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O
preço da gordura
Pela primeira vez, foram
calculados
os custos da obesidade no Brasil:
1,5 bilhão de reais por ano
Anna
Paula Buchalla
Montagem com fotos de Raul Junior, Bia Parreiras
e Ricardo d'Angelo
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Acaba
de ser concluído o primeiro levantamento sobre os custos da obesidade
no Brasil. Um bilhão e 100 milhões de reais esse
é o montante que se gasta aproximadamente a cada ano com internações
hospitalares, consultas médicas e remédios para o tratamento
do excesso de peso e das doenças ligadas a ele. Só o Sistema
Único de Saúde (SUS) destina 600 milhões de reais
para as internações relativas à obesidade. Esse valor
equivale a 12% do que o governo brasileiro despende anualmente com todas
as outras doenças. Se forem levados em consideração
ainda os gastos indiretos (faltas ao trabalho, licenças médicas
e morte precoce), estima-se que a conta chegue a 1,5 bilhão de
reais, revela o estudo elaborado pela Força Tarefa Latino-Americana
de Obesidade, uma entidade que reúne as principais sociedades de
obesidade do subcontinente. É muito dinheiro consumido por um mal
que, na maioria dos casos, poderia ser evitado com medidas simples, como
a adoção de hábitos de vida saudáveis.
O acúmulo de gordura está associado a distúrbios
cardiovasculares, diabetes tipo 2, hipertensão, taxas elevadas
de colesterol e triglicérides no sangue e câncer de cólon,
entre outras enfermidades. Para se ter uma idéia da dimensão
do problema tanto em termos de saúde como de custos ,
uma mulher obesa tem duas vezes e meia mais riscos de ser diagnosticada
com pedra na vesícula do que uma mulher dentro dos padrões
normais de peso. Todos os anos, 73.000 brasileiras são internadas
por causa de cálculos vesiculares. A maioria dos casos requer cirurgia
e uma média de cinco dias de internação. Além
de ser mais suscetível a uma vasta gama de distúrbios, um
gordo quando fica doente ou tem de se submeter a uma cirurgia costuma
ter uma recuperação mais longa. Quando é internado
por causa de uma crise hipertensiva, um obeso fica, em média, oito
dias no hospital. Já um hipertenso magro recebe alta na metade
do tempo. Tudo isso onera os cofres públicos, os planos de saúde,
as empresas para as quais os obesos trabalham e os seus próprios
orçamentos. As doenças associadas à obesidade elevam
os gastos médicos mensais de uma pessoa em até 36%.
O Brasil já ocupa o sexto lugar no ranking dos países com
maior número de obesos, atrás de Estados Unidos, Alemanha,
Inglaterra, Itália e França. Os 141 milhões de gordos
americanos custam ao país cerca de 100 bilhões de dólares
anuais. Nos Estados Unidos, os gastos com o tratamento da obesidade e
seus males já superaram o que se desembolsa no combate dos efeitos
deletérios do tabagismo e do alcoolismo. Na média, cada
americano que desenvolve doenças crônicas associadas à
gordura custa 395 dólares por ano ao sistema de saúde. No
Brasil, esse custo é de 100 reais. "Mas esse valor tende a aumentar
bastante nos próximos anos, porque o número de casos de
obesidade está crescendo descontroladamente", diz o endocrinologista
Walmir Coutinho, vice-presidente da Federação Latino-Americana
de Obesidade.
Esse aumento vertiginoso é resultado, principalmente, da grande
mudança de hábitos alimentares dos brasileiros. Os pratos
supergordurosos e hipercalóricos entraram em definitivo para o
cardápio das pessoas. Na luta contra a epidemia do excesso de peso,
algumas entidades de combate à obesidade pensam em propor ao governo
uma lei que obrigue os fabricantes de certos tipos de alimento a incluir
nos pacotes uma inscrição de alerta nos mesmos moldes
do que já ocorre com os maços de cigarros. Se a idéia
vingar, um simples saquinho de batatas fritas poderá trazer uma
frase do tipo: "Este alimento consumido em excesso causa danos à
saúde". O subtexto? Ao bolso também.
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