Edição 1891 . 9 de fevereiro de 2005

Índice
Lya Luft
Millôr
Diogo Mainardi
Tales Alvarenga
André Petry
Roberto Pompeu de Toledo
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
Radar
Holofote
Contexto
Veja essa
Gente
Auto-retrato
Datas
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos
 
 

Cartas

 

"O brasileiro gosta tanto de remédio que quando entra na farmácia recebe uma cestinha de supermercado. Logo virão carrinhos!"
Mario Alexandretti
Florianópolis, SC

Remédios

A lucidez foi a maior virtude da reportagem "A verdade sobre os remédios" (2 de fevereiro). Nesse assunto não há anjos nem demônios, há uma necessidade urgente de ação conjunta dos conselhos de medicina e farmácia, da Anvisa e dos ministérios da Saúde e da Educação. O Brasil é o paraíso da automedicação, da sobremedicação e da falta de fiscalização. A Anvisa é confusa em muitos dos critérios de registro de medicamentos e não fiscaliza a contento, enquanto os ministérios da Saúde e da Educação toleram o desenfreado crescimento de novas escolas médicas, muitas formadoras de médicos despreparados, presas fáceis do marketing industrial.
Raymundo Paraná
Professor livre-docente de hepatologia clínica da UFBA e pesquisador do CNPq
Por e-mail

A Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR) cumprimenta VEJA pela reportagem, que esclarece a população sobre o uso racional dos medicamentos. A SBR julga que, quanto mais informações são fornecidas ao paciente por instituições credenciadas, maior o conhecimento e melhor a comunicação entre o paciente e o médico.
Fernando Cavalcanti
Presidente da Sociedade Brasileira de Reumatologia
Por e-mail

Especificamente em relação ao aumento absurdo de medicamentos antidepressivos e outros de ação psicoativa, VEJA se referiu apropriadamente a essas "pílulas da felicidade", que, em uma aliança de interesses puramente comerciais que envolve médicos e laboratórios, procuram propagar efeitos duvidosos, resultados não comprovados e soluções fantasiosas a toda e qualquer problemática. Alguns remédios ajudam, mas não são nem de longe o que propagam, e sem o acompanhamento psicológico só fazem criar dependência e afastar a pessoa cada vez mais de si mesma.
Walmir Monteiro
Vassouras, RJ

Excelente a reportagem de capa "A verdade sobre os remédios". Senti falta, no entanto, de um importante grupo de medicamentos que não foi abordado e que causa problemas visuais e até cegueira em inúmeras pessoas: os colírios. A automedicação com colírios é alarmante no Brasil, e quando eles contêm corticóides e não têm indicação precisa podem causar glaucoma, catarata e até perfuração de córnea em casos de ceratite por herpes.
Doutor Levi Madeira
Médico oftalmologista
Fortaleza, Ceará

Senti falta dos anticoncepcionais, remédios, como é sabido, utilizados em larga escala pelas mulheres e, não raro, consumidos de forma indiscriminada e sem prévia orientação médica. Seria útil que VEJA também tratasse desses medicamentos, informando sobre seu uso correto e seus efeitos colaterais.
Clélya Maria de A.F. Bastos
Brasília, DF

É muito importante conhecer os possíveis efeitos colaterais de qualquer medicamento. Um dos mais importantes é o alto custo, principalmente para as classes menos privilegiadas. Um medicamento novo que realmente controle um problema clínico será comprado pelo paciente mesmo com sacrifício. O IPI, imposto sobre produtos industrializados, cobrado pelo governo central, e o ICMS, cobrado pelos governos estaduais, representam mais de 30% do custo do remédio. A indústria farmacêutica atesta que muitos medicamentos resultam de intensa pesquisa por vários anos. Essa seria a razão do custo elevado. Portanto, quanto mais caro o medicamento, maior o lucro do intermediário. Isso sem ter participado da pesquisa. Em muitos países, essa taxa não passa de 6%.
Haroldo Pinheiro
Professor de clínica médica da Uepa
Belém, PA

Cabe-nos esclarecer que os produtos originários da Índia e da China não são de "segunda linha", como afirma a reportagem. Matérias-primas têm nas especificações de farmacopéias (publicações oficiais) a sua identidade, e qualquer divergência significa a rejeição imediata do produto. Grande parte dos fabricantes de insumos desses países tem seus produtos aprovados pela FDA, dos Estados Unidos, e por outros órgãos de mercados altamente regulamentados, sendo que, além dos EUA, a Índia é um dos países que mais possuem produtos com a certificação da FDA. A própria Anvisa já visitou e aprovou muitas empresas nesses países. Cabe questionar a razão pela qual algumas empresas cobram 200 dólares por 1 quilo de tetraciclina, se poderiam vendê-lo por 10 dólares.
Helio S. Schwartzman
AB Farmo Química Ltda.
São Paulo, SP

Os médicos ficam satisfeitos em saber que a Anvisa está tomando providências em relação à fiscalização dos medicamentos "similares", mas chamo atenção para outro enorme problema, que são os medicamentos ditos "manipulados", não abordados na reportagem. As farmácias de manipulação não divulgam a origem de seus produtos nem a análise química completa que permitiu seu uso no Brasil e não têm inspeção regular de qualidade pela Anvisa. Pelos preços praticados por eles, ou não trabalham com as quantidades de substâncias prescritas pelo médico ou devem estar usando medicamentos de segunda linha.
Caio Moreira, reumatologista
Belo Horizonte, MG

 

Diogo Mainardi

Informamos que a mesa diretora da Câmara dos Deputados já autorizou a reforma de 144 apartamentos, no valor de 24 milhões de reais. A Câmara tem 432 apartamentos, dos quais 203 estão vagos e 229, ocupados. Como disse a Diogo Mainardi, a minha intenção, se eleito presidente da Casa, é vender em leilão público todos os apartamentos funcionais ("O maior problema do país", 2 de fevereiro).
José Carlos Aleluia
Líder do PFL na Câmara dos Deputados
Brasília, DF

A Embratur aproveita o artigo "O Brasil para os brasileiros" (26 de janeiro) para esclarecer que não apenas as praias brasileiras, as cidades históricas e os parques arqueológicos vêm atraindo cada vez mais turistas estrangeiros, como também diversos outros atrativos. O Brasil tem uma rica diversidade cultural, natural e étnica, aliada a uma infra-estrutura de qualidade, que vem melhorando desde a última década. Responsável pela promoção turística do país no exterior, a Embratur ampliou o leque e desde 2003 promove no mercado internacional mais dez produtos, além do tradicional Sol & Mar: Mergulho, Pesca Esportiva, Golfe, Ecoturismo, Aventura, Festas & Eventos Populares, Cidades Patrimônio, Resorts, Negócios & Eventos e Turismo de Incentivo. Os estrangeiros, quando chegam aqui, ficam surpresos com a diversidade da oferta turística e planejam retornar. Isso é o que revela uma pesquisa com visitantes internacionais em cidades brasileiras, realizada recentemente para o Plano Aquarela – Marketing Turístico Internacional do Brasil.
Adrian Alexandri
Gerente de comunicação da Embratur
Brasília, DF

 

Roger Federer

Gostaria de registrar minha agradável surpresa ao ler a entrevista com Roger Federer (Amarelas, 2 de fevereiro). VEJA conseguiu aproximar o leitor do tenista número 1 do mundo, permitindo-nos conhecer a vida de um atleta que, para a maioria das pessoas, é apenas uma grife. Espero que continuem assim, transformando o que parece um sonho – como o de fazer gols e correr para a torcida – em saborosas páginas amarelas.
Suzana Porto
Monteiro Lobato, SP

Mais uma vez VEJA inova e mostra grande competência ao entrevistar um grande ícone do esporte mundial, o tenista suíço Roger Federer, assim como já havia feito com o piloto alemão Michael Schumacher. É de extremo bom gosto VEJA entrevistar ídolos esportivos, pois quebra a rotina de só cobrir a política nas Páginas Amarelas. Além disso, pessoas que vencem no esporte têm de ser muito respeitadas e sempre têm algo a oferecer aos outros por tudo o que lutaram para chegar aonde estão.
Henrique Marcelo Moretti
Por e-mail

Roger Federer é a combinação inequívoca de profissionalismo com talento. Com certeza é o rei da raquete.
André Bernardes Dias
Brasília, DF

 

Luiza Helena Trajano

Como francana, fiquei orgulhosa ao ler a entrevista com Luiza Helena Trajano (Amarelas, 26 de janeiro). Há alguns anos, numa palestra sua, ouvi que temos de desenvolver nossa capacidade "fuçativa". Creio que essa frase é a fórmula do sucesso do Magazine Luiza, empresa onde todas as pessoas, independentemente de hierarquia, procuram as respostas em vez de esperar que elas venham prontas.
Márcia Maria Falleiros Rodrigues
Franca, SP

Meus cumprimentos a VEJA pelo excelente serviço-cidadão que presta à sociedade brasileira, e hoje, em especial, cumprimento pela matéria das Páginas Amarelas de 26 de janeiro. A entrevista dá oportunidade à empresária francana Luiza Helena Trajano para tornar visível seu trabalho na gerência das Organizações Magazine Luiza, todo ele cheio de competência, respeito e sentimento humanista.
Ary Pedro Balieiro
Vice-prefeito
Franca, SP

 

Carta ao leitor

Quero cumprimentar VEJA pelos comentários feitos sobre a importância de atacar as causas dos juros altos ("Os juros e a inflação", Carta ao leitor, 26 de janeiro). Por sinal, esse deveria ser o ponto em que os agentes pensantes e críticos deveriam concentrar atenção e análise. Este governo aparenta ser ingênuo e despreparado para "enfrentar" essas causas e resolvê-las. Entretanto, não posso concordar com os comentários que acham justa e necessária a taxa de juros oficial (Selic).
Ricardo Coube
Diretor regional do Ciesp de Bauru
Diretor-presidente da Tiliform Informática Ltda.
Bauru, SP

 

Cartas

Excelente a nota de redação de VEJA respondendo aos ministros ("Nota da redação", Cartas, 2 de fevereiro). Vale lembrar o que escreveu Gorbachev em seu livro Perestroika, 23ª edição, editora Best Seller, págs. 20/21: "As discussões científicas e teóricas, indispensáveis ao desenvolvimento do pensamento e ao esforço criativo, foram emasculadas (castradas). Tendências negativas semelhantes também influenciaram a cultura, as artes e o jornalismo, bem como os métodos de ensino e a medicina, onde a mediocridade, o formalismo e o panegírico retumbante vieram à tona". Não há dúvida sobre a necessidade de reformar primeiramente o ensino fundamental e o ensino médio, para não se nivelar por baixo o ensino superior. Parabéns a VEJA pela brilhante resposta.
Albérico Cony Cavalcanti
Professor universitário, filiado ao Partido dos Trabalhadores (PT)
Por e-mail

 

Auxílio-reclusão

O auxílio-reclusão, colocado na seção Cartas como um privilégio odioso do funcionalismo público, também é previsto no Regime Geral da Previdência Social (art. 80 da Lei nº 8.212/90) e abrange os trabalhadores da iniciativa privada, valendo lembrar que ele é devido aos dependentes do segurado, e não ao preso ("O auxílio-reclusão é federal!", 2 de fevereiro).
Mauro Teixeira da Silva
Rio de Janeiro, RJ

 

Governo

Assistindo ao discurso do senhor Lula em Davos, só faltou ele sugerir aos participantes um imposto mundial contra a fome. E olha que nessa área ninguém bate o atual governo do PT ("Elo entre dois mundos", 2 de fevereiro).
Zeno Brazuna
Por e-mail

É impressionante a falta de autocrítica do nosso presidente ao discursar no Fórum Econômico Mundial, em Davos. Ele deveria também olhar para o Fome Zero, tirá-lo do papel e mostrar ao mundo inteiro por meio da prática que é possível minimizar a fome, e não com um discurso barato que provavelmente não foi ele quem escreveu.
Alex Vilanova
Por e-mail

Creio que Brasília e o Brasil precisam de governos que imprimam a marca da utopia e da esperança para que, como defendeu o ministro Dulci, durante o Fórum Social, essa "nova utopia" não seja uma idéia apenas. Ela é, de fato, uma realidade que está sendo construída em ações como o Fórum Social, o orçamento participativo, a mobilização dos países do Sul para construir uma nova ordem mundial e a pressão para a reforma de instituições com a Organização das Nações Unidas.
Lafaiete Luiz do Nascimento
Águas Claras, DF

 

Diplomacia

Desde o primeiro momento em que tomou conhecimento do desaparecimento do senhor João José Vasconcellos Júnior, o Itamaraty procurou obter e analisar todas as informações possíveis, com vistas a adotar o curso de ação mais apropriado, mantendo-se em permanente contato com a empresa Norberto Odebrecht. Tão logo ficou mais clara a natureza do seqüestro, o Itamaraty tomou várias providências adicionais, continuando a utilizar os diversos canais de que dispõe e a acionar suas embaixadas e representações na região e junto a países que já haviam passado por situações semelhantes ou estivessem em posição de cooperar. Fez também um apelo humanitário em prol do senhor Vasconcellos Júnior e enviou à região o embaixador extraordinário para o Oriente Médio, Affonso Celso de Ouro-Preto, que já manteve contatos na Jordânia, Síria e Líbano. Em nenhum momento o Itamaraty deixou de agir com firmeza e determinação ("À espera de alguém que ajude", 2 de fevereiro).
Ricardo Neiva Tavares
Chefe da assessoria de imprensa do gabinete do ministro das Relações Exteriores
Brasília, DF

 

Remédios 2

Gostaria de dizer que o princípio ativo do Cellebra é o celecoxib (e não colecoxib). O Buscopan composto possui dois princípios ativos, sendo o segundo a dipirona. É o Buscopan não composto que contém somente N-butilescopolamina. Já atendi vários pacientes com algum grau de intolerância (ou mesmo alergia) à dipirona com reações adversas por ter utilizado Buscopan composto sem a devida ciência de seus componentes ("A verdade sobre os remédios", 2 de fevereiro).
Ícaro Alves de Alcântara
Médico
Brasília, DF

 

Reservas naturais

Gostaríamos de cumprimentar VEJA pela reportagem "Donos da natureza" (26 de janeiro). Ela contribui para o fortalecimento de iniciativas privadas que visam à conservação ambiental e à manutenção dessas riquezas para gerações futuras, independentemente do tamanho da área. Os recursos naturais só serão realmente conservados quando boa parte da população conhecer nossa diversidade biológica e os mecanismos de proteção desses remanescentes, que no Brasil estão em grande parte em posse de proprietários rurais de pequeno e grande portes
Eduardo Folley Coelho
www.repams.org.br
Campo Grande, MS

Na reportagem "Donos da natureza", é um equívoco dizer que a penicilina é fruto da medicina botânica. O antibiótico é derivado de um fungo: o Penicilium, descoberto por Alexander Fleming.
Wendel Franciso de Oliveira
Farmacêutico e bioquímico
Belo Horizonte, MG

 

Salto para trás

Sobre a reportagem "O grande salto para trás" (26 de janeiro), esclarecemos que todos os chefes de centros de pesquisa da Embrapa foram substituídos somente após cumprir o mandato de quatro anos e mesmo assim após processo de seleção transparente e no qual poderiam concorrer cientistas de todo o Brasil, processo esse conduzido por uma empresa privada. A diretoria da Embrapa não privilegiou a agricultura familiar em detrimento do agronegócio. Do orçamento total para custeio e investimentos de 2004, 61,7% foram destinados a projetos voltados para o aumento da competitividade do agronegócio; 5,9% para ações de transferência de tecnologia nas mais diversas áreas; 5,7% para atividades que visavam a promover a inclusão tecnológica de segmentos de produtores ainda não atingidos pelas pesquisas da Embrapa; e os 26,7% restantes foram para manutenção dos centros de pesquisa.
Paola Ligasacchi
Chefe da assessoria de comunicação social da Embrapa
Brasília, DF

 

Trânsito

Esclareço que sou favorável ao porte de extintores de incêndio em automóveis ("Uma cena raríssima", 19 de janeiro).
Celso Arruda
Professor da Faculdade de Engenharia Mecânica – Unicamp
Campinas, SP

 

Automóvel

Com relação à reportagem "Este é para valer" (19 de janeiro), o veículo com células a combustível não queima o hidrogênio, que sofre uma reação eletroquímica ao entrar em contato com partículas de platina depositadas em uma membrana plástica. A eletricidade gerada pelas células movimenta um motor elétrico, e este, as rodas. Não há combustão no processo. No diagrama do Sequel, onde está escrito "motores elétricos" na parte traseira é a bateria de íon-lítio. Os motores elétricos na região traseira estão localizados em cada roda.
Emilio Hoffmann Gomes Neto
Diretor executivo Brasil H2 Fuel Cell Energy
Curitiba, PR

 

 

AS ORELHAS DO BURRO

Os leitores reagiram às orelhas de burro colocadas
na capa da edição de
VEJA de 26 de janeiro


"Quem você colocaria entre as orelhas do burro?" (Nelson Assad); "Como cidadão, eu me sinto um pouco vestindo aquelas orelhas enormes." (Renato Skaf); "Deviam ter posto a imagem do sorridente burro do Shrek, identificando-o como mascote cultural do governo do PT." (Tarcisio Saraiva); "É salutar mostrar o pessoal da redação na capa." (Danilo Rocha); "O animal estampado na capa é mais inteligente e útil para os seres humanos do que muitos membros do atual governo." (Nivaldo Aparecido Medeiro); "Vivemos num país não de burros, mas de jumentos, mais tacanhos que aqueles." (José Eduardo Xavier); "Como dizia o nosso grande Luiz Gonzaga, o burro é quem trabalha, o burro é quem merece uma medalha." (Espedito Cardoso de Araújo); "A capa ficou fantástica! É bem a cara do Brasil (des)governado pelo PT do Lula." (Maria Amélia Lima)



A FOTO DA CARTA AO LEITOR


Reuters
Lula e Zapatero

Devido a uma falha no fluxo gráfico da revista, em um número considerável de exemplares de VEJA impressos na semana passada a seção Carta ao leitor foi publicada sem a foto (reproduzida acima) em que o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva cumprimenta o primeiro-ministro espanhol José Luis Rodríguez Zapatero. Pelo incidente, nos desculpamos com nossos assinantes, leitores e anunciantes.



"QUERO MEU ESPAÇO!"

Hugo Mauro Salles Junior, radicado em Belo Horizonte, observou que nenhum dos 142 comentários sobre o artigo "O Brasil para os brasileiros" (26 de janeiro), de Diogo Mainardi, foi publicado em Cartas (2 de fevereiro). "Falta de espaço?", pergunta Hugo. Com a publicação da carta assinada por Celso Amorim, Tarso Genro e Gilberto Gil e da resposta de VEJA aos ministros, os leitores perderam um bom naco de seu espaço. Mas a reação deles ao artigo de Mainardi pode ser vista abaixo:

Acredito que o colunista Mainardi presta um grande desserviço à imagem do Brasil, tentando desmoralizar o nosso povo e o nosso país, através das sandices que escreve semanalmente em VEJA; um desserviço maior do que aquele americano Larry Rohtter, que insiste em torpedear a nação brasileira. Como mineiro, natural de uma cidade histórica, não poderia ficar omisso perante o fato de Mainardi escrever, dentre outras aberrações, que as "nossas cidades históricas são um amontoado de casebres ordinários e igrejas com santos disformes". Nosso patrimônio histórico, religioso e cultural e, notoriamente, o do ciclo do barroco mineiro, merecem ser tratados de forma respeitosa. A Unesco, na contramão do que pensa o articulista, já concedeu o título de Patrimônio Cultural da Humanidade "ao amontoado de casebres" de Ouro Preto, dentre outros patrimônios brasileiros. Senhor Mainardi: o senhor deveria vender tudo o que possui, comprar dólares, ir para os EUA, naturalizar-se americano e passar, de forma oficial, ao lado de Larry Rhotter e companhia, a prestar seus serviços ao governo Bush, quem sabe escrevendo diariamente para o New York Times.
José Antônio de Ávila Sacramento
Presidente do Instituto Histórico e Geográfico de São João Del Rei
São João Del Rei, MG

Talvez seja ótimo que ele tire umas férias e vá viajar pelo Brasil; mas é claro, se não for ferir sua integridade moral, afinal só há turismo sexual no país. Também, ao viajar, peço que ele tenha cuidado com sua saúde física, pela falta de higiene em todos os estabelecimentos comerciais do Brasil. Tomadas todas as precauções, que desejo que ele curta o lindo visual de um mar azul e cristalino como o da praia do Silveira em SC, ou das lagoas de Natal, RN. Se sobrar um tempinho e sua estafante rotina de só falar mal dos outros, que ele visite a linda Arraial do Cabo. Também aconselho uma visita às deslumbrantes e límpidas cachoeiras brasileiras, desde a charmosa paulista de Boiçucanga e as lindas mineiras de São Tomé das Letras, até a exuberância da Chapada dos Guimarães, onde o povo mato-grossense, esbanjando simpatia, nos guia para uma paisagem cheia de araras e natureza sem igual. É, realmente tanta beleza não é recomendável ao jornalista. Ele deve estar mais acostumado ao cenário plastificado de seu programa, que bajula tanto os americanos que até nome importado tem. Vá, vá seu Diogo ter com seus companheiros de Manhattan Connection, aproveite e se mude para Nova York e deixe nós, os brasileiros, curtindo nossa natureza em paz, afinal não se devem dar pérolas aos porcos!
Fernanda Ferreira
São Paulo, SP

Diogo Mainardi peca em suas palavras, pois no afã de suas idéias termina por extrapolar semana sim outra também; ofendendo o que o brasileiro mais aprecia e mais enobrece, que é o nosso país, nossos estados, nossas regiões e nossa cultura, tão rica e singular que nem toda falta de estrutura denunciada por Mainardi a empobrece ou a denigre. Mainardi é brilhante em demonstrar as ruínas da política governamental brasileira, mas perde seu brilho quando atinge aqueles que como eu, que ama o nosso carnaval (samba, axé, frevo), ama nossos lindos mares (Noronha/PE, Porto de Galinhas/PE, Pipa/RN, Jericoaquara/CE, Barra Grande/AL, Itacaré/BA), e diferente dele consegue enxergar, curtir e aproveitar todas estas maravilhas que Deus nos deu. Só falta Mainardi pedir um tsunami para o Brasil.
Delmiro Campos
Recife, PE

Ridículo. Este é o único adjetivo que consegui encontrar para definir o artigo de Diogo Mainardi divulgado na "Veja" da semana passada. Será que ele conhece mesmo nosso país? Eu não sou daltônico e quando fui a Fernando de Noronha, a Jericoaquara (citando apenas duas de nossas mais bonitas praias), não enxerguei um mar turvo, desbotado, feio. E com um detalhe, já fui mais de uma vez, em diferentes estações e nunca me deparei com chuvas diretas. E quanto a nossas cidades históricas? Será que se Diamantina fosse um amontoado de casebres ordinários e igrejas com santos disformes teria sido proclamada "Patrimônio da Humanidade" pela Unesco? O Brasil é um país com um potencial turístico enorme, ainda inexplorado, praias maravilhosas, sem "tsunamis", sem terremotos, uma "Estrada Real" que pode se transformar num "Caminho de Santiago de Compostela", dentre outras atrações. Problemas, é claro que temos. Mas que também estão presentes em outros países com turismo desenvolvido, tal como a Itália, país de origem do Sr. Diogo, onde cito Veneza, que se trata de um esgoto a céu aberto. Por que ele não retorna ás suas origens, levando consigo toda sua amargura?
Carlos Geovane R. Queiroz
Belo Horizonte, MG

Com brilhantes e perspicazes observações, o Sr. Diogo Mainardi tornou-se meu porta-voz. Suas considerações em "O Brasil para os brasileiros" são contundentes e precisas, devendo chocar as mentes menos informadas e abertas, bem como as pessoas cegas pelo nacionalismo irracional. Por tudo que se tem propalado , exaltado e enaltecido no Brasil, este país se converteu numa grande farsa.
Marco Aurelio Agarie
São Paulo, SP


Aduzir que o nosso mar "é feio. Turvo. Desbotado...Chove o ano todo. Não temos ruínas arqueológicas..." é demonstrar, no mínimo, ignorância em relação às nossas belezas. Conheça o Nordeste, Sr. Mainardi. Aqui temos belíssimas praias, com mar azul, dunas magníficas, deltas, lagoas cristalinas e sol o ano inteiro. No que pertine à Arqueologia, também temos o Parque Nacional da Serra da Capivara - o mais importante Centro Arqueológico das Américas.
Aldo Coelho de Almondes
Natal, RN

 
 
 
 
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