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Edição 1 797 - 9 de abril de 2003
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Eles não resistem
ao cheiro de rosas

Espermatozóides usam o faro
na sua corrida até o óvulo

Um dos maiores desafios da medicina é descobrir o motivo que leva a que, entre centenas de milhões de espermatozóides, apenas um consiga fecundar o óvulo. Aqueles que têm mais chances de atingir o alvo, já se sabe, são os que nadam em linha reta e têm formas perfeitas (cabeça oval, cauda proporcional e esticada e tronco inserido bem no meio da cabeça). Tais características, porém, não bastam para justificar a supremacia de um único espermatozóide sobre todos os outros. Ele tem de ter outras qualidades. Em artigo publicado na última edição da revista científica Science, médicos americanos e alemães anunciaram que um desses diferenciais pode ser um faro mais aguçado. Isso porque as células reprodutivas dos homens possuem uma espécie de radar olfativo, o receptor hOR17-4. Na corrida ao óvulo, ao captar um cheiro agradável, os espermatozóides com receptores mais sensíveis nadariam mais rápido e fariam uma trajetória mais, digamos, racional. As experiências em laboratório revelaram que eles sentem uma atração especial por fragrâncias florais, especialmente a de lírios do campo e de rosas. Em contrapartida, o odor de frutas cítricas afugenta os espermatozóides.

Tal descoberta pode abrir caminho para o aperfeiçoamento das terapias de fertilidade e para a criação de novas drogas contraceptivas. Apesar do entusiasmo dos especialistas em reprodução humana, o estudo não decifra por completo o mecanismo de atração que guia os gametas masculinos rumo ao óvulo. A primeira etapa do trabalho publicado na Science era provar que os espermatozóides se guiam pelo faro. Isso foi feito por intermédio de essências utilizadas pela indústria cosmética na fabricação de perfumes. Ainda falta determinar quais as substâncias produzidas pelo organismo feminino que ativam o receptor hOR17-4 e atiçam os espermatozóides.

   
 
   
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