Edição 1891 . 9 de fevereiro de 2005

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Brasil
Tem barraco no Leblon

Família Pitta agora se engalfinha por
um imóvel no Rio – e só se ouve "ladrão"
para cá, "bandido" para lá


Malu Gaspar

 

Fotos Celso Junior/Monica Zarattini
e Paulo Liebert/AE

"Ladra é ela, que vai ter de explicar o desaparecimento das jóias e do dinheiro que estavam no meu apartamento. A Nicéa é uma pessoa obstinada na minha destruição."
Celso Pitta, avaliando o caráter
de sua ex-mulher


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Em Dia: As confusões de Celso Pitta

Já faz uma década que o sobrenome Pitta aparece ligado a algum escândalo político-financeiro, mas desde o início do ano a família criou uma novidade – o barraco, aquele salseiro que só acaba quando todos vão parar na delegacia. O centro da discórdia é um apartamento no Leblon, na Zona Sul do Rio de Janeiro. Tudo começou quando a ex-mulher do ex-prefeito paulistano Celso Pitta, hoje rebatizada de Nicéa Camargo, decidiu passar o réveillon com amigos no imóvel que a família usava nas férias dos bons tempos. Ao chegar, Nicéa descobriu que a fechadura fora trocada, convocou um chaveiro e entrou. "O apartamento ainda é meu", diz ela. Ah, para quê...! Celso Pitta registrou três boletins de ocorrência acusando a ex-mulher de invasão de domicílio e pediu uma liminar para retomar o imóvel – e Nicéa só saiu do apartamento quando três viaturas policiais pararam à frente do edifício em apoio aos oficiais de Justiça.

 

"Eu não teria problema em ser presa porque nem no presídio encontraria pessoas tão bandidas como as que eu conheci quando era casada com ele."
Nicéa Camargo, ex-mulher de Celso Pitta, avaliando o ex-marido

Furiosa com a expulsão, Nicéa colheu as notas fiscais de uma reforma e da mobília do imóvel, comprovando gastos superiores a 50.000 reais. Ela quer provar que o ex-marido gastou mais de 200.000 reais nas obras – e, em mais uma das suas, diz ela, o dinheiro saiu dos cofres públicos. "Não foi nada disso", rebate Pitta. "Demorei mais de dois anos para fazer a reforma. Foi um mutirão da minha família." Nicéa diz que o ex-marido roubou seus pertences do imóvel e surrupiou um Santana que vinha sendo usado pelo filho, Victor, que não fala mais com o pai, a quem chama de "rei dos apliques". O ex-marido, por sua vez, acusa Nicéa de roubar 38.000 reais em jóias de sua atual mulher, Rony Golabek, e 20.000 reais em dinheiro vivo. Por que Pitta tinha tanto dinheiro em casa? "Era a pensão da Nicéa", explica. A pensão, de 15.000 reais, não foi paga em janeiro. Nicéa diz que só em pensões atrasadas Pitta já lhe deve mais de 200.000 reais.

 

"Meu pai é ladrão de carteira, é ladrão de cofre público, é tudo. É o laranja do Maluf que virou o rei dos apliques."
Victor Pitta, filho de Nicéa e Celso Pitta, avaliando o pai

A batalha do Leblon parece estar apenas no início. Nicéa garante que Pitta não mora no apartamento e não usa o imóvel para nada. Mas Pitta afirma que, entre outras coisas, usa o apartamento para reuniões de uma ONG de defesa dos negros, um tal de Instituto para o Desenvolvimento Social e Cultural – Pró Negro. É uma entidade desconhecida, mas o ex-prefeito jura que existe. O presidente é ele mesmo. Funciona no seu apartamento e, fundada em agosto com a missão de ajudar negros, até agora não conseguiu beneficiar ninguém... Diz Pitta: "Ainda não deu tempo". Ah, bom...

 
 
 
 
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