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Edição 1 797 - 9 de abril de 2003
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Estrelas cadentes

Nunca tantos apresentadores
sofreram tanto, ao mesmo tempo,
com a queda de ibope

Ricardo Valladares

Algo fora do comum está ocorrendo na televisão brasileira: diversos apresentadores importantes, de diversos canais, enfrentam ao mesmo tempo tropeços feios na audiência. É uma chuva de estrelas cadentes. E que chuva. Xuxa tem problemas na Globo. Gugu Liberato e Ratinho, no SBT. Raul Gil e Eliana, na Record. Em alguns casos, a média do ibope atual é menor que a metade daquela que o apresentador já alcançou (veja quadro). Essa derrapagem coletiva parece ser a prova de que o desgaste na imagem de apresentadores que estão no ar há anos é um fenômeno bastante real. "Ninguém é 100% fiel ao seu ídolo. Tem horas que o povo cansa", diz Marlene Mattos, diretora de núcleo da Rede Globo.

Em tese, nada como uma boa guinada para reinteressar os velhos fãs e conquistar alguns novos. Mas as coisas não funcionam exatamente assim na prática. Entre os apresentadores em dificuldades há os que não mudaram nada, os que mudaram alguma coisa e os que mudaram tudo. Todos estão no mesmo barco. No primeiro caso encaixa-se Raul Gil. Há quase quarenta anos ele apresenta o mesmo show de calouros, com quadros "clássicos" como o do banquinho. No segundo semestre de 2001, de maneira meio inexplicável, ele começou a tirar repetidamente a liderança da Rede Globo nas tardes de sábado. Chegou a dar 17 pontos de média. De repente, o milagre se interrompeu – e hoje ele não sai dos 6. Ratinho é um apresentador que fez ajustes consideráveis em seu show nos últimos tempos. Depois de atingir picos de audiência de 35 pontos em 1999, ele foi deixando de fazer barulho. Reforçou, então, o caráter cômico do seu programa. O resultado comercial da relativa suavização do mundo cão foi bom: ele aumentou bastante seu número de merchandisings. Mas o Ratinho "engraçado" não conseguiu retornar aos tempos áureos.

Nos casos de Xuxa, Gugu e Eliana, é possível encontrar motivos mais concretos para a queda na audiência. Há cinco meses, com a estréia de No Mundo da Imaginação, uma atração novinha em folha, a loira retornou com alarde à programação infantil. Marcou 15 pontos de média, foi caindo e está com 8. Uma pesquisa da Globo indica que hoje ela só é a "rainha das baixinhas": as meninas gostam dela, os meninos nem tanto. Falta-lhe sintonia, portanto, com uma parte significativa de seu público. Gugu, por sua vez, há dois anos conquistou a liderança nas tardes de domingo, graças a um programa movimentado, que misturava jornalismo e espetáculo. Ele era o entusiasmo em pessoa, enquanto seu principal concorrente, Fausto Silva, aparecia em pesquisas da Rede Globo como vítima do mal do "desânimo". Agora a situação se inverteu. É Gugu que se mostra meio abúlico, e isso se reflete no ibope.

Quanto a Eliana, ela vem enfrentando os piores meses de sua carreira de doze anos. A Record a trocou três vezes de horário recentemente, e ainda reduziu seu tempo na grade de programação. No mês passado, Eliana voltou às manhãs da emissora e passou a apresentar o Fábrica Maluca, de apenas uma hora. Ela, que em seu auge comandava uma audiência de 6 pontos, agora não sai dos 3. O interessante no que se refere a Gugu e Eliana é que tanto o SBT como a Record conseguiram detectar, em pesquisas, um desgaste na imagem de seus apresentadores. Não foi por mudarem ou não mudarem alguns detalhes que eles caíram – mas porque, depois de anos em ação, parecem ter fartado o público. Não é necessariamente o fim do mundo. Ao menos na televisão, uma estrela caída às vezes volta a subir.

   
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Fotos Luizinho Coruja, Marcelo Tinoco, Ronaldo Ceravolo, Cida Souza e Fernanda Fernandes
   
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