
estasemana
colunas
seções
arquivoVEJA
 |
 |
| (conteúdo
exclusivo para assinantes VEJA ou UOL) |
 |
Crie
seu grupo

|
|
Estrelas
cadentes
Nunca
tantos apresentadores
sofreram tanto, ao mesmo tempo,
com a queda de ibope
Ricardo
Valladares
Algo fora do comum está ocorrendo na televisão brasileira:
diversos apresentadores importantes, de diversos canais, enfrentam ao
mesmo tempo tropeços feios na audiência. É uma chuva
de estrelas cadentes. E que chuva. Xuxa tem problemas na Globo. Gugu Liberato
e Ratinho, no SBT. Raul Gil e Eliana, na Record. Em alguns casos, a média
do ibope atual é menor que a metade daquela que o apresentador
já alcançou (veja
quadro). Essa derrapagem coletiva parece ser a prova de
que o desgaste na imagem de apresentadores que estão no ar há
anos é um fenômeno bastante real. "Ninguém é
100% fiel ao seu ídolo. Tem horas que o povo cansa", diz Marlene
Mattos, diretora de núcleo da Rede Globo.
Em tese, nada como uma boa guinada para reinteressar os velhos fãs
e conquistar alguns novos. Mas as coisas não funcionam exatamente
assim na prática. Entre os apresentadores em dificuldades há
os que não mudaram nada, os que mudaram alguma coisa e os que mudaram
tudo. Todos estão no mesmo barco. No primeiro caso encaixa-se Raul
Gil. Há quase quarenta anos ele apresenta o mesmo show de calouros,
com quadros "clássicos" como o do banquinho. No segundo semestre
de 2001, de maneira meio inexplicável, ele começou a tirar
repetidamente a liderança da Rede Globo nas tardes de sábado.
Chegou a dar 17 pontos de média. De repente, o milagre se interrompeu
e hoje ele não sai dos 6. Ratinho é um apresentador
que fez ajustes consideráveis em seu show nos últimos tempos.
Depois de atingir picos de audiência de 35 pontos em 1999, ele foi
deixando de fazer barulho. Reforçou, então, o caráter
cômico do seu programa. O resultado comercial da relativa suavização
do mundo cão foi bom: ele aumentou bastante seu número de
merchandisings. Mas o Ratinho "engraçado" não conseguiu
retornar aos tempos áureos.
Nos casos de Xuxa, Gugu e Eliana, é possível encontrar motivos
mais concretos para a queda na audiência. Há cinco meses,
com a estréia de No Mundo da Imaginação, uma
atração novinha em folha, a loira retornou com alarde à
programação infantil. Marcou 15 pontos de média,
foi caindo e está com 8. Uma pesquisa da Globo indica que hoje
ela só é a "rainha das baixinhas": as meninas gostam dela,
os meninos nem tanto. Falta-lhe sintonia, portanto, com uma parte significativa
de seu público. Gugu, por sua vez, há dois anos conquistou
a liderança nas tardes de domingo, graças a um programa
movimentado, que misturava jornalismo e espetáculo. Ele era o entusiasmo
em pessoa, enquanto seu principal concorrente, Fausto Silva, aparecia
em pesquisas da Rede Globo como vítima do mal do "desânimo".
Agora a situação se inverteu. É Gugu que se mostra
meio abúlico, e isso se reflete no ibope.
Quanto a Eliana, ela vem enfrentando os piores meses de sua carreira de
doze anos. A Record a trocou três vezes de horário recentemente,
e ainda reduziu seu tempo na grade de programação. No mês
passado, Eliana voltou às manhãs da emissora e passou a
apresentar o Fábrica Maluca, de apenas uma hora. Ela, que
em seu auge comandava uma audiência de 6 pontos, agora não
sai dos 3. O interessante no que se refere a Gugu e Eliana é que
tanto o SBT como a Record conseguiram detectar, em pesquisas, um desgaste
na imagem de seus apresentadores. Não foi por mudarem ou não
mudarem alguns detalhes que eles caíram mas porque, depois
de anos em ação, parecem ter fartado o público. Não
é necessariamente o fim do mundo. Ao menos na televisão,
uma estrela caída às vezes volta a subir.
|
|
 |
|
 |

|
 |