Edição 1891 . 9 de fevereiro de 2005

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Polícia
Violência ao vivo

Apresentadores do Jornal Nacional
são assaltados em casa, no Rio de
Janeiro, e vivem momentos de pânico


Ronaldo França


Paulo Vitale
Bonner e Fátima: ele foi ferido ao tentar reagir

Os jornalistas William Bonner e Fátima Bernardes, apresentadores do Jornal Nacional, da Rede Globo, viraram notícia nas páginas policiais. Na terça-feira 1º, eles dormiam em sua casa, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio de Janeiro, quando um assaltante os surpreendeu em seu quarto, por volta de 2 horas da madrugada. O bandido invadiu o quintal da casa, protegido apenas por uma cerca viva, e entrou pela janela da lavanderia. Passou pela cozinha e subiu as escadas. No 2º andar, logo à esquerda, está o quarto do casal, separado do de seus filhos por um hall, a não mais de 4 metros de distância. Os três filhos, Vinícius, Laura e Beatriz, gêmeos de 7 anos, não acordaram. Armado com uma pequena pistola dourada, o homem acordou os donos da casa e exigiu jóias e dinheiro. Como Fátima o olhava atentamente, o bandido mandou que ela cobrisse seu rosto com um lençol. Bonner procurava acalmá-lo, sem conseguir desgrudar os olhos de sua arma. No momento em que o assaltante pareceu descuidar-se, o jornalista tentou bater com força em sua nuca, para desacordá-lo. Não deu resultado, e Bonner precisou implorar por sua vida: "Não me mata, não. Tenho três filhos". Mais tarde, num mea-culpa, o apresentador disse aos policiais: "Fiz bobagem, mas o cara é do bem". O saldo da tentativa foi uma contusão em seu braço direito.


Oscar Cabral
A casa do casal, num condomínio: ninguém está seguro

Antes de sair, o bandido os trancou no banheiro, ameaçando-os para que não gritassem ou pedissem ajuda pela janela que dá acesso ao quintal. Ordenou que esperassem antes de tentar sair. Fátima disse a ele para não entrar no quarto das crianças, porque não havia nada de valor lá. Por alguns instantes, o casal teve de enfrentar o pânico de ter um bandido à solta na casa onde seus filhos dormiam. Bonner não acionou a polícia diretamente: pediu ajuda a um diretor da emissora. O delegado titular da 16ª DP, Eduardo Batista, foi acordado em sua casa às 3 e meia da manhã. A casa dos jornalistas fica localizada em uma pequena rua sem saída, a não mais de 200 metros da guarita da entrada do condomínio. Mas os procedimentos de vigilância são precários. Nos fundos, há uma lagoa e uma outra guarita, que permanece vazia. É fácil entrar por ali sem ser percebido. A ação do bandido também pode ter sido facilitada por pequenas passagens de pedestres que circundam as casas. Elas criam um ambiente mais bucólico, mas também um problema de segurança. É triste constatar mais uma vez que, nas grandes cidades brasileiras, as pessoas de bem é que necessitam ficar presas, enquanto ladrões, traficantes e assassinos circulam livremente. Mas, no caso do Rio de Janeiro, o cidadão tem de compreender que o manda-chuva do estado, o ex-secretário de Segurança e ex-governador Anthony Garotinho, tem mais o que fazer: articular sua candidatura à Presidência da República em 2006.

 
 
 
 
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