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Edição 1 797 - 9 de abril de 2003
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Meu primeiro blindado

Blindagem passou a ser item obrigatório
nos carros da juventude endinheirada

Paula Neiva

 
Claudio Rossi
A estudante Daniela e o seu Golf blindado: é triste, mas não tem jeito

Ao completar 18 anos, a estudante paulistana Daniela Amaral de Carvalho ganhou um carro dos pais. É um reluzente Golf prata, com bancos de couro, motor 2.0 – e uma blindagem capaz de resistir a tiros de uma pistola Magnum 44, considerada um canhão entre os armamentos leves. Daniela pertence à primeira geração de brasileiros cujo primeiro carro já é um blindado. É triste que tenha de ser assim, mas essa foi uma das formas que a classe média alta do Brasil encontrou para proteger seus filhos da selvageria que vigora nas ruas brasileiras. Em 2002, os jovens de 18 a 25 anos responderam por 20% do total de carros blindados por pessoa física, segundo levantamento feito pela Associação Brasileira das Empresas de Blindagem (veja quadro abaixo). "Dois anos atrás, a participação deles no mercado era estatisticamente insignificante", diz Pedro Paulo Martins, diretor da blindadora IAC Brasil. E esse número tende a aumentar consideravelmente. Um dos melhores indicativos da tendência foi a decisão da Fiat de fabricar o FiatStrada já blindado. Ao lado do Golf e do Audi A3, esse é um dos modelos preferidos da juventude endinheirada. A blindagem encarece um FiatStrada em cerca de 25.000 reais.

Os rapazes e moças que atualmente guiam um blindado já andavam a bordo de um carro superprotegido. Só que no banco de trás. São filhos dos primeiros clientes das blindadoras, os altos executivos de empresas multinacionais e grandes empresários. O estudante Paulo Locatelli, de 21 anos, é um deles. Faz quase dez anos que todos os carros da sua família são blindados. Nada mais natural que o seu primeiro, segundo e terceiro automóveis próprios fossem também reforçados. Graças a um deles, Paulo escapou do ataque de três bandidos, enquanto esperava o portão da garagem de sua casa abrir. Os homens marginais tentaram, em vão, quebrar os vidros do carro a coronhadas. "Antigamente, blindar um automóvel era um luxo. Hoje, é uma necessidade", diz Paulo.



   
 
   
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