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Televisão O
enigma da ilha A série Lost tem sucesso
merecido com sua trama de mistério e dá mote a teorias malucas
 Marcelo
Marthe
Divulgação
 | | Lost:
terror e perplexidade num paraíso |
Um sujeito de terno acorda no meio da selva, ferido
e sem entender o que se passa com ele. Em desespero, corre pela floresta até
deparar com um cenário improvável. De um lado, estende-se uma praia
paradisíaca. Do outro, a própria visão do inferno: os sobreviventes
de um desastre aéreo esparramam-se entre pedaços de corpos e os
destroços de um Boeing. Uma turbina ainda funciona, com um zumbido ensurdecedor.
Só então o médico Jack (Matthew Fox), o sujeito em questão,
parece dar-se conta de que também é um sobrevivente. Tanto quanto
ele, o espectador de Lost (Perdidos) é invadido por um misto
de terror e perplexidade logo à primeira cena do seriado americano
e essa sensação só cresce à medida que a história
avança. O programa, que estréia no Brasil nesta segunda-feira, no
canal pago AXN, é um dos mais enigmáticos da televisão atual.
Seu criador, o roteirista J.J. Abrams (de Alias), vale-se de um mote simples:
a luta das vítimas do acidente pela sobrevivência numa ilha perdida
em algum ponto do sul do Pacífico. A partir daí, desenrola-se uma
trama de suspense complexa. Na ilha há um monstro que persegue os humanos
sem nunca se revelar a seus olhos. Pelo rádio, os sobreviventes captam
mensagens que sugerem que outras pessoas habitam o lugar. Com o tempo, descobrem
que alguém que não estava no avião se misturou a eles. Topam
ainda com um urso-polar, em pleno oásis tropical.
Visto por mais de 18 milhões de pessoas nos Estados Unidos, Lost ajudou
a rede ABC, da Disney, a recuperar o terreno perdido para suas concorrentes na
área dos seriados. Seu sucesso se deve à reciclagem criativa de
artimanhas consagradas nas produções de horror. O programa explora
a paranóia dos americanos com o terrorismo. A alusão aos atentados
de 11 de setembro é óbvia: entre os sobreviventes há um árabe
e fica no ar a dúvida sobre o que, ou quem, teria provocado a queda do
avião. Mas essa não é a única especulação
em torno de Lost. O seriado tornou-se um sucessor do extinto Arquivo
X em matéria de teorias conspiratórias. Um dos esportes favoritos
dos fãs é debater seus supostos sentidos subliminares. Alguns o
vêem como uma metáfora religiosa: os passageiros do vôo estariam
mortos e a ilha seria o purgatório. Outra vertente é a da alegoria
psicanalítica. Apenas o herói Jack estaria vivo e a trama não
passaria de um sonho no qual seus companheiros de aventura representariam aspectos
de sua personalidade. Há quem diga que os personagens seriam os únicos
sobreviventes de uma catástrofe planetária ou que a ilha serviria
de laboratório para cientistas malucos o monstro do lugar seria
um dinossauro. Por fim, há a teoria de que os ETs estariam por trás
de tudo. Como o charme de Lost está em suas lacunas, é provável
que o mistério não seja resolvido tão cedo. |