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Edição 2055

9 de abril de 2008
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Auto-retrato
Louise Wilson

Divulgação


Diretora do mais famoso curso de moda do mundo, o da Central Saint Martins de Londres, por onde passaram estilistas geniais como John Galliano, da Dior, e Alexander McQueen, a inglesa Louise Wilson é famosa pelo conhecimento do assunto e pelo temperamento mais explosivo que sua cabeleira flamejante. Nesta semana ela dará palestra num seminário de moda em São Paulo. De Gana, onde divide uma casa de veraneio com o marido, falou à repórter Bel Moherdaui.

É possível formar um estilista de talento? Ou eles já nascem prontos, só precisam ser descobertos?
Acho possível abrir a porta e mostrar o caminho, mas não é possível fazer a pessoa segui-lo. O que eu vejo é que, quanto menos talentosos, mais eles se acham deuses, e, quanto mais talentosos, mais são cheios de insegurança. Por isso, ensinar é tão importante. Você mostra à pessoa que ela pode confiar em si mesma.

A senhora bate o olho num aluno e sabe dizer se ele tem o que precisa para se destacar?
A gente tenta – e eu tenho sorte, porque já dei aula a pessoas realmente incríveis –, mas na sala de aula não estamos preocupados se a pessoa é boa ou não. O meu trabalho é educar os alunos nos mais altos padrões e ajudá-los a seguir na vida. Alguns são muito capazes, outros menos, mas certa habilidade todos têm.

McQueen e Galliano eram bons alunos?
Hoje, claro que digo que foram bons alunos. Mas, se você me perguntasse na época, eu não teria tempo de avaliar. Trabalho com todo mundo e quero o melhor que cada um pode oferecer. E se fossem bons não faria diferença, porque não temos um critério fixo. Não gostamos nem de dar notas na Saint Martins. Aliás, sou contra o sistema de notas. Prefiro o aluno que tirou zero porque se arriscou àquele que tirou 80 porque fez o que já sabia. A primeira coisa que os alunos perguntam quando entram no meu curso é o que eles têm de fazer. Não sei. Eles têm de se jogar e descobrir o que querem. As pessoas se esquecem de pensar por si mesmas.

A pergunta inevitável dos não especialistas quando se fala com uma especialista em moda: quem usa aquelas coisas que aparecem nas passarelas?
Não faço idéia. Nem tudo o que é mostrado nas passarelas é produzido. Se fosse, seria muito chato. Aquele é o jeito de o estilista criar uma imagem forte. É como uma feira de automóveis ou de barcos, em que são mostrados modelos fabulosos que não vão para as lojas. Todas as grifes têm perfume, e é isso que as pessoas compram. Mas, para vender o perfume, é preciso criar uma imagem forte. As roupas da passarela servem para isso.

Nunca homem algum disse: "Querida, que Dior lindo", ou "Adorei a sua bolsa Chloé". Que tipo de autogratificação as mulheres estão comprando junto com as grifes?
Primeiro: esse homem existe, mas provavelmente é gay. Quanto às mulheres, mais do que nunca elas controlam seu destino, porque têm dinheiro e poder. Estão cada vez mais fortes e se vestem para si mesmas. E também para impressionar outras mulheres.

Quantas bolsas a senhora tem no armário?
Montes. Eu não gasto muito dinheiro com roupas. Sou pesada e me visto quase que com um uniforme. Por isso, invisto mais nos complementos. Devo ter umas cinqüenta bolsas.

Dizem que a senhora é uma orientadora um tanto, digamos, exigente. É Verdade?
Você vai ter de perguntar aos alunos. Eu diria que não sou; eles provavelmente vão dizer que sou. Mas adoraria que todos me achassem meiga, simpática, gentil e maravilhosa.

Sempre se pergunta aos grandes chefs qual é o último prato que gostariam de comer antes de morrer. Qual é o produto de moda que a senhora compraria antes de subir ao paraíso dos fashionistas?
Se eu estivesse morrendo, não haveria sentido em comprar nada. Talvez alguma coisa que meu filho pudesse vender depois. Mas, se você me perguntar qual seria minha última refeição, eu diria: um filé. Estou louca por um filé. Mal posso esperar para chegar ao Brasil e comer carne. Estou na África neste momento e, se tiver de comer mais um prato de massa, vou ter um chilique.



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