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Considero extremamente oportuna a publicação do currículo
do primeiro escalão do governo Saddam Hussein e recomendo sua leitura
àqueles que se posicionam contra a intervenção da
coalizão anglo-americana no Iraque. A turma de Bagdá é
da pesada, de fazer inveja ao staff de Hitler, no auge da II Guerra Mundial. Os
Estados Unidos estão no Oriente Médio como um urso que cobiça
uma colméia de abelhas. Só não sabem que essas abelhas
podem provocar grandes feridas defendendo seu mel. Que
a resistência de Saddam e seus "cães" ao avanço americano
vem tirando o sono do Pentágono é inegável. Como
se nota, nem tudo nesta guerra era o que parecia ser. A começar
pelo humor do presidente Bush, que já não é mais
aquele do dia 19 de março. Que
me desculpem os manifestantes antiamericanistas, mas a iminente carnificina
em Bagdá se deve basicamente à vaidade de um homem, o sanguinário
Saddam Hussein, que pretende perpetuar-se no poder, mesmo com tudo indicando
o contrário. Bush
e seus asseclas não são loucos nem bobos. Na verdade, o
que se objetiva com essa invasão do Iraque, além do acesso
e do controle direto sobre a segunda maior reserva mundial do ouro negro,
é cercear qualquer movimento de indexação dos contratos
vinculados à negociação do petróleo e seus
derivados ao euro, como fez o Iraque em 2000, o que o tornou o único
país integrante da Opep a não registrar prejuízos
com a desvalorização da moeda americana.
Pago um terço de meu salário em taxas, ou seja, sou um brasileiro
pagando diretamente pela construção de Tomahawks. Para uma
pessoa que cresceu no Brasil, um país neutro e pacífico
diante do mundo, porém extremamente injusto e violento do lado
de dentro de suas fronteiras, eu simplesmente me sinto engasgado com tamanha
ironia: hoje moro em um país pacífico e relativamente justo
do lado de dentro, porém odiado do lado de fora. As
imagens que nos chegam não são novas: violação
do direito internacional, assassinato de mulheres e crianças, sangue,
corpos mutilados. A fantasia da guerra cirúrgica é invenção
retórica para legitimar o indefensável. Não cabe
à mídia independente repetir os discursos ideológicos.
Seu dever é revelar o que estes escondem. Os
grupos islâmicos ganham força não porque são
terroristas, mas porque falam a linguagem do povo, coisa que os ditadores
patrocinados pela modernidade americana não fazem. Os partidos
políticos islâmicos desenvolvem atividades que abrangem a
área social, cultural, política e econômica. É
por isso que eles ficam mais fortes ("A hora dos radicais", 2 de abril). Nestes
catorze anos em que sou assinante de VEJA não vi nenhuma capa com
uma realidade tão fantástica e ao mesmo tempo assustadora.
Parabéns pelo trabalho.
É
impressionante o assalto à lógica quando se trata de ideologia
ou religião. O senhor Lewis entende como problemática a
relação entre democracia e religião em várias
concepções religiosas, sem preocupação de
contextualização histórica, exceto no cristianismo
protestante. E o fundamento da questão, segundo ele, é a
clara separação entre o Estado e a religião. Por
acaso o fundamentalismo religioso do presidente Bush não é
de origem protestante e as orações do Congresso americano
pedindo que "Deus abençoe a América e suas tropas" também
não são de inspiração protestante? E o papa
deixou de ser católico quando propugnou pela paz para o mundo,
não por motivos religiosos, mas com base em leis e acordos internacionais?
Talvez o caso do senhor Lewis seja a necessidade de uma reciclagem histórica
e cultural um pouco difícil nessa altura da vida, mas não
impossível (Amarelas, 2 de abril).
Li e fiquei impressionado com as reflexões expressas no artigo
"Em terra de cego" (Ponto de vista, 2 de abril), de Stephen Kanitz. O
próximo passo é tirar xerox para os amigos e conhecidos
que ainda buscam construir uma nação soberana e uma sociedade
solidária. Apesar de todas as amarras institucionalizadas e da
visão tão desfocada de nossos dirigentes. É
grande a proximidade entre as observações expostas no artigo
e minha experiência de vida, parcialmente relatada no livro Política
e Preconceito. É
muito útil lembrar que em inúmeros casos a titulação
acadêmica é obtida apenas como um resquício da nobiliarquia:
se não há mais duques nem príncipes, sejamos mestres,
doutores, Ph.Ds, livres-docentes. Títulos, e o equivalente na pessoa
jurídica da certificação e acreditação,
não refletem com precisão alguma a realidade: podem corresponder
à qualidade, mas na maioria das vezes não é assim.
Cumprimento VEJA pela Carta ao leitor da edição 1796 ("Sintonia
com o Brasil real", 2 de abril) pelo reconhecimento dos esforços
do nosso presidente e da sua equipe para melhorar o Brasil. Os resultados
são lentos, porém de grande importância para nossa
vida. Precisamos ter paciência, colaborar e, principalmente, saber
reconhecer.
Como estudante de direito, vejo frustradas minhas perspectivas profissionais
diante do terror e da ousadia dos quais os criminosos são capazes.
Vejo também um Estado covarde, que teme o crime organizado e se
mostra incapaz de punir com rigor os bandidos. Mas tenho esperança
de que a justiça, um dia, possa ser cumprida de fato nesta terra
e que, para realizar tão árdua tarefa, ainda existem homens
de bem e de coragem, capazes de pagar com a própria vida ("Vítimas
da indústria do crime", 2 de abril).
Para quem trabalha diariamente, consultando os mais diversos ramos do
conhecimento, não poderia deixar de fora como página inicial
o Guia Internet de VEJA ("VEJA como página inicial de seu navegador",
Cartas, 2 de abril).
A propósito da nota "Dinheiro a rodo" (Radar, 19 de março),
esclareço que é destituída de qualquer fundamento
a acusação de trabalho escravo na Fazenda Santa Ana, de
minha propriedade, no Pará, e que o pagamento exigido pela Justiça
do Trabalho fugiu às mais sensatas análises contábeis
e jurídicas, destacando-se tão-somente o abuso de poder
nas medidas judiciais adotadas. Prova disso é um documento da Federação
da Agricultura enviado ao presidente da República que diz que o
grupo do Ministério do Trabalho, acompanhado de agentes federais,
invadiu a fazenda, cometendo toda sorte de arbitrariedades. Diz a nota
que não existe trabalho escravo no Pará, tampouco na região
ou no país. Quanto à notícia de que teríamos
10 milhões em contas bancárias, a informação
carece de fundamento e é absolutamente inverídica.
A nota "Que horas são, Dirceu?" (Radar, 2 de abril) omitiu a informação
relevante de que o ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, doou
o relógio Rolex que recebeu de presente da bancada do PTB ao programa
Fome Zero. O momento em que o presidente do PTB, deputado federal José
Carlos Martinez, entregou o presente ao ministro José Dirceu não
foi "presenciado por poucos", como diz a matéria. O fato foi público
e divulgado por diversos veículos de comunicação.
Na reportagem "Receita para chegar ao topo" (12 de março), causou-nos
estranheza a legenda que diz: "Alunas da escola Cisne Negro: poucas têm
chance de se profissionalizar". Desde sua fundação, há
mais de quarenta anos, o Estúdio de Ballet Cisne Negro vem formando
artistas de dança dentro deste país. Na mesma sede do Estúdio
de Ballet Cisne Negro funciona a Cisne Negro Cia. de Dança, uma
das principais companhias brasileiras de dança, com 25 anos de
existência e apresentações por todo o Brasil e exterior.
Os alunos do Estúdio de Ballet Cisne Negro têm contatos freqüentes
com os profissionais e participam de algumas produções especiais,
como no espetáculo O Quebra-Nozes, levado todos os anos
à cidade de São Paulo, no mês de dezembro, com grande
sucesso de público e de crítica.
Sobre a reportagem "Para holandês ver" (2 de abril), que fala da
visita da rainha Beatrix, da Holanda, a São Paulo, foram omitidas
informações relevantes. A limpeza da região que compõe
o trajeto realizado pela comitiva real é feita regularmente, e
não de forma ocasional, como nos leva a crer a matéria.
No Pátio do Colégio são feitas quatro varrições
diárias, além de passar todas as noites por uma extensa
coleta de resíduos e por lavagens especiais com água quente
e fria por meio de caminhão-pipa. Onze equipes de lavagem noturna
atuam todos os dias nas praças e ruas do centro.
Guia
Informo que o telefone de contato com o Vale dos Dinossauros, em Sousa,
na Paraíba, é (83) 522-3030 ("Os
berços do Brasil", Guia, 2 de abril). Em
relação à nota "Cidadão
do mundo" (Guia, 12 de março), é importante acrescentar
que não há limite para pleitear a cidadania italiana quando
o vínculo é transmitido por antepassado homem: pai, avô,
bisavô, trisavô etc. Mesmo a mulher não nascida na
Itália mas com direito à cidadania italiana
pode transmiti-la a filhos nascidos a partir de 1948. CORREÇÕES: O piloto Gil de Ferran corre pela Indy Racing League, e não pela Fórmula Mundial, como informou a seção Datas (2 de abril). As próximas eleições municipais ocorrerão em 2004, e não em 2003 (Holofote, 26 de março).
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