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Polícia
Violência ao vivo
Apresentadores do Jornal Nacional
são assaltados em casa, no Rio de
Janeiro, e vivem momentos de pânico

Ronaldo França
Paulo Vitale
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| Bonner e Fátima: ele foi ferido ao tentar
reagir |
Os jornalistas William Bonner e Fátima
Bernardes, apresentadores do Jornal Nacional, da Rede Globo,
viraram notícia nas páginas policiais. Na terça-feira
1º, eles dormiam em sua casa, na Barra da Tijuca, Zona Oeste
do Rio de Janeiro, quando um assaltante os surpreendeu em seu quarto,
por volta de 2 horas da madrugada. O bandido invadiu o quintal da
casa, protegido apenas por uma cerca viva, e entrou pela janela
da lavanderia. Passou pela cozinha e subiu as escadas. No 2º
andar, logo à esquerda, está o quarto do casal, separado
do de seus filhos por um hall, a não mais de 4 metros de
distância. Os três filhos, Vinícius, Laura e
Beatriz, gêmeos de 7 anos, não acordaram. Armado com
uma pequena pistola dourada, o homem acordou os donos da casa e
exigiu jóias e dinheiro. Como Fátima o olhava atentamente,
o bandido mandou que ela cobrisse seu rosto com um lençol.
Bonner procurava acalmá-lo, sem conseguir desgrudar os olhos
de sua arma. No momento em que o assaltante pareceu descuidar-se,
o jornalista tentou bater com força em sua nuca, para desacordá-lo.
Não deu resultado, e Bonner precisou implorar por sua vida:
"Não me mata, não. Tenho três filhos". Mais
tarde, num mea-culpa, o apresentador disse aos policiais: "Fiz bobagem,
mas o cara é do bem". O saldo da tentativa foi uma contusão
em seu braço direito.
Oscar Cabral
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| A casa do casal, num condomínio: ninguém está
seguro |
Antes de sair, o bandido os trancou no banheiro,
ameaçando-os para que não gritassem ou pedissem ajuda
pela janela que dá acesso ao quintal. Ordenou que esperassem
antes de tentar sair. Fátima disse a ele para não
entrar no quarto das crianças, porque não havia nada
de valor lá. Por alguns instantes, o casal teve de enfrentar
o pânico de ter um bandido à solta na casa onde seus
filhos dormiam. Bonner não acionou a polícia diretamente:
pediu ajuda a um diretor da emissora. O delegado titular da 16ª
DP, Eduardo Batista, foi acordado em sua casa às 3 e meia
da manhã. A casa dos jornalistas fica localizada em uma pequena
rua sem saída, a não mais de 200 metros da guarita
da entrada do condomínio. Mas os procedimentos de vigilância
são precários. Nos fundos, há uma lagoa e uma
outra guarita, que permanece vazia. É fácil entrar
por ali sem ser percebido. A ação do bandido também
pode ter sido facilitada por pequenas passagens de pedestres que
circundam as casas. Elas criam um ambiente mais bucólico,
mas também um problema de segurança. É triste
constatar mais uma vez que, nas grandes cidades brasileiras, as
pessoas de bem é que necessitam ficar presas, enquanto ladrões,
traficantes e assassinos circulam livremente. Mas, no caso do Rio
de Janeiro, o cidadão tem de compreender que o manda-chuva
do estado, o ex-secretário de Segurança e ex-governador
Anthony Garotinho, tem mais o que fazer: articular sua candidatura
à Presidência da República em 2006.
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