Edição 1895 . 9 de março de 2005

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Oscar

Tapete das vaidades

Novas fronteiras estão sendo desvendadas no cinema – mas elas ficam quase todas nas costas vertiginosamente desnudas das beldades que enfeitaram o Oscar 2005. Num ano em que o tema fúnebre da eutanásia foi premiado nas telas, na vida real triunfaram os decotes, as cinturas espartilhadas e um visual cada vez mais homogêneo entre as atrizes. Aos senhores, como sempre em segundo plano, restou destacar-se pelas atitudes – contorcionistas, inclusive.

Todas as beldades parecem cada vez mais iguais, nos vestidos apertados escolhidos por profissionais, nos penteados corretos, na maquiagem pesada. Todas, menos Gisele Bündchen, a bela entre as belas, vestido solto estilo império da Dior, bronzeado saudável, cabelão ao léu e o Leo, propriamente dito, a tiracolo. "Fui lá apoiar meu namorado. A noite era dele", disse sobre sua estréia no Oscar e no desfile público com Leonardo DiCaprio. E a senhora anônima que de repente apareceu sentada ao lado dele? "Nos bastidores, tem uma sala com comida, um bar e diversas televisões. Muitas pessoas vão lá dar uma descansada ou vão ao banheiro, por exemplo. No momento em que você sai, eles colocam alguém no seu lugar para a cadeira não ficar vazia", explica Gisele.


Robert Galbraith/Reuters
Kimberly White/Reuters
Mike Blake/Reuters
Ao vento: a menina-de-ouro Hillary, Selma e Catalina

Oscar de melhor atriz e prêmio de decote profundo, Hilary Swank desfilou os seus cerca de 35 quilos num modelo Guy Laroche que epitomizava a dicotomia da santa e da, bem, mulher não muito respeitável: manga comprida e gola alta na frente, despencando nas costas rumo a profundezas nunca vistas. Outras concorrentes: a atriz Selma Blair, num diáfano Gucci azul, e a estreante Catalina Sandino Moreno, mostrando o que a colombiana tem, de Roberto Cavalli branco, do tipo que mostra até (maus) pensamentos.

Duas mães de primeira viagem encararam o Oscar de peito aberto e pronunciado. Gwyneth Paltrow exibiu em seu tomara-que-caia Stella McCartney (à custa de estratégicas e visíveis barbatanas, diga-se) atributos frontais nunca dantes tão empinados. Julia Roberts não só mostrou, em um decotadíssimo Versace, como se gabou: "Foi o único vestido valente o bastante para conter meus seios". Além do orgulho materno, as duas compartilham filhos com nomes do tipo mãe-onde-você-estava-com-a-cabeça: Gwyneth é mãe de Apple, Julia tem os gêmeos Phinnaeus e Hazel.

Atrapalhada por um pé engessado (e pelos deletérios efeitos da lei da gravidade), Melanie Griffith manquitolou até o auditório, auxiliada por uma bengala e, reconheça-se, um dos melhores acessórios que uma mulher pode exibir – o maridão Antonio Banderas. No começo, dizia que se acidentara "ao tentar escalar o Everest". Depois, apimentou: "Foi no quarto, e valeu a pena". No fim, corrigiu: "Fiquei brava em casa e dei um chute na porta".

Todo mundo já sabe que o uruguaio Jorge Drexler cantarolou Al Otro Lado del Río (de Diários de Motocicleta) porque havia sido cortado da apresentação dos candidatos a melhor música. Mas por que se contorceu tanto? Porque antes dele (1,75 metro), anunciara o prêmio o pequenino cantor Prince (1,55), que nem de salto alto (e conjunto roxo e rosa e bigodinho desenhado) chegou à altura – física, por supuesto – do uruguaio.

 
 
 
 
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