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Mulheres
exploradas
Na
novela das oito, há todo tipo de
empregada. E como elas trabalham!
Ricardo
Valladares
Fotos divulgação
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| Suzana
Vieira, com suas funcionárias de ficção: a patroa
dá pano para manga |
Sempre
atento aos detalhes da vida urbana brasileira, o noveleiro Manoel Carlos
parece ter decidido traçar uma tipologia das empregadas domésticas
no atual folhetim das oito da Rede Globo, Mulheres Apaixonadas. Dos
105 personagens, nada menos do que treze são domésticas.
E tem para todo gosto, das fofoqueiras às discretas, das independentes
às que são quase parte da família, das que são
perseguidas pelo garotão da casa àquelas que, de tão
sestrosas, causam ciúmes à patroa. Só não
tem empregada gazeteira. Todas trabalham loucamente. Na segunda-feira
passada, por exemplo, a personagem Maria (Idelceia Santos) apareceu duas
vezes. Numa delas servia o café bem cedinho a Tony Ramos. Na outra,
bem tarde da noite, aparecia para perguntar se o patrão, que acabava
de chegar em casa, ainda queria jantar. Somente depois de ele dizer não
ela arriscou um tímido "então eu vou dormir". A novela só
não merece inteiramente o nome de Mulheres Exploradas por
causa da personagem Sônia (Priscila Dias). Ela teve um filho logo
nos primeiros capítulos. O Sindicato das Empregadas Domésticas
encaminhou então um e-mail à Rede Globo, pedindo que ela
ganhasse o direito à licença-maternidade. Manoel Carlos
acatou a sugestão.
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O
empregado bonitão: o trabalho duro agora é outro
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Num
ponto, a novela tem falhado com o realismo. Não há uma empregada
sequer que trabalhe com o radinho ligado. Em vez disso, elas pegam no
batente ao som daquela irritante bossa nova que serve de trilha sonora
para quase todas as cenas da novela. Mas alguns hábitos ancestrais
da família brasileira estão muito bem retratados na trama.
Por exemplo: a iniciação sexual do adolescente com a empregada.
O casal em questão é formado por Carlinhos (Daniel Zettel)
e Zilda (Roberta Rodrigues). "Agora ele deu para andar de cueca na frente
dela. E o pior é que fica excitado", disse a mãe do garoto
num diálogo recente. A novela também está ótima
ao explorar as taras nutridas pelos patrões. Shirley (Renata Pitanga)
desperta a inveja da neurótica e mal-amada Silvia (Natália
do Vale). Fogosa, a empregada sempre que possível se entrega a
um chamego com um taxista e Silvia vive a espreitá-la, lembrando
do tempo em que ainda tinha vida sexual. E há o caso entre Lorena
(Suzana Vieira) e Expedito (Rafael Calomeni). Só que aqui, para
variar, ele é o empregado e ela a patroa. Os dois se envolveram
numa paixão tórrida e, na semana passada, protagonizaram
cenas de cama. Agora vão morar juntos. Prato cheio para as empregadas
de Lorena, Célia (Fabiana Karla) e Cândida (Marise Gonçalves),
que não param de falar sobre o assunto, enquanto se esfalfam de
trabalhar de sol a sol.
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