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Cartas
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"O brasileiro gosta tanto de remédio
que quando entra na farmácia recebe uma cestinha de supermercado. Logo
virão carrinhos!" Mario Alexandretti
Florianópolis, SC | Remédios
A lucidez foi a maior virtude da
reportagem "A verdade sobre os remédios" (2 de fevereiro). Nesse assunto
não há anjos nem demônios, há uma necessidade urgente
de ação conjunta dos conselhos de medicina e farmácia, da
Anvisa e dos ministérios da Saúde e da Educação. O
Brasil é o paraíso da automedicação, da sobremedicação
e da falta de fiscalização. A Anvisa é confusa em muitos
dos critérios de registro de medicamentos e não fiscaliza a contento,
enquanto os ministérios da Saúde e da Educação toleram
o desenfreado crescimento de novas escolas médicas, muitas formadoras de
médicos despreparados, presas fáceis do marketing industrial.
Raymundo Paraná
Professor livre-docente de hepatologia clínica da UFBA e pesquisador do
CNPq Por e-mail A Sociedade
Brasileira de Reumatologia (SBR) cumprimenta VEJA pela reportagem, que esclarece
a população sobre o uso racional dos medicamentos. A SBR julga que,
quanto mais informações são fornecidas ao paciente por instituições
credenciadas, maior o conhecimento e melhor a comunicação entre
o paciente e o médico. Fernando Cavalcanti
Presidente da Sociedade Brasileira de Reumatologia Por e-mail
Especificamente em relação
ao aumento absurdo de medicamentos antidepressivos e outros de ação
psicoativa, VEJA se referiu apropriadamente a essas "pílulas da felicidade",
que, em uma aliança de interesses puramente comerciais que envolve médicos
e laboratórios, procuram propagar efeitos duvidosos, resultados não
comprovados e soluções fantasiosas a toda e qualquer problemática.
Alguns remédios ajudam, mas não são nem de longe o que propagam,
e sem o acompanhamento psicológico só fazem criar dependência
e afastar a pessoa cada vez mais de si mesma. Walmir
Monteiro Vassouras, RJ
Excelente a reportagem de capa "A verdade
sobre os remédios". Senti falta, no entanto, de um importante grupo de
medicamentos que não foi abordado e que causa problemas visuais e até
cegueira em inúmeras pessoas: os colírios. A automedicação
com colírios é alarmante no Brasil, e quando eles contêm corticóides
e não têm indicação precisa podem causar glaucoma,
catarata e até perfuração de córnea em casos de ceratite
por herpes. Doutor Levi Madeira
Médico oftalmologista Fortaleza, Ceará
Senti falta dos anticoncepcionais, remédios, como é sabido, utilizados
em larga escala pelas mulheres e, não raro, consumidos de forma indiscriminada
e sem prévia orientação médica. Seria útil
que VEJA também tratasse desses medicamentos, informando sobre seu uso
correto e seus efeitos colaterais. Clélya
Maria de A.F. Bastos Brasília,
DF É muito importante
conhecer os possíveis efeitos colaterais de qualquer medicamento. Um dos
mais importantes é o alto custo, principalmente para as classes menos privilegiadas.
Um medicamento novo que realmente controle um problema clínico será
comprado pelo paciente mesmo com sacrifício. O IPI, imposto sobre produtos
industrializados, cobrado pelo governo central, e o ICMS, cobrado pelos governos
estaduais, representam mais de 30% do custo do remédio. A indústria
farmacêutica atesta que muitos medicamentos resultam de intensa pesquisa
por vários anos. Essa seria a razão do custo elevado. Portanto,
quanto mais caro o medicamento, maior o lucro do intermediário. Isso sem
ter participado da pesquisa. Em muitos países, essa taxa não passa
de 6%. Haroldo Pinheiro
Professor de clínica médica da Uepa Belém, PA
Cabe-nos esclarecer que os produtos originários
da Índia e da China não são de "segunda linha", como afirma
a reportagem. Matérias-primas têm nas especificações
de farmacopéias (publicações oficiais) a sua identidade,
e qualquer divergência significa a rejeição imediata do produto.
Grande parte dos fabricantes de insumos desses países tem seus produtos
aprovados pela FDA, dos Estados Unidos, e por outros órgãos de mercados
altamente regulamentados, sendo que, além dos EUA, a Índia é
um dos países que mais possuem produtos com a certificação
da FDA. A própria Anvisa já visitou e aprovou muitas empresas nesses
países. Cabe questionar a razão pela qual algumas empresas cobram
200 dólares por 1 quilo de tetraciclina, se poderiam vendê-lo por
10 dólares. Helio S. Schwartzman
AB Farmo Química Ltda. São Paulo, SP
Os médicos ficam satisfeitos em saber que a Anvisa está tomando
providências em relação à fiscalização
dos medicamentos "similares", mas chamo atenção para outro enorme
problema, que são os medicamentos ditos "manipulados", não abordados
na reportagem. As farmácias de manipulação não divulgam
a origem de seus produtos nem a análise química completa que permitiu
seu uso no Brasil e não têm inspeção regular de qualidade
pela Anvisa. Pelos preços praticados por eles, ou não trabalham
com as quantidades de substâncias prescritas pelo médico ou devem
estar usando medicamentos de segunda linha. Caio
Moreira, reumatologista Belo Horizonte,
MG Diogo
Mainardi Informamos que a mesa diretora
da Câmara dos Deputados já autorizou a reforma de 144 apartamentos,
no valor de 24 milhões de reais. A Câmara tem 432 apartamentos, dos
quais 203 estão vagos e 229, ocupados. Como disse a Diogo Mainardi, a minha
intenção, se eleito presidente da Casa, é vender em leilão
público todos os apartamentos funcionais ("O maior problema do país",
2 de fevereiro). José Carlos Aleluia
Líder do PFL na Câmara dos Deputados Brasília, DF
A Embratur aproveita o artigo "O Brasil para
os brasileiros" (26 de janeiro) para esclarecer que não apenas as praias
brasileiras, as cidades históricas e os parques arqueológicos vêm
atraindo cada vez mais turistas estrangeiros, como também diversos outros
atrativos. O Brasil tem uma rica diversidade cultural, natural e étnica,
aliada a uma infra-estrutura de qualidade, que vem melhorando desde a última
década. Responsável pela promoção turística
do país no exterior, a Embratur ampliou o leque e desde 2003 promove no
mercado internacional mais dez produtos, além do tradicional Sol &
Mar: Mergulho, Pesca Esportiva, Golfe, Ecoturismo, Aventura, Festas & Eventos
Populares, Cidades Patrimônio, Resorts, Negócios & Eventos e
Turismo de Incentivo. Os estrangeiros, quando chegam aqui, ficam surpresos com
a diversidade da oferta turística e planejam retornar. Isso é o
que revela uma pesquisa com visitantes internacionais em cidades brasileiras,
realizada recentemente para o Plano Aquarela Marketing Turístico
Internacional do Brasil. Adrian Alexandri
Gerente de comunicação da Embratur Brasília, DF
Roger Federer
Gostaria de registrar minha agradável
surpresa ao ler a entrevista com Roger Federer (Amarelas, 2 de fevereiro). VEJA
conseguiu aproximar o leitor do tenista número 1 do mundo, permitindo-nos
conhecer a vida de um atleta que, para a maioria das pessoas, é apenas
uma grife. Espero que continuem assim, transformando o que parece um sonho
como o de fazer gols e correr para a torcida em saborosas páginas
amarelas. Suzana Porto
Monteiro Lobato, SP Mais uma
vez VEJA inova e mostra grande competência ao entrevistar um grande ícone
do esporte mundial, o tenista suíço Roger Federer, assim como já
havia feito com o piloto alemão Michael Schumacher. É de extremo
bom gosto VEJA entrevistar ídolos esportivos, pois quebra a rotina de só
cobrir a política nas Páginas Amarelas. Além disso, pessoas
que vencem no esporte têm de ser muito respeitadas e sempre têm algo
a oferecer aos outros por tudo o que lutaram para chegar aonde estão.
Henrique Marcelo Moretti
Por e-mail Roger Federer é
a combinação inequívoca de profissionalismo com talento.
Com certeza é o rei da raquete. André
Bernardes Dias Brasília, DF
Luiza Helena Trajano
Como francana, fiquei orgulhosa ao
ler a entrevista com Luiza Helena Trajano (Amarelas, 26 de janeiro). Há
alguns anos, numa palestra sua, ouvi que temos de desenvolver nossa capacidade
"fuçativa". Creio que essa frase é a fórmula do sucesso
do Magazine Luiza, empresa onde todas as pessoas, independentemente de hierarquia,
procuram as respostas em vez de esperar que elas venham prontas. Márcia
Maria Falleiros Rodrigues Franca, SP
Meus cumprimentos a VEJA pelo excelente serviço-cidadão
que presta à sociedade brasileira, e hoje, em especial, cumprimento pela
matéria das Páginas Amarelas de 26 de janeiro. A entrevista dá
oportunidade à empresária francana Luiza Helena Trajano para tornar
visível seu trabalho na gerência das Organizações Magazine
Luiza, todo ele cheio de competência, respeito e sentimento humanista.
Ary Pedro Balieiro Vice-prefeito
Franca, SP
Carta ao leitor Quero cumprimentar
VEJA pelos comentários feitos sobre a importância de atacar as causas
dos juros altos ("Os juros e a inflação", Carta ao leitor, 26 de
janeiro). Por sinal, esse deveria ser o ponto em que os agentes pensantes e críticos
deveriam concentrar atenção e análise. Este governo aparenta
ser ingênuo e despreparado para "enfrentar" essas causas e resolvê-las.
Entretanto, não posso concordar com os comentários que acham justa
e necessária a taxa de juros oficial (Selic). Ricardo
Coube Diretor regional do Ciesp de Bauru
Diretor-presidente da Tiliform Informática Ltda. Bauru, SP
Cartas
Excelente a nota de redação de VEJA respondendo aos ministros ("Nota
da redação", Cartas, 2 de fevereiro). Vale lembrar o que escreveu
Gorbachev em seu livro Perestroika, 23ª edição, editora
Best Seller, págs. 20/21: "As discussões científicas e teóricas,
indispensáveis ao desenvolvimento do pensamento e ao esforço criativo,
foram emasculadas (castradas). Tendências negativas semelhantes também
influenciaram a cultura, as artes e o jornalismo, bem como os métodos de
ensino e a medicina, onde a mediocridade, o formalismo e o panegírico retumbante
vieram à tona". Não há dúvida sobre a necessidade
de reformar primeiramente o ensino fundamental e o ensino médio, para não
se nivelar por baixo o ensino superior. Parabéns a VEJA pela brilhante
resposta. Albérico Cony Cavalcanti
Professor universitário, filiado ao Partido dos Trabalhadores (PT)
Por e-mail
Auxílio-reclusão O
auxílio-reclusão, colocado na seção Cartas como um
privilégio odioso do funcionalismo público, também é
previsto no Regime Geral da Previdência Social (art. 80 da Lei nº 8.212/90)
e abrange os trabalhadores da iniciativa privada, valendo lembrar que ele é
devido aos dependentes do segurado, e não ao preso ("O auxílio-reclusão
é federal!", 2 de fevereiro). Mauro Teixeira
da Silva Rio de Janeiro, RJ
Governo
Assistindo ao discurso do senhor Lula em Davos, só faltou ele sugerir aos
participantes um imposto mundial contra a fome. E olha que nessa área ninguém
bate o atual governo do PT ("Elo entre dois mundos", 2 de fevereiro). Zeno
Brazuna Por e-mail
É impressionante a falta de autocrítica do nosso
presidente ao discursar no Fórum Econômico Mundial, em Davos. Ele
deveria também olhar para o Fome Zero, tirá-lo do papel e mostrar
ao mundo inteiro por meio da prática que é possível minimizar
a fome, e não com um discurso barato que provavelmente não foi ele
quem escreveu. Alex Vilanova
Por e-mail Creio que Brasília
e o Brasil precisam de governos que imprimam a marca da utopia e da esperança
para que, como defendeu o ministro Dulci, durante o Fórum Social, essa
"nova utopia" não seja uma idéia apenas. Ela é, de fato,
uma realidade que está sendo construída em ações como
o Fórum Social, o orçamento participativo, a mobilização
dos países do Sul para construir uma nova ordem mundial e a pressão
para a reforma de instituições com a Organização das
Nações Unidas. Lafaiete Luiz do
Nascimento Águas Claras, DF Diplomacia
Desde o primeiro momento em que tomou conhecimento
do desaparecimento do senhor João José Vasconcellos Júnior,
o Itamaraty procurou obter e analisar todas as informações possíveis,
com vistas a adotar o curso de ação mais apropriado, mantendo-se
em permanente contato com a empresa Norberto Odebrecht. Tão logo ficou
mais clara a natureza do seqüestro, o Itamaraty tomou várias providências
adicionais, continuando a utilizar os diversos canais de que dispõe e a
acionar suas embaixadas e representações na região e junto
a países que já haviam passado por situações semelhantes
ou estivessem em posição de cooperar. Fez também um apelo
humanitário em prol do senhor Vasconcellos Júnior e enviou à
região o embaixador extraordinário para o Oriente Médio,
Affonso Celso de Ouro-Preto, que já manteve contatos na Jordânia,
Síria e Líbano. Em nenhum momento o Itamaraty deixou de agir com
firmeza e determinação ("À espera de alguém que ajude",
2 de fevereiro). Ricardo Neiva Tavares
Chefe da assessoria de imprensa do
gabinete do ministro das Relações Exteriores Brasília,
DF Remédios
2 Gostaria de dizer que o princípio
ativo do Cellebra é o celecoxib (e não colecoxib). O Buscopan composto
possui dois princípios ativos, sendo o segundo a dipirona. É o Buscopan
não composto que contém somente N-butilescopolamina. Já atendi
vários pacientes com algum grau de intolerância (ou mesmo alergia)
à dipirona com reações adversas por ter utilizado Buscopan
composto sem a devida ciência de seus componentes ("A verdade sobre os remédios",
2 de fevereiro). Ícaro Alves de Alcântara Médico Brasília,
DF Reservas naturais
Gostaríamos de cumprimentar VEJA pela
reportagem "Donos da natureza" (26 de janeiro). Ela contribui para o fortalecimento
de iniciativas privadas que visam à conservação ambiental
e à manutenção dessas riquezas para gerações
futuras, independentemente do tamanho da área. Os recursos naturais só
serão realmente conservados quando boa parte da população
conhecer nossa diversidade biológica e os mecanismos de proteção
desses remanescentes, que no Brasil estão em grande parte em posse de proprietários
rurais de pequeno e grande portes Eduardo
Folley Coelho www.repams.org.br Campo
Grande, MS Na reportagem "Donos da natureza",
é um equívoco dizer que a penicilina é fruto da medicina
botânica. O antibiótico é derivado de um fungo: o Penicilium,
descoberto por Alexander Fleming. Wendel Franciso
de Oliveira Farmacêutico e bioquímico
Belo Horizonte, MG
Salto para trás
Sobre a reportagem "O grande salto para trás" (26 de janeiro), esclarecemos
que todos os chefes de centros de pesquisa da Embrapa foram substituídos
somente após cumprir o mandato de quatro anos e mesmo assim após
processo de seleção transparente e no qual poderiam concorrer cientistas
de todo o Brasil, processo esse conduzido por uma empresa privada. A diretoria
da Embrapa não privilegiou a agricultura familiar em detrimento do agronegócio.
Do orçamento total para custeio e investimentos de 2004, 61,7% foram destinados
a projetos voltados para o aumento da competitividade do agronegócio; 5,9%
para ações de transferência de tecnologia nas mais diversas
áreas; 5,7% para atividades que visavam a promover a inclusão tecnológica
de segmentos de produtores ainda não atingidos pelas pesquisas da Embrapa;
e os 26,7% restantes foram para manutenção dos centros de pesquisa.
Paola Ligasacchi Chefe
da assessoria de comunicação social
da Embrapa Brasília, DF
Trânsito
Esclareço que sou favorável ao porte de extintores de incêndio
em automóveis ("Uma cena raríssima", 19 de janeiro). Celso
Arruda Professor da Faculdade de Engenharia
Mecânica Unicamp Campinas, SP
Automóvel
Com relação à reportagem "Este é para valer" (19 de
janeiro), o veículo com células a combustível não
queima o hidrogênio, que sofre uma reação eletroquímica
ao entrar em contato com partículas de platina depositadas em uma membrana
plástica. A eletricidade gerada pelas células movimenta um motor
elétrico, e este, as rodas. Não há combustão no processo.
No diagrama do Sequel, onde está escrito "motores elétricos" na
parte traseira é a bateria de íon-lítio. Os motores elétricos
na região traseira estão localizados em cada roda. Emilio
Hoffmann Gomes Neto Diretor executivo
Brasil H2 Fuel Cell Energy
Curitiba, PR
| AS ORELHAS DO BURRO
Os leitores reagiram às orelhas de burro colocadas
na capa da edição de VEJA de 26 de janeiro
"Quem
você colocaria entre as orelhas do burro?" (Nelson Assad); "Como
cidadão, eu me sinto um pouco vestindo aquelas orelhas enormes." (Renato
Skaf); "Deviam ter posto a imagem do sorridente burro do Shrek, identificando-o
como mascote cultural do governo do PT." (Tarcisio Saraiva); "É
salutar mostrar o pessoal da redação na capa." (Danilo Rocha);
"O animal estampado na capa é mais inteligente e útil para os
seres humanos do que muitos membros do atual governo." (Nivaldo Aparecido Medeiro);
"Vivemos num país não de burros, mas de jumentos, mais tacanhos
que aqueles." (José Eduardo Xavier); "Como dizia o nosso grande
Luiz Gonzaga, o burro é quem trabalha, o burro é quem merece uma
medalha." (Espedito Cardoso de Araújo); "A capa ficou fantástica!
É bem a cara do Brasil (des)governado pelo PT do Lula." (Maria Amélia
Lima) | |
| A FOTO DA CARTA AO
LEITOR
Reuters  |
| Lula e Zapatero | Devido
a uma falha no fluxo gráfico da revista, em um número considerável
de exemplares de VEJA impressos na semana passada a seção Carta
ao leitor foi publicada sem a foto (reproduzida acima) em que o presidente brasileiro
Luiz Inácio Lula da Silva cumprimenta o primeiro-ministro espanhol José
Luis Rodríguez Zapatero. Pelo incidente, nos desculpamos com nossos assinantes,
leitores e anunciantes. | |
| "QUERO MEU ESPAÇO!" Hugo
Mauro Salles Junior, radicado em Belo Horizonte, observou que nenhum dos 142 comentários
sobre o artigo "O Brasil para os brasileiros" (26 de janeiro), de Diogo Mainardi,
foi publicado em Cartas (2 de fevereiro). "Falta de espaço?", pergunta
Hugo. Com a publicação da carta assinada por Celso Amorim, Tarso
Genro e Gilberto Gil e da resposta de VEJA aos ministros, os leitores perderam
um bom naco de seu espaço. Mas a reação deles ao artigo de
Mainardi pode ser vista abaixo:
Acredito que o colunista
Mainardi presta um grande desserviço à imagem do Brasil, tentando
desmoralizar o nosso povo e o nosso país, através das sandices que
escreve semanalmente em VEJA; um desserviço maior do que aquele americano
Larry Rohtter, que insiste em torpedear a nação brasileira. Como
mineiro, natural de uma cidade histórica, não poderia ficar omisso
perante o fato de Mainardi escrever, dentre outras aberrações, que
as "nossas cidades históricas são um amontoado de casebres
ordinários e igrejas com santos disformes". Nosso patrimônio
histórico, religioso e cultural e, notoriamente, o do ciclo do barroco
mineiro, merecem ser tratados de forma respeitosa. A Unesco, na contramão
do que pensa o articulista, já concedeu o título de Patrimônio
Cultural da Humanidade "ao amontoado de casebres" de Ouro Preto, dentre
outros patrimônios brasileiros. Senhor Mainardi: o senhor deveria vender
tudo o que possui, comprar dólares, ir para os EUA, naturalizar-se americano
e passar, de forma oficial, ao lado de Larry Rhotter e companhia, a prestar seus
serviços ao governo Bush, quem sabe escrevendo diariamente para o New York
Times. José Antônio de Ávila
Sacramento Presidente do Instituto Histórico e Geográfico
de São João Del Rei São João Del Rei, MG
Talvez seja ótimo que ele tire umas férias e vá viajar
pelo Brasil; mas é claro, se não for ferir sua integridade moral,
afinal só há turismo sexual no país. Também, ao viajar,
peço que ele tenha cuidado com sua saúde física, pela falta
de higiene em todos os estabelecimentos comerciais do Brasil. Tomadas todas as
precauções, que desejo que ele curta o lindo visual de um mar azul
e cristalino como o da praia do Silveira em SC, ou das lagoas de Natal, RN. Se
sobrar um tempinho e sua estafante rotina de só falar mal dos outros, que
ele visite a linda Arraial do Cabo. Também aconselho uma visita às
deslumbrantes e límpidas cachoeiras brasileiras, desde a charmosa paulista
de Boiçucanga e as lindas mineiras de São Tomé das Letras,
até a exuberância da Chapada dos Guimarães, onde o povo mato-grossense,
esbanjando simpatia, nos guia para uma paisagem cheia de araras e natureza sem
igual. É, realmente tanta beleza não é recomendável
ao jornalista. Ele deve estar mais acostumado ao cenário plastificado de
seu programa, que bajula tanto os americanos que até nome importado tem.
Vá, vá seu Diogo ter com seus companheiros de Manhattan Connection,
aproveite e se mude para Nova York e deixe nós, os brasileiros, curtindo
nossa natureza em paz, afinal não se devem dar pérolas aos porcos! Fernanda
Ferreira São Paulo, SP Diogo Mainardi peca em suas
palavras, pois no afã de suas idéias termina por extrapolar semana
sim outra também; ofendendo o que o brasileiro mais aprecia e mais enobrece,
que é o nosso país, nossos estados, nossas regiões e nossa
cultura, tão rica e singular que nem toda falta de estrutura denunciada
por Mainardi a empobrece ou a denigre. Mainardi é brilhante em demonstrar
as ruínas da política governamental brasileira, mas perde seu brilho
quando atinge aqueles que como eu, que ama o nosso carnaval (samba, axé,
frevo), ama nossos lindos mares (Noronha/PE, Porto de Galinhas/PE, Pipa/RN, Jericoaquara/CE,
Barra Grande/AL, Itacaré/BA), e diferente dele consegue enxergar, curtir
e aproveitar todas estas maravilhas que Deus nos deu. Só falta Mainardi
pedir um tsunami para o Brasil. Delmiro Campos Recife,
PE Ridículo. Este é o único adjetivo que consegui
encontrar para definir o artigo de Diogo Mainardi divulgado na "Veja"
da semana passada. Será que ele conhece mesmo nosso país? Eu não
sou daltônico e quando fui a Fernando de Noronha, a Jericoaquara (citando
apenas duas de nossas mais bonitas praias), não enxerguei um mar turvo,
desbotado, feio. E com um detalhe, já fui mais de uma vez, em diferentes
estações e nunca me deparei com chuvas diretas. E quanto a nossas
cidades históricas? Será que se Diamantina fosse um amontoado de
casebres ordinários e igrejas com santos disformes teria sido proclamada
"Patrimônio da Humanidade" pela Unesco? O Brasil é um país
com um potencial turístico enorme, ainda inexplorado, praias maravilhosas,
sem "tsunamis", sem terremotos, uma "Estrada Real" que pode
se transformar num "Caminho de Santiago de Compostela", dentre outras
atrações. Problemas, é claro que temos. Mas que também
estão presentes em outros países com turismo desenvolvido, tal como
a Itália, país de origem do Sr. Diogo, onde cito Veneza, que se
trata de um esgoto a céu aberto. Por que ele não retorna ás
suas origens, levando consigo toda sua amargura? Carlos
Geovane R. Queiroz Belo Horizonte, MG Com brilhantes e perspicazes
observações, o Sr. Diogo Mainardi tornou-se meu porta-voz. Suas
considerações em "O Brasil para os brasileiros" são
contundentes e precisas, devendo chocar as mentes menos informadas e abertas,
bem como as pessoas cegas pelo nacionalismo irracional. Por tudo que se tem propalado
, exaltado e enaltecido no Brasil, este país se converteu numa grande farsa.
Marco Aurelio Agarie São Paulo,
SP Aduzir que o nosso mar "é feio. Turvo. Desbotado...Chove
o ano todo. Não temos ruínas arqueológicas..." é
demonstrar, no mínimo, ignorância em relação às
nossas belezas. Conheça o Nordeste, Sr. Mainardi. Aqui temos belíssimas
praias, com mar azul, dunas magníficas, deltas, lagoas cristalinas e sol
o ano inteiro. No que pertine à Arqueologia, também temos o Parque
Nacional da Serra da Capivara - o mais importante Centro Arqueológico das
Américas. Aldo Coelho de Almondes Natal,
RN | | |