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Edição 1 797 - 9 de abril de 2003
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Não vi tanto furor crítico quando as torres gêmeas foram derrubadas. Parece que matar americano pode, só não pode é americano se defender."
Geraldo Bacelar Antón
Salvador, BA

 

Guerra

Considero extremamente oportuna a publicação do currículo do primeiro escalão do governo Saddam Hussein e recomendo sua leitura àqueles que se posicionam contra a intervenção da coalizão anglo-americana no Iraque. A turma de Bagdá é da pesada, de fazer inveja ao staff de Hitler, no auge da II Guerra Mundial.
Marco Nogara
Curitiba, PR

Os Estados Unidos estão no Oriente Médio como um urso que cobiça uma colméia de abelhas. Só não sabem que essas abelhas podem provocar grandes feridas defendendo seu mel.
Saulo Henrique da Mata
Anápolis, GO

Que a resistência de Saddam e seus "cães" ao avanço americano vem tirando o sono do Pentágono é inegável. Como se nota, nem tudo nesta guerra era o que parecia ser. A começar pelo humor do presidente Bush, que já não é mais aquele do dia 19 de março.
Gustavo Henrique de Brito Alves Freire
Recife, PE

Que me desculpem os manifestantes antiamericanistas, mas a iminente carnificina em Bagdá se deve basicamente à vaidade de um homem, o sanguinário Saddam Hussein, que pretende perpetuar-se no poder, mesmo com tudo indicando o contrário.
Adalberto Alves de Matos
Barra do Garças, MT

Bush e seus asseclas não são loucos nem bobos. Na verdade, o que se objetiva com essa invasão do Iraque, além do acesso e do controle direto sobre a segunda maior reserva mundial do ouro negro, é cercear qualquer movimento de indexação dos contratos vinculados à negociação do petróleo e seus derivados ao euro, como fez o Iraque em 2000, o que o tornou o único país integrante da Opep a não registrar prejuízos com a desvalorização da moeda americana.
André Demidoff
Itamonte, MG

Pago um terço de meu salário em taxas, ou seja, sou um brasileiro pagando diretamente pela construção de Tomahawks. Para uma pessoa que cresceu no Brasil, um país neutro e pacífico diante do mundo, porém extremamente injusto e violento do lado de dentro de suas fronteiras, eu simplesmente me sinto engasgado com tamanha ironia: hoje moro em um país pacífico e relativamente justo do lado de dentro, porém odiado do lado de fora.
Jayme Telles Junior
Nova York, NY, EUA

As imagens que nos chegam não são novas: violação do direito internacional, assassinato de mulheres e crianças, sangue, corpos mutilados. A fantasia da guerra cirúrgica é invenção retórica para legitimar o indefensável. Não cabe à mídia independente repetir os discursos ideológicos. Seu dever é revelar o que estes escondem.
Sabine Hueck
Berlim, Alemanha

Os grupos islâmicos ganham força não porque são terroristas, mas porque falam a linguagem do povo, coisa que os ditadores patrocinados pela modernidade americana não fazem. Os partidos políticos islâmicos desenvolvem atividades que abrangem a área social, cultural, política e econômica. É por isso que eles ficam mais fortes ("A hora dos radicais", 2 de abril).
Anwar Assi
Beirute, Líbano

Nestes catorze anos em que sou assinante de VEJA não vi nenhuma capa com uma realidade tão fantástica e ao mesmo tempo assustadora. Parabéns pelo trabalho.
Cleílson Martins
Maracanaú, CE

 

Bernard Lewis

É impressionante o assalto à lógica quando se trata de ideologia ou religião. O senhor Lewis entende como problemática a relação entre democracia e religião em várias concepções religiosas, sem preocupação de contextualização histórica, exceto no cristianismo protestante. E o fundamento da questão, segundo ele, é a clara separação entre o Estado e a religião. Por acaso o fundamentalismo religioso do presidente Bush não é de origem protestante e as orações do Congresso americano pedindo que "Deus abençoe a América e suas tropas" também não são de inspiração protestante? E o papa deixou de ser católico quando propugnou pela paz para o mundo, não por motivos religiosos, mas com base em leis e acordos internacionais? Talvez o caso do senhor Lewis seja a necessidade de uma reciclagem histórica e cultural um pouco difícil nessa altura da vida, mas não impossível (Amarelas, 2 de abril).
José Cândido da Silva
Por e-mail

 

Stephen Kanitz

Li e fiquei impressionado com as reflexões expressas no artigo "Em terra de cego" (Ponto de vista, 2 de abril), de Stephen Kanitz. O próximo passo é tirar xerox para os amigos e conhecidos que ainda buscam construir uma nação soberana e uma sociedade solidária. Apesar de todas as amarras institucionalizadas e da visão tão desfocada de nossos dirigentes.
Gilberto Araújo
Belo Horizonte, MG

É grande a proximidade entre as observações expostas no artigo e minha experiência de vida, parcialmente relatada no livro Política e Preconceito.
Celso Pitta
São Paulo, SP

É muito útil lembrar que em inúmeros casos a titulação acadêmica é obtida apenas como um resquício da nobiliarquia: se não há mais duques nem príncipes, sejamos mestres, doutores, Ph.Ds, livres-docentes. Títulos, e o equivalente na pessoa jurídica da certificação e acreditação, não refletem com precisão alguma a realidade: podem corresponder à qualidade, mas na maioria das vezes não é assim.
Celio Levyman
São Paulo, SP

 

Carta ao leitor

Cumprimento VEJA pela Carta ao leitor da edição 1796 ("Sintonia com o Brasil real", 2 de abril) pelo reconhecimento dos esforços do nosso presidente e da sua equipe para melhorar o Brasil. Os resultados são lentos, porém de grande importância para nossa vida. Precisamos ter paciência, colaborar e, principalmente, saber reconhecer.
Iaponira Barros Trajano Ribeiro da Costa
Recife, PE

 

Justiça

Como estudante de direito, vejo frustradas minhas perspectivas profissionais diante do terror e da ousadia dos quais os criminosos são capazes. Vejo também um Estado covarde, que teme o crime organizado e se mostra incapaz de punir com rigor os bandidos. Mas tenho esperança de que a justiça, um dia, possa ser cumprida de fato nesta terra e que, para realizar tão árdua tarefa, ainda existem homens de bem e de coragem, capazes de pagar com a própria vida ("Vítimas da indústria do crime", 2 de abril).
Glauber Ramos de França Lima
Natividade, TO

 

Cartas

Para quem trabalha diariamente, consultando os mais diversos ramos do conhecimento, não poderia deixar de fora como página inicial o Guia Internet de VEJA ("VEJA como página inicial de seu navegador", Cartas, 2 de abril).
Daniel Rebelo de Lima
Maceió, AL

 

Augusto Farias

A propósito da nota "Dinheiro a rodo" (Radar, 19 de março), esclareço que é destituída de qualquer fundamento a acusação de trabalho escravo na Fazenda Santa Ana, de minha propriedade, no Pará, e que o pagamento exigido pela Justiça do Trabalho fugiu às mais sensatas análises contábeis e jurídicas, destacando-se tão-somente o abuso de poder nas medidas judiciais adotadas. Prova disso é um documento da Federação da Agricultura enviado ao presidente da República que diz que o grupo do Ministério do Trabalho, acompanhado de agentes federais, invadiu a fazenda, cometendo toda sorte de arbitrariedades. Diz a nota que não existe trabalho escravo no Pará, tampouco na região ou no país. Quanto à notícia de que teríamos 10 milhões em contas bancárias, a informação carece de fundamento e é absolutamente inverídica.
Augusto Farias
Maceió, AL

 

José Dirceu

A nota "Que horas são, Dirceu?" (Radar, 2 de abril) omitiu a informação relevante de que o ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, doou o relógio Rolex que recebeu de presente da bancada do PTB ao programa Fome Zero. O momento em que o presidente do PTB, deputado federal José Carlos Martinez, entregou o presente ao ministro José Dirceu não foi "presenciado por poucos", como diz a matéria. O fato foi público e divulgado por diversos veículos de comunicação.
Telma Feher
Assessoria Especial da Casa Civil
da Presidência da República
Brasília, DF

 

Balé

Na reportagem "Receita para chegar ao topo" (12 de março), causou-nos estranheza a legenda que diz: "Alunas da escola Cisne Negro: poucas têm chance de se profissionalizar". Desde sua fundação, há mais de quarenta anos, o Estúdio de Ballet Cisne Negro vem formando artistas de dança dentro deste país. Na mesma sede do Estúdio de Ballet Cisne Negro funciona a Cisne Negro Cia. de Dança, uma das principais companhias brasileiras de dança, com 25 anos de existência e apresentações por todo o Brasil e exterior. Os alunos do Estúdio de Ballet Cisne Negro têm contatos freqüentes com os profissionais e participam de algumas produções especiais, como no espetáculo O Quebra-Nozes, levado todos os anos à cidade de São Paulo, no mês de dezembro, com grande sucesso de público e de crítica.
Hulda Bittencourt
Diretora
São Paulo, SP

 

São Paulo

Sobre a reportagem "Para holandês ver" (2 de abril), que fala da visita da rainha Beatrix, da Holanda, a São Paulo, foram omitidas informações relevantes. A limpeza da região que compõe o trajeto realizado pela comitiva real é feita regularmente, e não de forma ocasional, como nos leva a crer a matéria. No Pátio do Colégio são feitas quatro varrições diárias, além de passar todas as noites por uma extensa coleta de resíduos e por lavagens especiais com água quente e fria por meio de caminhão-pipa. Onze equipes de lavagem noturna atuam todos os dias nas praças e ruas do centro.
Nadia Somekh
Presidente da Empresa
Municipal de Urbanização
São Paulo, SP

 

Guia

Informo que o telefone de contato com o Vale dos Dinossauros, em Sousa, na Paraíba, é (83) 522-3030 ("Os berços do Brasil", Guia, 2 de abril).
Edna Soares
Assessora de Comunicação
Sousa, PB

Em relação à nota "Cidadão do mundo" (Guia, 12 de março), é importante acrescentar que não há limite para pleitear a cidadania italiana quando o vínculo é transmitido por antepassado homem: pai, avô, bisavô, trisavô etc. Mesmo a mulher não nascida na Itália – mas com direito à cidadania italiana – pode transmiti-la a filhos nascidos a partir de 1948.
Claudia Antonini
massolindefiori@terra.com.br
Porto Alegre, RS

CORREÇÕES: O piloto Gil de Ferran corre pela Indy Racing League, e não pela Fórmula Mundial, como informou a seção Datas (2 de abril). As próximas eleições municipais ocorrerão em 2004, e não em 2003 (Holofote, 26 de março).

 

REAÇÃO PARLAMENTAR FEMININA

VEJA acusa o recebimento de carta da "bancada feminina do Congresso Nacional", assinada por treze das 54 mulheres representadas no Parlamento. Encabeçada pela deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ), a carta protesta contra informações contidas no quadro "Previdência gentil com as mulheres" (Contexto, 2 de abril), que tratava do privilégio dado às mulheres pela Previdência Social. Como mostra o quadro, as mulheres trabalham cinco anos menos que os homens e permanecem mais tempo recebendo aposentadoria. A carta ressalta que as mulheres têm direito ao privilégio por causa da dupla jornada de trabalho, "que se tornou a regra em quase todos os lares brasileiros". Além da dupla jornada de trabalho, a bancada feminina argumenta que durante a vida profissional as mulheres ganham menos que os homens. As parlamentares recomendam que os homens parem de protestar contra esse "direito feminino" e dêem um jeito de viver mais. Sugerem até como: por meio da "reivindicação de melhores condições de vida no trabalho, no transporte, nos bares, nos prostíbulos (...) para que os homens venham a ter uma expectativa de vida equivalente à das mulheres".

 

CONTRA O BRASIL

Diogo Mainardi é um colunista muito lido e comentado. Sete em cada dez de seus artigos semanais publicados no ano passado figuraram na lista dos textos mais comentados pelos leitores. Alguns, como Rosana Negrisoli Couto, de Cuiabá, em Mato Grosso, querem mais Diogo Mainardi do que a revista lhes oferece a cada edição. "Num sebo de um amigo meu, deparei com o romance Contra o Brasil, escondido entre muitos outros livros. Gostei tanto que, assim que puder, lerei todas as suas obras", escreveu Rosana. Os leitores podem saber mais sobre os livros de Mainardi no site http://www.companhiadasletras.com.br.

 

A FUMAÇA E A BESTA

Quando ocorreu o atentado que destruiu as torres gêmeas de Nova York, dezenas de leitores escreveram para comentar que na coluna de fumaça que saía dos escombros aparecia a figura da besta do Apocalipse. Agora, a leitora Maria Tereza Brito, de Belo Horizonte, escreve para dizer que viu a mesma coisa na capa da edição 1 795 de VEJA (26 de março), no cogumelo de fumaça que resultou da explosão de uma bomba americana no centro de Bagdá. "Lá está a figura, no canto direito, na fumaça", escreveu ela. Para o leitor Celso Correa Soraes, da capital paulista, "se já é o Apocalipse, Saddam Hussein é a besta; George W. Bush, o falso profeta".



 
 
   
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