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Diogo
Mainardi Contra o desarmamento
"No
segundo semestre, será realizado o plebiscito sobre
o desarmamento. O governo é a favor.
Vote contra. Políticos e padres estão sempre querendo
tirar algum direito do cidadão. Agora
é o direito à autodefesa. Não
aceite" O jornalista americano Hunter S.
Thompson se matou duas semanas atrás. Deu um tiro na cabeça. Ele
era colecionador de armas. Em seu último artigo, ditou as regras para um
novo esporte, inventado por ele, que consistia em abater bolinhas de golfe com
uma espingarda. Suicidar-se é um dos direitos primordiais do homem. Todo
mundo deveria ter uma arma em casa, para esse fim. Outro direito é defender-se
quando atacado. Perguntaram a Hunter S. Thompson por que ele era contra a política
de desarmamento civil. Ele respondeu sensatamente que "quando só os malucos
estão armados, não sobra ninguém para vigiar os malucos".
Menina de Ouro e Mar Adentro, ganhadores
do Oscar de melhor filme e de melhor filme estrangeiro do ano, defendem o direito
ao suicídio assistido. O diretor de Menina de Ouro, Clint Eastwood,
já defendeu também o direito à posse de armas, com a célebre
tirada do inspetor Callaghan: "Tenho uma opinião muito clara sobre o controle
de armas. Se há uma arma por perto, eu quero estar controlando". Clint
Eastwood entende do assunto. Seus melhores filmes são aqueles em que ele
mata mais gente, usando poncho e sendo dublado em italiano. Os piores são
aqueles em que ele não mata ninguém, protagonizados por Sondra Locke,
sua mulher na época, e pelo orangotango Clyde. Imagine o que seria a história
do cinema sem armas. Um monte de filmes com o orangotango Clyde. Pior: um monte
de filmes com Sondra Locke. No segundo semestre,
será realizado o plebiscito sobre o desarmamento. A idéia é
banir o comércio de armas de fogo do território nacional. O governo
é a favor. Vote contra. Políticos e padres estão sempre querendo
tirar algum direito do cidadão: o direito ao suicídio assistido,
ao aborto, ao consumo de drogas, às pesquisas científicas, à
informação livre, às uniões do mesmo sexo. Agora querem
tirar também o direito à autodefesa. Não aceite. Se eu me
sinto mais seguro com uma arma na cintura, o problema é meu, desde que
não dispare indevidamente. O governo não tem uma política
para o combate à criminalidade. O ministro da Justiça, Márcio
Thomaz Bastos, tenta encobrir esse fato com o apoio à lei do desarmamento.
Para ele, se um criminoso invade minha casa, rouba minha arma e a usa para matar
inocentes, o culpado sou eu, não o governo que deixou o criminoso solto.
Como a culpa é minha, meu lugar é a cadeia.
O debate sobre o desarmamento poderia fazer algum sentido se o governo cumprisse
sua parte e apreendesse as armas clandestinas em circulação. Como
isso nunca vai acontecer, a questão não se coloca. Cada um deve
tentar se proteger por conta própria. Compre uma arma de bom calibre. Aprenda
a usá-la. Pratique tiro ao alvo em máquinas de escrever e bolinhas
de golfe, como Hunter S. Thompson. Em seguida, alugue todos os filmes com o orangotango
Clyde e entrincheire-se em casa, vestindo um poncho e grunhindo em italiano. |