
estasemana
colunas
seções
arquivoVEJA
 |
 |
| (conteúdo
exclusivo para assinantes VEJA ou UOL) |
 |
Crie
seu grupo

|
|
De costas para a
vida
A Igreja
Católica não é a única instituição
que se paralisa quando precisa lidar com questões ligadas ao sexo.
Os governos, as escolas, mesmo as corporações empresariais
têm dificuldades para estabelecer normas comportamentais no terreno
sexual que não sejam invasivas, obsoletas ou claramente inaplicáveis
na vida real das pessoas. Mas a Igreja Católica é de longe
a instituição que se mostra a mais despreparada para fazer
face a desafios dessa natureza. No ano passado, a hierarquia do Vaticano
agiu com lentidão e aparentemente a contragosto na crise dos padres
pedófilos nos Estados Unidos. Por pouco não saiu totalmente
desmoralizada do escândalo.
Agora, chega
às livrarias italianas uma obra do Conselho Pontifício para
a Família destinada a esclarecer os católicos acerca de
"termos ambíguos" relacionados à sexualidade e à
reprodução humana. O livro tem a chancela do Vaticano e
seus 78 verbetes são uma amostra de que a Igreja Católica
não chegou ao século XXI. Muitos dos conceitos ali expostos
são obsoletos, outros quase ofensivos, como o que trata da homossexualidade.
No que diz respeito à prevenção da Aids, o léxico
do Vaticano contraria frontalmente as campanhas governamentais de saúde,
algumas muito bem-sucedidas, como a brasileira, que incentivam o uso da
camisinha para evitar doenças e a gravidez indesejada.
"Não
existe sexo seguro. A única estratégia totalmente eficaz
é a abstinência e a relação sexual monogâmica
no matrimônio", estabelece irrealisticamente o documento da Igreja.
Essa declaração tem até algum amparo na ciência,
já que os preservativos não atingiram ainda o grau de 100%
de eficácia. Mas a pregação do Vaticano contra os
preservativos é inócua e irresponsável, especialmente
no que se refere aos jovens. Eles se iniciam sexualmente muito cedo e
se mostram, a cada geração, mais refratários a obedecer
a normas de comportamento ditadas por clérigos celibatários
que nada entendem da prática do sexo, do amor entre homem e mulher,
da reprodução e criação de filhos. Ao condenar
o uso da camisinha, o documento do Vaticano divulgado na semana passada
atende à ética católica mas é um desastre
de comunicação que não ajuda em nada a diminuir a
exposição dos jovens aos perigos do mundo, como a praga
da Aids e os riscos da gravidez precoce, que interrompe dramaticamente
o curso normal da vida de tantas adolescentes. Veja
reportagem.
|
|
 |