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Cartas
Classe C Impressionante a nitidez de compreensão
da reportagem "Ela empurra o crescimento" (2 de abril), a respeito da
classe média brasileira. Mais uma vez me sinto privilegiada por ter acesso
à revista. Que VEJA continue nos "empurrando para o crescimento".
A cada exemplar adquirimos um pouco mais de cultura e conhecimento. Conheço
um empresário que, há décadas, já sabe tudo o que
foi publicado na reportagem: o senhor Silvio Santos. Carnê com prestações
pagas em dia? Você concorre a uma casa ou vários outros prêmios.
O seu carnê não foi premiado? Você retira em lojas do Baú
o valor pago, em mercadorias. Em uma época em que a classe C era ignorada,
o senhor Silvio Santos, com visão empreendedora, "abraçou o
povo". O bom observador sabe: o cidadão com menos recursos financeiros
tem orgulho de ter o nome "limpo". A classe
média brasileira poderia ser muito maior se, em nosso país, não
houvesse a mentalidade estatizante dos nossos governantes e de parte do nosso
povo. Muito por isso, ela já privatizou a educação
dos filhos, a saúde dos pais e a segurança de si mesma. Como
o nosso país é semicapitalista e semi-socialista, o que prevalece
ainda é o cacoete coronelista de perpetuar as desigualdades.
José Júlio Senna Em relação
ao artigo "A era do crédito" (2 de abril), de José
Júlio Senna, afirmo que é preocupante verificar que há excesso
no uso na verdade, abuso do crédito. Outro dia, num dos hipermercados
de minha cidade, presenciei uma jovem senhora levar uma torta e um ovo
de Páscoa ao caixa e perguntar-lhe se aquela aquisição, de pouco
mais de 35 reais, poderia ser parcelada. Ante a resposta positiva, mesmo
que acompanhada da advertência de que sobre o valor incidiriam juros,
dividiu a compra em duas vezes no cartão. Um dia a bomba vai estourar,
porque a aquisição de mantimentos com pagamento parcelado não
é algo normal.
Garibaldi Alves Com
lucidez, Garibaldi Alves (Amarelas, 2 de abril) discorreu sobre algumas das
várias tormentas enfrentadas pelo Poder Legislativo nos últimos
anos, evidenciando a grave crise que levou ao afastamento do senador Renan Calheiros
da presidência do Senado. Determinado e corajoso, Garibaldi fez duras críticas
ao comportamento de alguns de seus pares, sem excluir nem mesmo os seus colegas
do PMDB. Ele criticou o instituto das medidas provisórias, a fragilidade
do atual governo em relação aos vários escândalos de corrupção
que atingem o país e o olhar do presidente da República diante dos
muitos episódios que denigrem a imagem do Brasil, como o dos mensaleiros.
A frase de Garibaldi "O Legislativo não é mais uma caixa de
ressonância da sociedade" revela quanto esse poder está desacreditado. A sinceridade
e a autenticidade do senador Garibaldi me impressionaram. Ele fez uma autocrítica
da atuação do Congresso e da classe política que corresponde,
infelizmente, à realidade. A política tornou-se, na maioria dos
casos, uma atividade para endinheirados ou para alguns que estão em busca
do enriquecimento ilícito. Não é nenhuma
surpresa que os nossos estimados líderes cometam os maiores absurdos ou
digam as maiores asneiras! É ultrajante ao cidadão ouvir de Garibaldi
Alves que, assim como o presidente da República tem direito a certas mordomias,
ele próprio como presidente do Senado também tem! E, ao final, Garibaldi
Alves diz que dirigir o Senado "dá um trabalho"... Ô, senhor
senador, pensei que o senhor soubesse que quem está na chuva tem de se
molhar. Pensei que o senhor soubesse dos trabalhos e riscos em que estava se metendo
quando desejou ocupar a presidência dessa Casa. Creio que a única
coisa que realmente dá trabalho à grande maioria dos nossos representantes
é criar novas maneiras de encobrir negócios suspeitos! Isso deve
mesmo dar trabalho, pois haja criatividade... A qualidade do voto continua realmente
péssima. Nos anos do regime de exceção podíamos
atribuir a culpa aos militares, a forças ocultas ou a qualquer entidade
que nos isentasse dela pela situação; eram eles lá e nós
cá. Na democracia, a máxima é: "Cada povo tem o governo
que elege". Sou
um brasileiro otimista, mas não tenho esperança de um dia sentir
uma migalha de orgulho do nosso Congresso. Sinto inveja da maioria dos parlamentos
do Primeiro Mundo, onde a política não serve para enriquecer nem
proteger ninguém. Não tenho a menor dúvida de que, sem
a interferência do Congresso, o Brasil passaria a um patamar de desenvolvimento
muito acima do que estamos.
Dossiê dos gastos corporativos Mais uma vez, os assessores do
presidente, docemente batizados por ele de aloprados, tentam desviar a atenção
do povo. Fabricam dossiês, ensejando, com isso, jogar para debaixo do tapete
a montanha de sujeira que produzem diariamente. Felizmente, além de serem
"aloprados", têm inteligência curta, o que faz com que deixem
suas marcas pelo caminho, como as lesmas o fazem, sendo assim facilmente
identificáveis. O senhor presidente, como sempre, nada viu, nada sabe.
A senhora ministra dá uma desculpa esfarrapada, tentando justificar o injustificável.
Acho que está treinando o que faria se, numa hipótese de outro acesso
de loucura do povo brasileiro, fosse eleita presidente. E nós, que
não fazemos parte dos recebedores das benesses do governo, vamos nos indignando
cada vez mais. Que pena que tenho sentido do Brasil ("O erro de cálculo",
2 de abril)! Os
atuais governistas ainda não aprenderam que, logo após surgir a
denúncia de um ato ilícito, a investigação tem de
ser rápida e alguém deve ser exemplarmente punido. José Dirceu
negou tudo, e não demitiu. Foi demitido. Palocci negou tudo, e não
demitiu. Foi demitido. Dilma está negando tudo. Lula diz que a probabilidade
de demitir sua dama de ferro é zero. Você acredita no Lula? Tenho
certeza de que a Dilma está de orelha em pé. Hoje
em dia, malas e cuecas de dinheiro inexplicáveis são "erros
de companheiros ou perseguição das elites". O presidente nunca
sabe de nada; quando lhe contam, ele passa a mão na cabeça do companheiro,
arrumando desculpas das mais esfarrapadas. Cadê a ética? Qual é
realmente o número de cartões corporativos existente? Qualquer pessoa
que usa o cartão inadequadamente sabe o que está fazendo. Deve renunciar
ou ser demitida. Ponto final. Em países mais civilizados,
quando se torna público que um político mentiu, logo ele vai
à TV, pede desculpas à nação e deixa o cargo. Aqui,
o flagrante de alguma falcatrua, especialmente quando envolve petistas ou seus
aliados, marca o início de uma insuportável seqüência
de mentiras e de falsificação de documentos. E assim vai, até
que todo mundo se esqueça do fato, geralmente com o aparecimento de novo
escândalo.
Aprovação e afagos de Lula A fúria do presidente Lula
mais parece a de um galo que só canta em seu terreiro. Como sempre,
o palco é o Nordeste. Terra de gente humilde, trabalhadora, carente
de muitas necessidades, principalmente de informação. Ao inocentar Severino
Cavalcanti e elogiar Renan Calheiros, o presidente inverte a verdade dos
fatos, cria confusão na mente das pessoas e só contribui para a
má-formação ética da sociedade que governa ("Popularidade
e fúria", 2 de abril). Lula foi a Pernambuco
e elogiou Severino Cavalcanti. Foi a Alagoas e elogiou Renan Calheiros. Ou seja,
qualquer político que for pego pedindo propina, chantageando, mentindo,
usando laranjas ou "coisinhas" assim, é só torcer para
que seu estado seja visitado pelo "grande líder" em ano eleitoral e,
pronto, estará automaticamente perdoado.
Dengue Parabéns
pela reportagem "Epidemia do descaso" (2 de abril). É incrível
o que acontece com a população do Rio de Janeiro. Enquanto os governantes
rezam, vestem calças compridas e se lambuzam de repelente, crianças
morrem. Isso é negligência. O poder público não age
como deveria, não combate o mosquito da dengue eficientemente e não
dá explicações à população. De um lado,
a disputa política. De outro, a população que sofre sem atendimento,
com número de mortos e infectados cada vez maior. É assustadora
a negligência dos governantes, que simplesmente cruzam os braços
diante do surto de dengue para discutir quem é o culpado. Precisamos de
gente que respeite o direito à vida.
Neurociências em Macaíba Fui surpreendida pela reportagem
"Ciência num lugar inesperado" (2 de abril) e não posso
deixar de parabenizar a atitude louvável de Miguel Nicolelis. Seu trabalho
na área da neurociência é fantástico e poderá
trazer grandes oportunidades para pessoas que necessitam de próteses para
a locomoção. Contudo, o que mais me chamou atenção
não foi o projeto em si, e sim a área de instalação
dos laboratórios de neurociências. A escolha de Nicolelis vai favorecer
não só o avanço tecnológico brasileiro como também
o desenvolvimento de uma região marcada pela pobreza. Estava mais que na
hora de um investimento dessa magnitude. A Nicolelis, os meus parabéns! Como
repórter e observador crítico da realidade, parabenizo VEJA pela
publicação da reportagem com o cientista Miguel Nicolelis. Ela explicou
os motivos da instalação de um avançado centro de pesquisas
de neurociências em Macaíba (RN), serviu para denunciar os dados
africanos de analfabetismo e mortalidade infantil e também gerou polêmica
no referido município, visto que muita gente se indignou com
trechos da matéria referentes, por exemplo, às ruas de terra batida. O
município foi classificado pelo MEC em 2005 como detentor da pior escola
do Brasil! Acho que VEJA poderia se aprofundar mais e mostrar por que Macaíba
é tão atrasada assim, já que arrecada cerca de 80 milhões
de reais anualmente. Macaíba é como
uma cidade qualquer do interior, tem seus pontos fortes e fracos e, é claro,
não pode ser comparada a uma capital, metrópole... Sobre o instituto
de neurociências, ele fica localizado em uma escola agrícola, na
zona rural de Macaíba; então é natural que as ruas sejam
de terra batida. Não acho justo que fiquemos conhecidos como uma cidade
que vive longe da civilização até porque ficamos
apenas 14 quilômetros distantes de Natal, capital do Rio Grande do Norte. A
reportagem "Ciência num lugar inesperado" afirma que poucos municípios
brasileiros têm um índice de mortalidade infantil tão alto
quanto Macaíba. Esclareço que o nosso registro foi reduzido consideravelmente
nos últimos anos, estando hoje em cerca de 10,3 índice menor
que a média verificada no Nordeste. O trabalho de combate à mortalidade
infantil, inclusive, nos conferiu premiações. Hoje, Macaíba
possui o sexto maior parque industrial do Rio Grande do Norte e somos o quinto
município em arrecadação de ICMS no estado. Temos aproximadamente
48 empresas instaladas e mais sete em fase de implantação, que empregam
mais de 7 000 pessoas.
Amazônia Gostaríamos
de parabenizar a revista pela reportagem de capa sobre a Amazônia (26 de
março). A reportagem "A capital da motosserra" (26 de março),
no entanto, indignou este município, cujos cidadãos de bem trabalham,
produzem e contribuem para o enriquecimento social e econômico do país.
O homem de bem de São Félix, que outrora ocupou com muito trabalho
a região, vê-se colocado no mesmo balaio de latifundiários,
grileiros, pistoleiros, especuladores de plantão e desmatadores. Confesso
que, quando vi a capa da VEJA, pensei: lá vem chumbo sobre os agricultores.
Mas ao ler a reportagem pude constatar a seriedade e a imparcialidade com que
o tema foi tratado, buscando trazer a verdade mesmo sendo ela muito complexa.
Ficou claro a todos que é possível preservar e produzir. VEJA
traduz claramente o sentimento dos que naquela região vivem e produzem
com seriedade. O maior problema da Amazônia é a ineficiência
dos órgãos públicos. A maioria dos produtores necessita da
preservação da Amazônia, afinal são os que mais dependem
do clima para produzir alimentos. Para que se produza com sustentabilidade preservando
o meio ambiente, cada um precisa fazer a sua parte a sociedade, os
produtores e o governo. É preciso preservar, corrigir o que está
errado, mas sem demagogia e sem violência. VEJA foi corajosa e responsável
ao abordar o tema e ao mostrar os caminhos da sustentabilidade. A revista mostrou
por que é a VEJA.
Dossiê dos gastos corporativos 2 O Instituto Euvaldo
Lodi do Distrito Federal (IEL/DF) vem a público, em reparo às informações
veiculadas pela revista VEJA na reportagem "O erro de cálculo"
(2 de abril) segundo a qual o instituto é "uma fundação
ligada à Confederação Nacional da Indústria, que segundo
o Palácio do Planalto tinha interesses econômicos no governo federal"
, esclarecer o seguinte: 1) O Instituto Euvaldo Lodi do Distrito Federal
é uma entidade criada pela Federação das Indústrias
do Distrito Federal (Fibra) e não tem nenhuma participação
da CNI em sua composição; 2) O IEL/DF, que tem por finalidade prestar
apoio técnico e consultoria a empresas e instituições públicas
e privadas, não é uma fundação; 3) O contrato a que
se refere a reportagem foi firmado em 2000, entre o IEL do Distrito Federal e
a Presidência da República, sem interferência nem participação
da CNI, para prestação de serviços de orientação
e consultoria alimentar; 4) O IEL prestou contas dos trabalhos realizados na forma
da legislação vigente.
Etanol Parabenizamos
VEJA pelas respostas claras e concisas sobre o etanol no Brasil e no mundo, publicadas
na edição 2 052 ("70 questões para entender o
etanol", 19 de março). Primeira atividade econômica do Brasil,
a cana-de-açúcar transformou-se recentemente em um novo paradigma
do mundo da energia ao entrar, de forma competitiva e sustentável, no mundo
dos combustíveis e da eletricidade. São energias limpas e renováveis,
geradas com tecnologias nacionais de ponta, com excelente balanço energético
e ambiental, e muito mais democráticas do que o petróleo, pois pelo
menos 100 países emergentes podem produzi-las. VEJA tornou essa realidade
mais clara para milhões de consumidores brasileiros que optam pelo etanol
todos os dias quando abastecem seu carro flex, sucesso que já responde
por quase 90% das vendas de veículos novos no Brasil. O futuro é
promissor, com novas variedades de cana e a produção de bioeletricidade
a partir do bagaço e da palha da planta, permitindo dobrar a produtividade
de energia por hectare na próxima década.
Vocação religiosa Ao fazer a "opção
pelos pobres", a Igreja ensina a união dos católicos para a
prática do maior princípio ético cristão o
amor ao próximo, exemplificado na parábola do bom samaritano.
Infelizmente, vários fiéis não compreenderam essa "opção".
Motivados pela teologia da libertação, alguns padres e bispos tentaram
alijar da Igreja aqueles que mais podem ajudar os pobres, os ricos. Muitos
católicos ricos, na esperança da salvação e desconfortados
por essa teologia, optaram por fazer caridade com os espíritas. Muitos
católicos pobres, na esperança de melhorar sua vida e desiludidos
com essa teologia, optaram por prosperar com os evangélicos. O resultado
foi uma confusão de fé e de idéias na Igreja. Como católico,
fico feliz em ver a Igreja no Brasil voltar ao seu verdadeiro caminho, trilhado
principalmente por jovens.
Walter Casagrande Júnior As notícias
sobre o ex-jogador de futebol e comentarista Walter Casagrande Júnior ("Tragédia
revelada", 2 de abril) são de interesse do público e de interesse
público também. A imprensa tem o dever de divulgar o que acontece
com um ídolo do esporte. Mesmo que sejam notícias tristes. Dessa
forma fica mais fácil educarmos nossos filhos e mostrar exemplos a ser
ou não seguidos.
Correção: o crédito correto da fotografia de Mário de Andrade publicada na reportagem "Memórias da estupidez" (2 de abril) é: Benedito Junqueira Duarte/B.J. Duarte.
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