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Fraude Passos
em falso Filho de Prestes é investigado por
improbidade administrativa no Balé Bolshoi de Joinville  Marcelo
Carneiro
Em 2000, o empresário Antônio João
Ribeiro Prestes e sua mulher, a bailarina Joseney Braska Negrão, deram
início a um ousado projeto. Inauguraram em Joinville, Santa Catarina, a
primeira filial, fora da Rússia, da escola do consagrado Balé Bolshoi.
Filho do líder comunista Luiz Carlos Prestes e com ótimos contatos
com a burocracia de Moscou, onde viveu por trinta anos, o empresário convenceu
os administradores do Bolshoi a licenciar o uso da marca. Em cinco anos, a Escola
do Teatro Bolshoi de Joinville tornou-se uma referência no ensino do balé
no Brasil e, ajudada pela força da grife, conquistou boa rede de patrocínios.
A receita anual da escola, que atende cerca de 300 alunos, a maior parte crianças
carentes de Joinville que ganham bolsas de estudo, chega a 5 milhões de
reais. Agora, essa história de sucesso corre o risco de ser manchada por
uma série de denúncias de irregularidades na gestão financeira
do projeto, sustentado basicamente por recursos públicos. O maior patrocinador,
os Correios, destina ao Bolshoi uma verba anual de 3,5 milhões de reais.
Em novembro do ano passado, o Ministério Público Federal em Joinville
entrou na Justiça com uma medida cautelar por improbidade administrativa
contra o Bolshoi. No momento, o casal está com seus bens indisponíveis
e teve os sigilos bancário e fiscal quebrados.
VEJA teve acesso a um relatório da Controladoria-Geral da União
(CGU), preparado a pedido do Ministério Público. Os fiscais da CGU
analisaram a prestação de contas de três projetos do Bolshoi
que captaram recursos com base em leis de incentivo fiscal. Nesse montante, não
está incluído o patrocínio dos Correios, que será
objeto de outra investigação. Os fiscais concluíram que,
embora os objetivos dos projetos tenham sido atingidos, há uma série
de falhas, como dispensas irregulares de licitação e compras indevidas
de passagens aéreas. Os problemas não param aí. O procurador
da República em Santa Catarina, Davy Lincoln Rocha, acusa João Prestes
de ter recebido indevidamente do Bolshoi comissão de cerca de 1 milhão
de reais por ter intermediado o patrocínio dos Correios. Joseney, mulher
de Prestes, é supervisora do balé. "Ele não deveria ter recebido
nada, pois não teve nenhuma participação no projeto", diz
o procurador. O ex-presidente dos Correios Hassan Gebrin, que assinou o contrato,
confirma que Prestes não intermediou a captação de recursos
para o Bolshoi. O empresário Prestes tem outra versão: "Antes da
assinatura do contrato, preparei os projetos de patrocínio, busquei recursos
de outras empresas e estive com um diretor dos Correios. É claro que deveria
cobrar por esse trabalho". Ele justifica assim o recebimento de 1 milhão
de reais. Espera-se que, no decorrer das investigações, a Justiça
esclareça o que realmente está se passando no Bolshoi. Ali é
empregado muito dinheiro público. Só para efeito de comparação,
a Petrobras destina ao Grupo Corpo, a principal companhia de dança do país,
4,5 milhões de reais por ano. |