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Meu primeiro blindado
Blindagem
passou a ser item obrigatório
nos carros da juventude endinheirada
Paula Neiva
Claudio Rossi
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| A
estudante Daniela e o seu Golf blindado: é triste, mas não
tem jeito |
Ao completar
18 anos, a estudante paulistana Daniela Amaral de Carvalho ganhou um carro
dos pais. É um reluzente Golf prata, com bancos de couro, motor
2.0 e uma blindagem capaz de resistir a tiros de uma pistola Magnum
44, considerada um canhão entre os armamentos leves. Daniela pertence
à primeira geração de brasileiros cujo primeiro carro
já é um blindado. É triste que tenha de ser assim,
mas essa foi uma das formas que a classe média alta do Brasil encontrou
para proteger seus filhos da selvageria que vigora nas ruas brasileiras.
Em 2002, os jovens de 18 a 25 anos responderam por 20% do total de carros
blindados por pessoa física, segundo levantamento feito pela Associação
Brasileira das Empresas de Blindagem (veja quadro abaixo). "Dois
anos atrás, a participação deles no mercado era estatisticamente
insignificante", diz Pedro Paulo Martins, diretor da blindadora IAC Brasil.
E esse número tende a aumentar consideravelmente. Um dos melhores
indicativos da tendência foi a decisão da Fiat de fabricar
o FiatStrada já blindado. Ao lado do Golf e do Audi A3, esse é
um dos modelos preferidos da juventude endinheirada. A blindagem encarece
um FiatStrada em cerca de 25.000 reais.
Os rapazes
e moças que atualmente guiam um blindado já andavam a bordo
de um carro superprotegido. Só que no banco de trás. São
filhos dos primeiros clientes das blindadoras, os altos executivos de
empresas multinacionais e grandes empresários. O estudante Paulo
Locatelli, de 21 anos, é um deles. Faz quase dez anos que todos
os carros da sua família são blindados. Nada mais natural
que o seu primeiro, segundo e terceiro automóveis próprios
fossem também reforçados. Graças a um deles, Paulo
escapou do ataque de três bandidos, enquanto esperava o portão
da garagem de sua casa abrir. Os homens marginais tentaram, em vão,
quebrar os vidros do carro a coronhadas. "Antigamente, blindar um automóvel
era um luxo. Hoje, é uma necessidade", diz Paulo.
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