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Carta ao leitor
Uma paixão nacional

| | Capas de VEJA sobre novelas: a primeira é
de 1969 |
Quando um
fenômeno televisivo atrai a atenção diária de 45 milhões
de brasileiros, ele se torna assunto até para uma revista como VEJA. A
atual novela das 8 da Rede Globo, Senhora do Destino, tema da reportagem
especial que começa na página
58, é justamente uma dessas raras experiências coletivas
que durante algum tempo magnetizam o país e deixam especialistas especulando
sobre as razões de tão intenso e fugaz sucesso. Os capítulos
de Senhora do Destino vêm atingindo uma audiência em que oito
de cada dez televisores ficam sintonizados em sua trama. É o mais alto
índice de audiência alcançado regularmente por uma novela
na história da televisão brasileira.
A primeira reportagem de capa de VEJA sobre uma novela foi publicada em 1969,
quando a revista ainda não tinha um ano de vida e Beto Rockfeller eletrizava
os telespectadores. Um quadro da reportagem informava ao leitor que existiam então
cerca de 3,5 milhões de televisores no Brasil e que 9 milhões de
pessoas tinham o hábito de acompanhar diariamente os folhetins cerca
de 10% da população nacional. A intelectualidade, sem perceber o
alcance do novo gênero, quase que unanimemente o considerava desimportante
para merecer a atenção acadêmica ou mesmo de VEJA, que nascia
sob o signo da investigação jornalística séria e profunda,
características que fariam dela a maior revista do país e uma das
quatro de maior circulação do mundo.
Inúmeras outras vezes as novelas deram a oportunidade aos jornalistas de
VEJA de ir além dos roteiros para discutir os hábitos culturais
dos brasileiros, a situação social e política do país
e assuntos comportamentais, como o homossexualismo e o abuso de drogas. O tarimbado
repórter de televisão Ricardo Valladares foi destacado por VEJA
para decifrar os segredos do sucesso de Senhora do Destino. Ele acompanhou
as gravações nos estúdios, conversou com atores e sentiu
o clima nos bastidores. Valladares relata que Senhora do Destino fascina
por ser uma espécie de compêndio dos recursos mais eficientes já
testados por gerações de autores no decorrer de mais de quarenta
anos dessa ficção tipicamente brasileira. |