma colher de arroz por dia
durante quatro anos, até fugir para os Estados Unidos,
onde voltou a trabalhar para o TheNew York Times.
Dia 30, aos 65 anos, de câncer no pâncreas, em Nova
Jersey.
Gloria
Congote/A Semana
Abadía: trinta anos de
prisão
Condenado: pela Justiça Federal o traficante colombiano
Juan Carlos Abadía a trinta anos de prisão
e a uma multa de 4,3 milhões de reais. Ele é culpado
pelos crimes de formação de quadrilha, corrupção,
lavagem de dinheiro e falsificação de documentos.
Um dos maiores traficantes de cocaína do mundo, Abadía
passou três anos foragido no Brasil até ser preso
pela Polícia Federal, em agosto de 2007. Ele está
também sendo processado nos Estados Unidos e sua extradição
já foi aprovada pelo Supremo Tribunal Federal. Cabe ao
presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidir se Abadía
cumprirá pena no Brasil ou se será deportado para
os Estados Unidos. Dia 1º, em São Paulo.
Indenizado:
em 1 milhão de reais o chargista Ziraldo por perseguições
que teria sofrido durante o regime militar. Ziraldo receberá
também uma pensão vitalícia de 4 500 reais.
O processo é quase uma anedota. Ziraldo ganhou a reparação
por ter sido demitido do Jornal do Brasil e por O
Pasquim, que ajudou a fundar, ter quebrado. Ele disse a
O Globo que "não perdeu emprego nem salário".
Dia 4, no Rio de Janeiro.
Wojtek
Radwanski/AFP
Bertie Ahern: suspeita de corrupção
derruba premier irlandês
Renunciou: o primeiro-ministro da Irlanda, Bertie Ahern.
Ele sucumbiu às acusações de ter recebido
propinas entre o fim dos anos 80 e o início dos 90, quando
ocupava o Ministério das Finanças. Ahern alega
inocência e diz que, agora, apenas se dedicará
a prová-la. Um dos artífices da paz com a Irlanda
do Norte, ele comandou seu país por onze anos. Dia 2,
em Dublin.