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Edição 1 797 - 9 de abril de 2003
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O preço da gordura

Pela primeira vez, foram calculados
os custos da obesidade no Brasil:
1,5 bilhão de reais por ano

Anna Paula Buchalla

 
Montagem com fotos de Raul Junior, Bia Parreiras e Ricardo d'Angelo

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Descubra se seus quilos a mais se devem ao stress
Da internet
Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade
Obesidade.med
American Obesity Association
International Obesity Task Force
Obesity Help
Obesity Week

Acaba de ser concluído o primeiro levantamento sobre os custos da obesidade no Brasil. Um bilhão e 100 milhões de reais – esse é o montante que se gasta aproximadamente a cada ano com internações hospitalares, consultas médicas e remédios para o tratamento do excesso de peso e das doenças ligadas a ele. Só o Sistema Único de Saúde (SUS) destina 600 milhões de reais para as internações relativas à obesidade. Esse valor equivale a 12% do que o governo brasileiro despende anualmente com todas as outras doenças. Se forem levados em consideração ainda os gastos indiretos (faltas ao trabalho, licenças médicas e morte precoce), estima-se que a conta chegue a 1,5 bilhão de reais, revela o estudo elaborado pela Força Tarefa Latino-Americana de Obesidade, uma entidade que reúne as principais sociedades de obesidade do subcontinente. É muito dinheiro consumido por um mal que, na maioria dos casos, poderia ser evitado com medidas simples, como a adoção de hábitos de vida saudáveis.

O acúmulo de gordura está associado a distúrbios cardiovasculares, diabetes tipo 2, hipertensão, taxas elevadas de colesterol e triglicérides no sangue e câncer de cólon, entre outras enfermidades. Para se ter uma idéia da dimensão do problema – tanto em termos de saúde como de custos –, uma mulher obesa tem duas vezes e meia mais riscos de ser diagnosticada com pedra na vesícula do que uma mulher dentro dos padrões normais de peso. Todos os anos, 73.000 brasileiras são internadas por causa de cálculos vesiculares. A maioria dos casos requer cirurgia e uma média de cinco dias de internação. Além de ser mais suscetível a uma vasta gama de distúrbios, um gordo quando fica doente ou tem de se submeter a uma cirurgia costuma ter uma recuperação mais longa. Quando é internado por causa de uma crise hipertensiva, um obeso fica, em média, oito dias no hospital. Já um hipertenso magro recebe alta na metade do tempo. Tudo isso onera os cofres públicos, os planos de saúde, as empresas para as quais os obesos trabalham e os seus próprios orçamentos. As doenças associadas à obesidade elevam os gastos médicos mensais de uma pessoa em até 36%.

O Brasil já ocupa o sexto lugar no ranking dos países com maior número de obesos, atrás de Estados Unidos, Alemanha, Inglaterra, Itália e França. Os 141 milhões de gordos americanos custam ao país cerca de 100 bilhões de dólares anuais. Nos Estados Unidos, os gastos com o tratamento da obesidade e seus males já superaram o que se desembolsa no combate dos efeitos deletérios do tabagismo e do alcoolismo. Na média, cada americano que desenvolve doenças crônicas associadas à gordura custa 395 dólares por ano ao sistema de saúde. No Brasil, esse custo é de 100 reais. "Mas esse valor tende a aumentar bastante nos próximos anos, porque o número de casos de obesidade está crescendo descontroladamente", diz o endocrinologista Walmir Coutinho, vice-presidente da Federação Latino-Americana de Obesidade.

Esse aumento vertiginoso é resultado, principalmente, da grande mudança de hábitos alimentares dos brasileiros. Os pratos supergordurosos e hipercalóricos entraram em definitivo para o cardápio das pessoas. Na luta contra a epidemia do excesso de peso, algumas entidades de combate à obesidade pensam em propor ao governo uma lei que obrigue os fabricantes de certos tipos de alimento a incluir nos pacotes uma inscrição de alerta – nos mesmos moldes do que já ocorre com os maços de cigarros. Se a idéia vingar, um simples saquinho de batatas fritas poderá trazer uma frase do tipo: "Este alimento consumido em excesso causa danos à saúde". O subtexto? Ao bolso também.

   
 

 

 

   
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