A dama ressurge
Sucesso
da minissérie A
Muralha
traz à tona
a autora Dinah
Silveira de Queiroz
Isabela Boscov
Livros que são
adaptados para a televisão vão parar, quase
infalivelmente, nas listas dos mais vendidos. É esse
o caso de A Muralha, de Dinah Silveira de Queiroz.
O acontecimento merece ser saudado nem tanto por causa da
obra, um tanto datada em seu estilo rebuscado, mas por trazer
à tona a autora, uma figura curiosa da cultura brasileira
no século XX. Nos anos 40 e 50, a escritora paulista
chegou a ser uma das mais vendidas do Brasil, ao lado dos
hoje consagrados Jorge Amado e Érico Veríssimo.
Seu livro de estréia, Floradas na Serra, publicado
em 1939, quando a escritora tinha apenas 29 anos, foi um
best-seller instantâneo, que teve diversas edições
esgotadas posteriormente e virou filme. A Muralha,
publicada originalmente em capítulos pela revista
O Cruzeiro, em 1954, e depois em livro, repetiu o
sucesso editorial de suas obras anteriores.
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Antes de virar minissérie
da Globo, ganhou várias versões para o rádio
e, no final dos anos 60, virou novela de TV, numa adaptação
assinada por Ivani Ribeiro e estrelada por Fernanda Montenegro
e Nathalia Timberg. É fácil entender por que
os livros de Dinah vão parar com tanta facilidade
nas telas, no rádio e na televisão. Seus enredos
são repletos de movimento, e há várias
sugestões sexuais, embora a escritora mantenha o
decoro na linguagem.
Dinah: best-seller nos
anos 40 e 50 |
Dinah não era
uma mocinha ingênua e indecisa como suas heroínas.
Segundo o acadêmico Antonio Olinto, amigo da escritora,
ela era uma mulher refinada, "com ares de dama paulista",
e fazia grande sucesso em sociedade. Um ponto de destaque
da biografia de Dinah é que ela foi a primeira mulher
a pleitear uma vaga na Academia Brasileira de Letras. Sua
inscrição, em 1970, foi rechaçada pelo
presidente da entidade na época, Austregésilo
de Athayde, com base no regimento da ABL. Tal fato provocou
uma polêmica nacional que levou a uma mudança
no regulamento da casa. A primeira a se beneficiar da mudança
foi Rachel de Queiroz, parente distante de Dinah, eleita
para a academia em 1977. Só em 1980 a autora de A
Muralha ganharia uma cadeira, mas teve pouco tempo para
saborear a glória. Morreu em 1982, de câncer.