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Edição 1 797 - 9 de abril de 2003
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Lauro Jardim [e-mail: ljardim@abril.com.br]


TUCANOS

O valor da conta
O jantar que FHC ofereceu na segunda-feira passada a trinta pesos-pesados do meio empresarial para arrecadar fundos para o recém-criado Instituto FHC deu para encher o cofre. Cada um contribuiu com 200.000 reais.

 

MST

A terra arde em Minas
O governo de Minas Gerais já detectou a excitação do MST no Estado. E atenção, FHC: os sem-terra estão rondando as proximidades da fazenda Córrego da Ponte, dos filhos do ex-presidente, na cidadezinha de Buritis.

 

GOVERNO

Lula fala
Nesta segunda-feira, Lula faz seu primeiro pronunciamento à nação em cadeia de rádio e TV desde que tomou posse. Fará, em sete minutos, um balanço de seus primeiros 100 dias.

 

POLÍTICA

ACM pede
No Senado, ACM tem perambulado de gabinete em gabinete pedindo ajuda. Não poupa nem os antigos desafetos.

Vai ficar menor
Aproveitando o enfraquecimento de Leonel Brizola no PDT, o PTB e o PPS estão avançando com pouca cerimônia sobre a bancada federal do partido.

 

A psicodélica marca do governo Lula


Duda: criador da marca e do slogan

É a primeira vez que o caro leitor vê a logomarca abaixo. Mas, certamente, nos próximos anos será uma imagem mais do que familiar aos brasileiros. Daqui para a frente todas as peças publicitárias do governo trarão esta coloridíssima representação gráfica – é a marca oficial do governo Lula. Na quinta-feira passada, em reunião com o marqueteiro Duda Mendonça, o próprio Lula bateu o martelo. A marca é uma criação de Duda, que a doou ao governo. O que não é, aliás, uma novidade. FHC também recebeu do publicitário Alex Periscinoto a doação de uma marca para o governo federal.


RELIGIÃO

A embaixada de Moon
O reverendo Moon, aquele líder religioso coreano que tem especial devoção por negócios confusos, está montando um escritório em Brasília. Quer estreitar seu relacionamento com o poder federal. Chefiado por adeptos de Moon, o escritório é chamado internamente de "embaixada".

 

GUERRA

Questão de imagem
Nesta guerra, os brasileiros têm George W. Bush em pior conta que Saddam Hussein. Uma pesquisa inédita do Ibope mostra que 78% dos brasileiros consideram a atuação de Bush "totalmente errada", enquanto 69% dizem o mesmo de Saddam.

 

ECONOMIA

Novela no fim
Está para sair o acordo entre os credores e os controladores da BCP, a maior operadora de telefonia celular de banda B no país, com atuação na Grande São Paulo. Pelo que está encaminhado, o Safra e a BellSouth saem mesmo da BCP, que passará a ser administrada por um comitê de bancos credores.

Primeiras faíscas
Roger Agnelli, presidente da Vale do Rio Doce, está preocupado com os primeiros sinais de curto-circuito entre a Bradespar e a Previ, controladoras da gigante da mineração brasileira.

Telas às centenas
Um quarteto da pesada se uniu para uma grande tacada na área de entretenimento. Boni, Alexandre Accioly, Luiz Carlos Barreto e Nizan Guanaes estão envolvidos num projeto para abrir centenas de cinemas fora das capitais. O empreendimento começará por Minas Gerais, onde planejam abrir salas de cinema em 120 municípios.

O ex-bicho-papão
No calor da campanha presidencial de 2002, um fantasma assombrava o país. Era a temida dívida interna. Uns falavam que era uma bomba-relógio prestes a explodir. Outros que só uma moratória daria jeito no abacaxi. Nem um nem outro – ainda que permaneça alta, a dívida interna perdeu seu poder de assustar.

No país da sonegação
Lula terá pelo menos uma marca a lamentar em seus primeiros 100 dias no poder. Nesse período, 300 milhões de reais em impostos federais e estaduais deixaram de ser recolhidos por força de decisões judiciais – todas beneficiando empresas do setor de combustíveis notoriamente comprometidas com a sonegação.

 

SEGURANÇA

O placar do seqüestro
Na semana passada, três seqüestros estavam em curso em São Paulo.

 

EXCLUSÃO

Discriminação na rede
As exclusões racial e digital caminham de mãos dadas no Brasil. A chance de um branco ter acesso a computador é 142% maior que a de um negro. E atenção: chegou-se a esse porcentual depois de se comparar brancos e negros que tiveram as mesmas condições de educação e emprego. A disparidade sobe para 167% no caso do acesso à internet. Esses dados constam do Mapa da Exclusão Digital, um detalhado e inédito estudo produzido pela FGV-RJ, que será lançado nos próximos dias.

Ninguém entende nada
Um estudo inédito do MEC com alunos da 4ª série do ensino fundamental mostra bem o tamanho do desafio do ministro Cristovam Buarque. Apenas 5% dos estudantes demonstraram habilidade de leitura compatível com a série. Entre os professores dessa turminha, 65% terminaram o curso superior. Em outro extremo, ou seja, entre os que têm problema com a leitura, constatou-se que seus mestres têm no máximo oito anos de escolaridade.

 

RÁDIO

Vem aí a rádio digital
Miro Teixeira apresentará nesta semana seus planos para transformar as rádios AM do país em rádios digitais, que passariam a ter excelente qualidade de transmissão. O objetivo é salvar as AMs, que hoje são donas de magros 15% da audiência total das rádios.

 

TELEVISÃO

Prêmio para quem assistir
Talvez por falta de confiança nos dribles dos craques brasileiros, a Globo está fechando um projeto para reforçar o caixa e levantar a audiência dos jogos dominicais – que já foram mais altos. A idéia é botar Faustão sorteando carros e apartamentos nos intervalos das partidas.

Não emplacou
A Globo vai mexer na recém-estreada novela das 6.

 

A Coca-Cola entra na guerra

Romero Cruz
Coca: antipatia aumentou


A Coca-Cola sentiu o golpe. Um dos maiores símbolos americanos vai começar sua contra-ofensiva às propostas de boicote ao refrigerante. No comunicado oficial, assinado pela associação dos fabricantes, a Coca dirá que é uma "empresa brasileira" e citará os 25 000 empregos diretos e os impostos que gera. Ela se assumirá ainda "contra as guerras", ressalvando que "guerras são assuntos de governos". Uma pesquisa inédita do Ibope, realizada no fim de março, revela que 15% dos brasileiros passaram a ter antipatia, ou aumentaram sua antipatia, pelas empresas e pelos produtos americanos após o início da guerra. Outros 11% diminuíram sua admiração.

Colaborou Ronaldo França

 
 

 

Foto Marcos Muzi

   
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