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Alerta máximo
A pneumonia
asiática continua a
se alastrar pelo mundo e já pode
ter chegado ao Brasil

Karina Pastore
AFP
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| Moradoras
de Hanói, no Vietnã: o país é um dos mais atingidos pela epidemia
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Veja também |
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A misteriosa
pneumonia asiática está fora de controle. Batizada pelos
cientistas de síndrome respiratória aguda severa, ou SARS,
a doença se alastra numa velocidade assombrosa e já
pode ter chegado ao Brasil. Em quinze dias, o número de doentes
no mundo quadruplicou e o de mortos quintuplicou. Até sexta-feira
passada, dezesseis países haviam sido atingidos. Mais de 2.400
homens e mulheres caíram doentes, dos quais 84 morreram. Entre
os mortos, está o médico italiano Carlo Urbani, de 46 anos,
o primeiro a lançar o alerta sobre a SARS, depois de atender, em
meados de março, um doente em Hanói, no Vietnã. O
alarme do primeiro caso suspeito no Brasil e na América
Latina foi dado na terça-feira, com a internação
da jornalista inglesa Sally Blower, de 42 anos, no Hospital Albert Einstein,
em São Paulo. Ela foi hospitalizada com sintomas típicos
da síndrome: febre acima de 38 graus, tosse seca, dores de garganta
e musculares e dificuldade respiratória.
No Sudeste
da Ásia, epicentro da epidemia, o clima é de pânico.
A recomendação é que as pessoas usem máscaras
cirúrgicas em locais públicos, para evitar a contaminação.
Já há até máscaras fashion. As escolas de
Hong Kong devem permanecer fechadas até meados de abril. A polícia
local está à procura de 200 pessoas que foram expostas à
síndrome, mas se recusaram a ficar de quarentena. Em Taiwan, quem
não aceitar o isolamento estará sujeito a multa de 9.000
dólares. A preocupação está presente em todos
os continentes. O agente causador da SARS ainda não foi definido.
A batalha é contra um inimigo desconhecido, do qual pouquíssimo
se sabe e contra o qual não existe vacina ou medicamento. "Estamos
diante de algo inteiramente novo", diz o infectologista Luiz Jacintho
da Silva, professor da Universidade Estadual de Campinas e coordenador
da Superintendência de Controle de Endemias de São Paulo.
"O que nos cabe fazer é nos manter em alerta e isolar os casos
suspeitos."
Fotos AFP e Reuters
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| Prevenção
fashion: em Hong Kong, foram até lançadas máscaras de proteção personalizadas
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Há
duas semanas, trabalhava-se com a hipótese de que a pneumonia asiática
fosse provocada pelo paramixovírus, causador de distúrbios
respiratórios. Partículas desse tipo de micróbio
haviam sido detectadas em três pacientes. Mas não demorou
a que médicos de diversos países encontrassem outro tipo
de vírus num número bem maior de doentes. Ao analisarem
o sangue e as secreções respiratórias de três
centenas de vítimas da SARS, eles encontraram amostras de coronavírus,
responsável por um terço dos casos de resfriado. Pelo
que se sabe, esse tipo de vírus não causa pneumonias graves.
Uma dessas versões, no entanto, pode ter sofrido uma mutação
genética, passando a infectar com mais violência o organismo
humano. Por enquanto, ele é o mais forte suspeito. Para desorientar
mais os especialistas, médicos de Hong Kong disseram ter encontrado
nos pulmões de algumas vítimas chinesas da SARS indícios
de contaminação também pela bactéria clamídia.
Muito associado a um tipo específico de doença sexualmente
transmissível, esse micróbio pode estar relacionado à
ocorrência de pneumonia. Mas jamais foi notificado um caso de pneumonia
grave por clamídia.
A jornalista
Sally Blower, produtora da rede de televisão ITV, está isolada
num quarto de pressão negativa, que impede a saída de ar
um mecanismo que não deixa que o agente causador da doença
se espalhe pelo sistema de ar do hospital. Ela chegou a São Paulo
na segunda-feira passada, para cobrir a corrida de Fórmula 1, em
Interlagos. Em 23 de março, Sally esteve em Kuala Lumpur, para
a etapa da Malásia. A caminho de Londres, onde mora, fez escala
em Cingapura, uma das regiões mais afetadas pela SARS. Não
há dúvida de que Sally é vítima de uma pneumonia.
Até a noite de sexta-feira, no entanto, não tinha sido possível
determinar se a doença da jornalista é decorrente da ação
de uma bactéria como ocorre em grande parte dos quadros
de pneumonia ou de um vírus. Ao que tudo indica, Sally foi
atacada por uma bactéria, embora os primeiros exames bacteriológicos
tenham dado resultado negativo. A jornalista respondeu bem ao tratamento
à base de dois antibióticos e um antiviral. Um desses antibióticos
é a vancomicina, muito utilizada no combate à mais comum
das bactérias causadoras de pneumonia. Os doentes de SARS não
costumam apresentar melhora com esse tipo de medicamento.
No início
da epidemia, acreditava-se que o contágio só acontecia a
partir do contato próximo com um doente. Mas o alastramento vertiginoso
da SARS indica que a doença pode ser transmitida pelo ar, como
uma gripe qualquer. O impacto da epidemia no Sudeste Asiático já
afetou a economia dos países da região. Os setores que acusaram
as maiores quedas foram o turismo e o comércio. A corretora americana
Goldman Sachs, que previa um crescimento anual para Hong Kong de 3%, baixou
essa estimativa para 1,7%.
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