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Até
a última gota
Como
os fãs não esquecem Cazuza,
Renato e Cássia, o negócio é espremer
ao máximo o seu legado musical
Sérgio
Martins
| Montagem sobre fotos de Jorge Rosemberg/Strana/Fabio
Mangabeira |
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Alguns artistas desenvolvem uma relação tão estreita
com seus fãs que se tornam objeto de culto. Geralmente são
pessoas de vida atribulada, que morrem cedo e de forma abrupta, deixando
nos admiradores a impressão de que a obra do ídolo está
incompleta. Três astros brasileiros integram essa categoria: Cássia
Eller, Renato Russo e num patamar bem inferior Cazuza. Para
as gravadoras, são um filão inesgotável, tanto que
elas criaram um ramo de atividade paralelo destinado a saciar essa demanda.
Um ramo, diga-se, cada vez mais sofisticado. Já não é
mais preciso relembrar o astro que se foi ouvindo canções
gravadas em condições sofríveis. Hoje, quando as
empresas conseguem garimpar uma dessas faixas esquecidas, usam a tecnologia
para conforme a necessidade passar uma demão de verniz
nelas ou mesmo reformulá-las inteiras, aproveitando apenas a voz
do intérprete e regravando todo o acompanhamento musical. A esperança
é que essas faixas recauchutadas agradem não apenas ao público
cativo do artista, mas também angariem novos adeptos. A tática
tem surtido bons efeitos. Lançado no fim do ano, o CD póstumo
de Cássia Eller, 10 de Dezembro, vendeu 100.000
cópias. Em breve, será a vez de a obra de Cazuza ressurgir.
O produtor Guto Graça Mello irá utilizar uma banda para
recriar os hits do cantor e apelará ainda para um intérprete
de voz similar nas faixas em que se pode perceber quanto ele estava debilitado
pela Aids.
O líder da categoria, contudo, é incontestavelmente Renato
Russo. Foi lançado há pouco Renato Russo Presente,
um catadão de raridades e entrevistas do astro. O álbum
já bateu a marca das 300.000 cópias.
Presente é um híbrido de raspa de tacho e milagres
tecnológicos. A maior parte do material é de interesse exclusivo
dos fãs mais ardorosos caso de uma versão caseira
de Thunder Road, do roqueiro americano Bruce Springsteen. Apenas
três faixas inéditas justificam o lançamento. O produtor
Nilo Romero rearranjou Mais uma Vez (que Russo escreveu para o
14 Bis, em 1987), Hoje (composta com Leila Pinheiro) e Boomerang
Blues (gravada inicialmente pelo Barão Vermelho, em 1986) a
convite da gravadora EMI. Das versões originais, ele manteve somente
o piano de Leila Pinheiro e a voz e o violão de Russo. Não
é a primeira vez que isso acontece num disco póstumo do
cantor. O Último Solo, lançado em 1997, trazia uma
música encorpada por instrumentistas de uma orquestra inglesa.
A diferença é que, desta vez, Romero recrutou músicos
de estúdio para emoldurar a voz do roqueiro com arranjos modernos.
Deu certo. Mais uma Vez já está entre as canções
mais executadas nas rádios do país.
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