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DVDs
Sex
and the City A Primeira Temporada (Estados Unidos, 1998.
Paramount) Uma das séries mais premiadas e bem escritas
da televisão americana (exibida aqui pelo canal pago Multishow),
Sex and the City virou sucesso de audiência também
por ir direto à jugular de uma certa fatia do público: as
trintonas urbanas que não sabem do que têm mais medo, se
de ficar sem parceiro ou de encarar um romance sério. Cada um dos
doze episódios do DVD duplo explora um aspecto desse dilema, tendo
como mote sempre as pesquisas algumas bem empíricas
que a jornalista Carrie Bradshaw (Sarah Jessica Parker) e suas três
amigas inseparáveis conduzem sobre o tema. Ver os capítulos
de enfiada equivale a uma pequena aula sobre uma arte dificílima
que os americanos aprenderam a dominar: a de desenvolver personagens coerentes
em apenas 25 minutos de programa por semana.
Warner Bros
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| Noite
Americana: um Truffaut espirituoso |
A Noite Americana (La Nuit Américaine, França/Itália,
1973. Warner) Leve, cheio de humor e muito generoso com os seus
personagens, esse vencedor do Oscar de produção estrangeira
é até hoje a melhor definição de um filme
sobre um filme. François Truffaut dirige o filme verdadeiro e também
interpreta o cineasta que está rodando o fictício Pamela,
uma história de amor cuja tolice não parece justificar as
dores de cabeça que lhe vem causando. A elegância de Truffaut
faz com que essa seja uma daquelas raras comédias que nunca parecem
datadas, e o DVD mais do que compensa revisitá-la. Entre os muitos
extras por exemplo, uma cobertura do Festival de Cannes no ano
do lançamento de A Noite Americana , o destaque é
uma entrevista com o diretor, tão espirituoso quanto em seus filmes.
Curiosidade: o título é o jargão usado para designar
o truque que faz com que filmagens feitas de dia pareçam noturnas.
LIVROS
Johnny
Vai à Guerra, de Dalton Trumbo (tradução
de Elza Viany; Relume-Dumará; 228 páginas; 32 reais)
Trumbo foi antes de mais nada um roteirista de talento, responsável
pelos scripts de Spartacus e Exodus, entre outros clássicos.
Graças a esse romance (que já tivera edição
no Brasil nos anos 60), ele também inscreveu seu nome na literatura
americana do século XX. O protagonista é um soldado que,
na I Guerra Mundial, perde todos os membros e todos os sentidos. O livro
registra os pensamentos do jovem sobre o horror da guerra, e seu desejo
angustiado de conseguir expressá-los na condição
em que se encontra. Trumbo lançou o livro originalmente em 1939,
no começo da II Guerra Mundial, e fez questão de reeditá-lo
durante a Guerra do Vietnã. Deixando marcado, assim, o propósito
do livro de ser um veemente (e magistral) libelo pacifista. Leia
trechos do livro.
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| Cendrars:
amigo de brasileiros |
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Morravagin
e O Fim do Mundo Filmado pelo Anjo Notre-Dame, de Blaise
Cendrars (tradução de Dorothée de Bruchard; Companhia
das Letras; 295 páginas; 43 reais) O poeta e prosador suíço
Blaise Cendrars foi um dos grandes nomes da vanguarda literária
de língua francesa no começo do século XX. Viajou
incansavelmente durante a vida e passou inclusive pelo Brasil, onde se
tornou amigo de modernistas como Oswald de Andrade. Algumas páginas
de Morravagin, seu mais conhecido romance, foram escritas aqui.
Cendrars aparece como narrador e personagem desse livro cheio de truques,
que conta a história de um fictício herdeiro do último
rei da Hungria: o louco Morravagin, que percorre o mundo no período
entre a Revolução Soviética e o final da I Guerra
Mundial. Bônus no volume, O Fim do Mundo... é uma
narrativa experimental cheia de cortes cinematográficos
os filmes foram outra paixão do polivalente Cendrars.
DISCOS
Marcia Ramalho
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| Clara
Nunes: cantora com alma |
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Para
Sempre, Clara Nunes (Som Livre) Cantora mineira que morreu
em 2 de abril de 1983, por causa de complicações numa cirurgia
para retirada de varizes, Clara Nunes pertencia a uma classe rara de intérpretes
brasileiras. Cantava com a alma um repertório que ia do samba-canção
ao afoxé sem nunca fazer pose de diva como as atuais cantoras
"ecléticas". A compilação Para Sempre dá
apenas um gostinho do enorme talento de Clara. Faltam, por exemplo, as
canções de Nelson Cavaquinho, compositor cujo repertório
se destacou na carreira da artista. Em compensação, estão
ali sucessos radiofônicos como O Mar Serenou e Morena
de Angola. Como a EMI, companhia pela qual Clara Nunes lançou
todos os seus discos, não se dignou a recolocar seus álbuns
em catálogo, essa compilação vem a calhar.
Diamonds
on the Inside, Ben Harper (EMI) Desde 1994, quando lançou
seu disco de estréia, o cantor e guitarrista americano vem seguindo
a mesma receita: canções eletroacústicas, que ora
soam como um Bob Dylan embebido em soul music, ora lembram o reggae de
combate de Bob Marley. Ainda que Harper seja um dos instrumentistas mais
criativos de sua geração, seu estilo estava se tornando
repetitivo. Diamonds on the Inside, seu quinto CD, traz uma nova
face de Harper: a de baladeiro. E isso faz toda a diferença. Animado
com a paternidade (ele e a namorada, a atriz americana Laura Dern, são
pais de um garoto de 1 ano e 7 meses), o guitarrista trocou as canções
de protesto por temas e letras cheios de ternura. O ponto alto dessa faceta
é Picture
of Jesus, que traz uma participação preciosa
do grupo gospel africano Ladysmith Black Mambazo.
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| White
Stripes: Pedrita e Page |
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Elephant,
The White Stripes (Sum) Imagine se Jimmy Page, lendário
guitarrista do Led Zeppelin, montasse uma banda com Pedrita Flintstone.
Pois o duo americano White Stripes é quase isso. O vocalista e
guitarrista Jack White tem nítidas influências de Page
especialmente nas faixas mais roqueiras , enquanto a baterista Meg
White ataca seu kit de percussão como se estivesse no tempo das
cavernas. Elephant não tem momentos de calmaria. São
catorze faixas com influências de blues e rock pesado, que agradam
tanto à garotada quanto aos fãs das bandas pauleiras dos
anos 70. O melhor exemplo é I Just Don't Know What to Do with
Myself, balada do compositor Burt Bacharach, que foi virada do avesso
em meio a vocais malucos, um acompanhamento tribal e diversos efeitos
de guitarra.
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