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Edição 1 797 - 9 de abril de 2003
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Mulheres exploradas

Na novela das oito, há todo tipo de
empregada. E como elas trabalham!

Ricardo Valladares

 
Fotos divulgação
Suzana Vieira, com suas funcionárias de ficção: a patroa dá pano para manga

Sempre atento aos detalhes da vida urbana brasileira, o noveleiro Manoel Carlos parece ter decidido traçar uma tipologia das empregadas domésticas no atual folhetim das oito da Rede Globo, Mulheres Apaixonadas. Dos 105 personagens, nada menos do que treze são domésticas. E tem para todo gosto, das fofoqueiras às discretas, das independentes às que são quase parte da família, das que são perseguidas pelo garotão da casa àquelas que, de tão sestrosas, causam ciúmes à patroa. Só não tem empregada gazeteira. Todas trabalham loucamente. Na segunda-feira passada, por exemplo, a personagem Maria (Idelceia Santos) apareceu duas vezes. Numa delas servia o café bem cedinho a Tony Ramos. Na outra, bem tarde da noite, aparecia para perguntar se o patrão, que acabava de chegar em casa, ainda queria jantar. Somente depois de ele dizer não ela arriscou um tímido "então eu vou dormir". A novela só não merece inteiramente o nome de Mulheres Exploradas por causa da personagem Sônia (Priscila Dias). Ela teve um filho logo nos primeiros capítulos. O Sindicato das Empregadas Domésticas encaminhou então um e-mail à Rede Globo, pedindo que ela ganhasse o direito à licença-maternidade. Manoel Carlos acatou a sugestão.


O empregado bonitão: o trabalho duro agora é outro

Num ponto, a novela tem falhado com o realismo. Não há uma empregada sequer que trabalhe com o radinho ligado. Em vez disso, elas pegam no batente ao som daquela irritante bossa nova que serve de trilha sonora para quase todas as cenas da novela. Mas alguns hábitos ancestrais da família brasileira estão muito bem retratados na trama. Por exemplo: a iniciação sexual do adolescente com a empregada. O casal em questão é formado por Carlinhos (Daniel Zettel) e Zilda (Roberta Rodrigues). "Agora ele deu para andar de cueca na frente dela. E o pior é que fica excitado", disse a mãe do garoto num diálogo recente. A novela também está ótima ao explorar as taras nutridas pelos patrões. Shirley (Renata Pitanga) desperta a inveja da neurótica e mal-amada Silvia (Natália do Vale). Fogosa, a empregada sempre que possível se entrega a um chamego com um taxista – e Silvia vive a espreitá-la, lembrando do tempo em que ainda tinha vida sexual. E há o caso entre Lorena (Suzana Vieira) e Expedito (Rafael Calomeni). Só que aqui, para variar, ele é o empregado e ela a patroa. Os dois se envolveram numa paixão tórrida e, na semana passada, protagonizaram cenas de cama. Agora vão morar juntos. Prato cheio para as empregadas de Lorena, Célia (Fabiana Karla) e Cândida (Marise Gonçalves), que não param de falar sobre o assunto, enquanto se esfalfam de trabalhar de sol a sol.

   
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