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O
outro Vale do Silício
A cidade indiana de Bangalore
tornou-se referência mundial
em alta tecnologia
Reuters
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Prédio-sede
de cinqüenta empresas de informática: multinacionais
investem na Índia
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Quando
a internet estava em alta, o Vale do Silício, região da
Califórnia que liga as cidades de São Francisco e San Jose,
tornou-se o maior conglomerado de indústrias de microeletrônica
do planeta. Ali foram criados o videogame, o computador pessoal, o mouse,
a impressora a jato de tinta, a câmera de vídeo e muitos
outros equipamentos que fazem parte da vida das pessoas. Com o desabamento
do mundo digital, o Vale do Silício está perdendo o reinado
para Bangalore, localizada na Índia. A cidade é uma manifestação
extremada daquilo que se pode ver nas metrópoles brasileiras. Para
começar, é grande. Tem 4 milhões de habitantes. Em
suas ruas de trânsito caótico circulam engenheiros bem-sucedidos
da indústria de computadores e maltrapilhos pedintes de esmolas.
Ao lado de sedes imponentes de empresas multinacionais vêem-se vielas
esburacadas e sujas. Bangalore despontou no fim dos anos 80, quando pequenas
empresas de software se instalaram na região. Hoje, a indústria
de informática indiana movimenta 10 bilhões de dólares.
Há dez anos, o valor não chegava a 100 milhões de
dólares. Isso num país que tem 600 milhões de miseráveis.
Bangalore
cresceu por diversas razões. A primeira delas foram os incentivos
fiscais oferecidos pelo governo, que atraíram as multinacionais.
Outro motivo é a mão-de-obra barata. Nos Estados Unidos,
um bom engenheiro de software ganha 10 000 dólares por mês,
contra 3 500 dólares de um profissional indiano. Além de
ser barata, essa mão-de-obra é altamente qualificada. A
Índia tem tradição no ensino de ciências exatas.
O país conta com mais de 1.800 instituições de ensino
de tecnologia, que formam a cada ano 70.000 profissionais para trabalhar
no desenvolvimento de softwares. Outro fator que contribui para o crescimento
vertiginoso de Bangalore é a língua inglesa. Na Índia,
falam-se mais de 200 dialetos, mas todos os profissionais gabaritados
dominam o inglês. Para as multinacionais, a combinação
mão-de-obra barata e qualificada e domínio do inglês
por parte dos funcionários compõe um atrativo irresistível
para novos investimentos. Não é à toa que uma empresa
global como a General Electric tenha em Bangalore seu maior centro de
pesquisa fora dos Estados Unidos ou que uma gigante como a Nokia projete
por lá o chip central de todos os seus telefones celulares.
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