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Gente
Oscar
Tapete das vaidades
Novas fronteiras estão sendo desvendadas
no cinema – mas elas ficam quase todas nas costas vertiginosamente
desnudas das beldades que enfeitaram o Oscar 2005. Num ano em que
o tema fúnebre da eutanásia foi premiado nas telas,
na vida real triunfaram os decotes, as cinturas espartilhadas e
um visual cada vez mais homogêneo entre as atrizes. Aos senhores,
como sempre em segundo plano, restou destacar-se pelas atitudes
– contorcionistas, inclusive.
Todas as beldades parecem cada vez mais iguais, nos vestidos apertados
escolhidos por profissionais, nos penteados corretos, na maquiagem
pesada. Todas, menos Gisele Bündchen, a bela entre as
belas, vestido solto estilo império da Dior, bronzeado saudável,
cabelão ao léu e o Leo, propriamente dito, a tiracolo.
"Fui lá apoiar meu namorado. A noite era dele", disse sobre
sua estréia no Oscar e no desfile público com Leonardo
DiCaprio. E a senhora anônima que de repente apareceu
sentada ao lado dele? "Nos bastidores, tem uma sala com comida,
um bar e diversas televisões. Muitas pessoas vão lá
dar uma descansada ou vão ao banheiro, por exemplo. No momento
em que você sai, eles colocam alguém no seu lugar para
a cadeira não ficar vazia", explica Gisele.
Robert Galbraith/Reuters
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Kimberly White/Reuters
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Mike Blake/Reuters
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| Ao vento: a menina-de-ouro Hillary,
Selma e Catalina |
Oscar de melhor atriz e prêmio de decote profundo, Hilary
Swank desfilou os seus cerca de 35 quilos num modelo Guy Laroche
que epitomizava a dicotomia da santa e da, bem, mulher não
muito respeitável: manga comprida e gola alta na frente,
despencando nas costas rumo a profundezas nunca vistas. Outras concorrentes:
a atriz Selma Blair, num diáfano Gucci azul, e a estreante
Catalina Sandino Moreno, mostrando o que a colombiana tem,
de Roberto Cavalli branco, do tipo que mostra até (maus)
pensamentos.
Duas mães de primeira viagem encararam o Oscar de peito aberto
e pronunciado. Gwyneth Paltrow exibiu em seu tomara-que-caia
Stella McCartney (à custa de estratégicas e visíveis
barbatanas, diga-se) atributos frontais nunca dantes tão
empinados. Julia Roberts não só mostrou, em
um decotadíssimo Versace, como se gabou: "Foi o único
vestido valente o bastante para conter meus seios". Além
do orgulho materno, as duas compartilham filhos com nomes do tipo
mãe-onde-você-estava-com-a-cabeça: Gwyneth é
mãe de Apple, Julia tem os gêmeos Phinnaeus e Hazel.
Atrapalhada por um pé engessado (e pelos deletérios
efeitos da lei da gravidade), Melanie Griffith manquitolou
até o auditório, auxiliada por uma bengala e, reconheça-se,
um dos melhores acessórios que uma mulher pode exibir
o maridão Antonio Banderas. No começo, dizia que se
acidentara "ao tentar escalar o Everest". Depois, apimentou: "Foi
no quarto, e valeu a pena". No fim, corrigiu: "Fiquei brava em casa
e dei um chute na porta".
Todo mundo já sabe que o uruguaio Jorge Drexler cantarolou
Al Otro Lado del Río (de Diários de Motocicleta)
porque havia sido cortado da apresentação dos candidatos
a melhor música. Mas por que se contorceu tanto? Porque antes
dele (1,75 metro), anunciara o prêmio o pequenino cantor Prince
(1,55), que nem de salto alto (e conjunto roxo e rosa e bigodinho
desenhado) chegou à altura física, por supuesto
do uruguaio.
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