A careca e o
infarto
Pesquisa
mostra que a falta de cabelo é
indício
de risco para males do coração
Sandra
Boccia
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aos carecas. Não bastasse o desespero estético
com a cabeleira minguante, a perda de cabelo é
uma ameaça ao coração. Ou melhor:
um sinal visível de ameaça. A probabilidade
de um calvo vir a sofrer infarto é superior
à de um cabeludo, revela um estudo da Universidade
Harvard publicado na última edição
da revista Archives of Internal Medicine, uma
das publicações médicas mais
respeitadas do mundo. O perigo pode ser maior ou menor,
dependendo da região da cabeça em que
os fios faltam. Quanto mais a calvície avança
em direção ao cocuruto, pior. Um deserto
capilar como o do ator Raul Cortez quadruplica os
riscos de doenças cardíacas quando comparado
a entradas na linha da testa como as do presidenciável
Ciro Gomes. A calvície é um indício
de predisposição a problemas coronários
tal qual o colesterol alto ou a hipertensão,
diz o cardiologista Paulo Lotufo, do Hospital das
Clínicas de São Paulo, um dos cinco
autores da pesquisa.
| Ligações
perigosas |
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Os riscos
de infarto aumentam 3 vezes se o calvo tem colesterol
alto e 2 vezes se ele sofre de hipertensão
Fonte:
Archives of Internal Medicine
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Desde a década
de 50, suspeitava-se da relação entre
a escassez de cabelo e os males do coração.
O trabalho de Harvard, no entanto, foi o primeiro
a determinar os riscos com base nos diferentes tipos
de calvície. Nunca se havia estudado por tanto
tempo e tão minuciosamente o assunto como agora.
Por onze anos, os médicos acompanharam 19 112
homens, entre 40 e 84 anos. Ao término da pesquisa,
cerca de 1.500 tinham sido vítimas de algum
problema cardíaco de crises de angina
a infarto. Deles, 62% eram carecas. Com os dados em
mãos, os especialistas traçaram o perfil
dos calvos mais ameaçados pelas doenças
coronárias.
Apesar da evidência
do vínculo entre não ter cabelo e apresentar
propensão a infarto, a ciência ainda
não conseguiu determinar claramente os motivos
dessa coincidência. A grande vilã, apostam
os cardiologistas, é a testosterona, o hormônio
masculino por excelência aquele que faz
com que os homens falem mais grosso que as mulheres
e produzam espermatozóides, entre outras funções.
Como a substância acelera o envelhecimento do
couro cabeludo, quanto maior a taxa do hormônio,
mais extensa é a devastação capilar.
Ou seja, os calvos têm testosterona de sobra.
Por um lado é bom. Eles não sofrem tanto
de alguns sintomas da velhice, como a inapetência
sexual. Em abundância, entretanto, o hormônio
aumenta a pressão arterial e diminui a concentração
de HDL no sangue, o colesterol bom, aquele que impede
a formação e o acúmulo de placas
de gordura nas artérias coronárias
duas das principais ameaças ao coração.
Ao contrário
das mulheres, que na menopausa param de sintetizar
os hormônios tipicamente femininos, os homens
sempre produzem testosterona. A partir dos 40 anos
há uma queda na fabricação do
hormônio, mas nunca a interrupção.
Sua produção é determinada por
herança genética. Quem está programado
para ser careca começa a perder o cabelo por
volta dos 20 anos. Aos 35, de cada dez homens, quatro
ostentam vazios reluzentes sobre a cabeça.
Aliada a esses conhecimentos, a descoberta dos médicos
de Harvard é mais uma arma na prevenção
do infarto, cujas vítimas no Brasil somam 150.000
todos os anos. É impossível alterar
o que veio pronto, estabelecido pelos genes, mas dá
para controlar os outros fatores de risco para as
doenças cardíacas. Largar o cigarro,
fugir de comidas gordurosas, não abusar do
álcool, praticar exercícios físicos
e evitar a obesidade é a melhor estratégia
em busca de um coração saudável.
Todos estão carecas de saber até
os cabeludos.
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Domingues
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A
menos danosa
As entradas na linha
da testa indicam riscos de ataque do coração.
Comparadas às outras carecas, no entanto,
são as menos nocivas. Homens com a cabeça
do presidenciável Ciro Gomes, de 42 anos,
têm 9% de probabilidade de sofrer problemas
cardíacos.
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Ricardo Fasanello/Strana
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A grande ameaça
O ator Raul
Cortez, de 68 anos, ostenta a calvície
do tipo coroa o topo da cabeça
liso, ladeado por algumas mechas de cabelo.
Carecas
como ele devem tomar cuidado: o
aumento do risco de distúrbios cardiovasculares
chega a 36%
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Perigo
à vista
Um vazio
no cocuruto, com um tufo de cabelo na fronte,
deve servir como sinal de alerta. Os donos da
chamada calvície moderada, a exemplo
do cineasta americano Woody Allen, de 64 anos,
correm 23% mais riscos que os cabeludos
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Risco
acentuado
A calvície
se alastra e as ameaças aumentam. Aos
41 anos, o príncipe Albert, de Mônaco,
pertence a um grupo de calvos de alto risco.
A "careca de padre" eleva em 32% a possibilidade
de doenças nas coronárias
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