Edição 1891 . 9 de fevereiro de 2005

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André Petry
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Selva Nua: formigas e o kitsch


Selva Nua
(The Naked Jungle,
Estados Unidos, 1954. Paramount) – O technicolor berrante, o histrionismo de Charlton Heston e a ambientação – uma fazenda em algum lugar da Amazônia – não negam: essa aventura é o supra-sumo do kitsch. Mas é também muito divertida. Heston é o latifundiário que se fez sozinho, mas que, por causa de sua vida nos confins da selva, não teve oportunidade de conhecer (incluído aí o sentido bíblico) o sexo oposto. Quando sua esposa arranjada (Eleanor Parker, lindíssima) chega à fazenda, as faíscas voam, e por mais de um motivo: uma correição de formigas está marchando em direção a eles, e vai devorar todo o precioso cacau do protagonista. Vai-se a fortuna, fica Eleanor – e até que é uma boa troca.


Jorge Rosenberg
Davis: o jazzista em fase elétrica


Miles Electric: a Different Kind of Blues,
Miles Davis (ST2) – Em 1970, no Festival de Wight, que pretendia ser o Woodstock inglês, a lenda do jazz Miles Davis (1926-1991) hipnotizou uma platéia de 600.000 pessoas com um improviso de 38 minutos, acompanhado por sua banda. Assim se consolidou a chamada fase elétrica de Davis. Ela não foi muito bem recebida pelos puristas, por estar ligada ao universo pop, mas hoje se reconhece que Davis deixou sua marca de gênio em várias músicas do período. Esse documentário é um registro do histórico show de Wight. Inclui outras apresentações inesquecíveis do trompetista, como as do elogiado álbum Bitches Brew, e comentários de críticos e músicos. Chick Corea, Keith Jarrett e o brasileiro Airto Moreira aparecem em entrevistas reveladoras.

Top Gun – Ases Indomáveis (Top Gun, Estados Unidos, 1986. Paramount) – No mais célebre discurso de um personagem seu – em Vem Dormir Comigo, de 1994 –, Quentin Tarantino discutia que tipo de relação, afinal, era aquela que rolava entre Maverick (Tom Cruise) e Iceman (Val Kilmer) em Top Gun. Revendo o filme nessa edição especial, com um segundo disco que traz extras sobre as minúcias da produção, a dúvida se dissipa: o clima entre os dois rivais, aviadores de caça da Marinha numa escola de elite, é de homoerotismo puro. Não deixa de ser uma ironia. Produzido por Jerry Bruckheimer e Don Simpson (de Con Air, Armageddon e similares), Top Gun foi o filme que lançou o cinema "de macho" dos anos 80. Veja cenas.

The Rolling Stones Rock and Roll Circus, vários artistas (Universal) – Mick Jagger, o vocalista dos Rolling Stones, organizou um dos mais curiosos encontros musicais da história do rock em 1968. Num picadeiro montado em Londres, ele reuniu artistas como Jethro Tull, The Who, Marianne Faithfull e Yoko Ono. Além do grupo The Dirty Mac – no qual se divertiam John Lennon, Eric Clapton, Mitch Mitchell e Keith Richards – e de sua própria banda, é claro. Amostra dos diferentes tipos de musicalidade daquele momento, The Rolling Stones Rock and Roll Circus é também um registro do espírito sessentista. Enquanto as bandas tocavam e Jagger atuava como mestre-de-cerimônias, trapezistas e palhaços se apresentavam nos intervalos.

 

DISCO

 
Angelo Pastorello
Will Sergeant: projeto-solo

Curvature of the Earth, Glide (Sum Records) – Glide é o projeto experimental solo de Will Sergeant, guitarrista da banda inglesa Echo and The Bunnymen, uma das mais cultuadas dos anos 80. Sergeant compôs todas as faixas e produziu Curvature of the Earth em seu próprio estúdio. O rock instrumental do álbum lembra o som do Echo em algumas faixas, como A Golden Dawn, mas músicas como Kraken e Iggy Ziggy vão em outras direções, com guitarras distorcidas, toques psicodélicos e batidas eletrônicas vibrantes.

 

LIVROS

Timoleon Vieta Volta para Casa, de Dan Rhodes (tradução de Ryta Vinagre; Rocco; 208 páginas; 27,50 reais) – Este é o romance de estréia de Rhodes, inglês de 32 anos que foi incluído na lista dos vinte melhores escritores jovens da Grã-Bretanha publicada pela revista Granta. Timoleon Vieta é um cão. Adotado por um esquecido compositor pop, ele vive feliz em uma vila na Toscana, região da Itália, até que um homem que se chama apenas de "o Bósnio" bate à porta de seu dono. O recém-chegado convence o homem a livrar-se de Timoleon em Roma. O livro narra a jornada do cachorro de volta para sua casa – e apresenta uma curiosa galeria de personagens em capítulos curtos, quase independentes e de sabor levemente experimental.

O Último Verão Europeu, de David Fromkin (tradução de Renato Aguiar; Objetiva; 390 páginas; 49,90 reais) – O assassinato do arquiduque Francisco Ferdinando, da Áustria, é convencionalmente citado como a causa da I Guerra Mundial. Essa, porém, é uma explicação muito simplista. Os motivos profundos que levaram ao conflito são ainda hoje tema de intenso debate entre historiadores. O professor da Universidade de Boston David Fromkin faz, neste livro, uma investigação exaustiva dos interesses que se opunham na Europa do início do século XX. Sua conclusão – polêmica, mas muito bem exposta e embasada – é a de que a guerra não foi um acidente, mas foi iniciada de forma deliberada pela Alemanha e pelo Império Austro-Húngaro. Leia trecho.

 
 

Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Nobel, Fnac; Rio: Saraiva, Laselva, Sodiler, Travessa; Porto Alegre: Saraiva, Livraria Porto Alegre, Cultura, Livrarias Porto; Brasília: Sodiler, Saraiva, Leitura; Recife: Sodiler, Saraiva; Natal: Sodiler; Florianópolis: Livrarias Catarinense; Goiânia: Saraiva, Leitura; Fortaleza: Laselva; Curitiba: Saraiva, Livrarias Curitiba; Londrina: Livrarias Porto; Belo Horizonte: Leitura; Maceió: Sodiler; Belém: Clio; Vitória: Leitura; internet: Cultura, Laselva, Saraiva, Sodiler, Nobel, Fnac, Submarino, Leitura.
 
 
 
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