Edição 1 635 - 9/2/2000

VEJA esta semana

Brasil
Internacional
Geral
Os órfãos da Aids
Atendimento com jeito de Primeiro Mundo
O sertão nordestino na Pré-História
Chega ao Brasil o gel que promete dissolver a cárie
Estado terá megaresort em estilo caribenho
Macacos brasileiros podem desaparecer
Instituto descobre falhas nas terapias genéticas
Pesquisas mostram relação entre calvície e infarto
Frutas da Amazônia na sobremesa
O fim da assinatura
A disparada do salário de Rincón
Economia e negócios
Guia
Artes e Espetáculos
Colunas
Roberto Campos
Sérgio Abranches
Diogo Mainardi
Roberto Pompeu de Toledo
Seções
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
Radar
Contexto
Holofote 
Veja essa
Notas internacionais
Hipertexto
Gente
Datas
Cotações
Veja recomenda

Banco de Dados 

Para pesquisar digite uma ou mais palavras no campo abaixo. 


 

Marcados para morrer

O Brasil tem 26 espécies de primatas que
podem desaparecer nos próximos anos

A medida que o homem degrada o meio ambiente, nossos mais próximos parentes no mundo animal, os macacos, estão sendo empurrados contra a parede, da mesma forma que milhares de outras espécies. Há três semanas, a organização não governamental americana Conservation International, CI, divulgou uma lista com as 25 espécies de primatas mais ameaçadas do planeta. A pesquisa, publicada pela revista americana Time, coloca gorilas africanos, orangotangos asiáticos e cinco espécies que vivem no Brasil entre os sentenciados à morte. Um estudo mais detido da fauna brasileira mostra que o problema por aqui é ainda mais grave. O Brasil tem a maior diversidade de primatas do mundo. Aqui vivem 77 espécies, mais do que o dobro da diversidade encontrada na República Democrática do Congo, o segundo país do mundo em variedade de primatas. Um terço está na lista oficial de animais ameaçados de extinção do Ibama.

As razões que estão empurrando os primatas brasileiros para o corredor da morte são muitas. Na época do descobrimento, a Mata Atlântica cobria mais de 1 milhão de quilômetros quadrados. Hoje restam menos de 8% desse total. É cruel. Os animais definham, procriam num ritmo mais lento e morrem por falta de alimentos e de água. Na Amazônia, os efeitos da destruição da floresta estão apenas começando a ser sentidos. Outro fator que acelera a extinção é a caça, tanto para servir de alimento, no caso das espécies maiores, como para animal de estimação, no caso das menores. Diante desse quadro, é até surpreendente que nos últimos 100 anos nenhum primata tenha sido extinto num mundo tão degradado que provoca o desaparecimento de 100 espécies a cada dia. No atual ritmo de desmatamento, dificilmente os macacos terão a mesma sorte neste século que começa.

 

MICO-LEÃO-DOURADO

Onde vive: Noroeste do Rio de Janeiro
É o mais famoso dos animais ameaçados pela destruição da Mata Atlântica. Só restam 900 na natureza.

MACACO-PREGO-DO-PEITO-AMARELO

Onde vive: Sudeste da Bahia
É ameaçado pela transformação da região cacaueira em pastagens. Estima-se que cinqüenta restem na natureza.

SAGÜI-DA-SERRA

Onde vive: Espírito Santo e Minas Gerais
Já ocupou o norte do Rio de Janeiro. Hoje, está restrito a poucas florestas acima de 400 metros de altitude.

CUXIÚ-DE-NARIZ-BRANCO

Onde vive: Amazonas e Mato Grosso
Espalhado por uma área grande da Amazônia, é muito vulnerável à ação do homem no meio ambiente.

CUXIÚ-DE-COSTAS CINZA

Onde vive: Entre os rios Araguaia e Xingú, no Pará
Anda em grupos de trinta indivíduos, o que facilita sua caça para servir de alimento.

UACARI-BRANCO

Onde vive: Entre os rios Solimões e Japurá, no Amazonas
Vive em grupos de cinqüenta animais que percorrem até 6 quilômetros por dia.

UACARI-PRETO

Onde vive: Norte do Rio Solimões, no Amazonas
Espécie barulhenta muito afetada pela caça.

MURIQUI

Onde vive: São Paulo e Minas Gerais
Maior primata da América, resistiu ao desmatamento por sua capacidade de adaptação. Restam apenas 1 200 indivíduos na natureza.

MACACO-ARANHA

Onde vive Norte do Rio Amazonas
Habita o topo das árvores pendurando-se nos galhos com o rabo.

SAGÜI-DA-SERRA-ESCURO

Onde vive: São Paulo e sul de Minas Gerais
Era abundante na região onde hoje está a cidade de São Paulo.

MICO-LEÃO-DA-CARA-PRETA

Onde vive: Litoral norte do Paraná
Por pouco esta espécie não desaparece antes de ser descoberta. Foi descrita em 1990. Restam 500 indivíduos.

SAGÜI-DE-SANTARÉM

Onde vive: Entre os rios Madeira e Tapajós, na Amazônia
Sofre com o desmatamento para formação de pastagens.

PARAUACU-BRANCO

Onde vive: Região de Tefé, no Amazonas
Evita a vegetação baixa e vive sempre acima de 15 metros do chão.

MICO-DE-CHEIRO-DE-CABEÇA-PRETA

Onde vive: Foz do Rio Japurá, no Amazonas
É caçado para venda como animal doméstico.

CUXIÚ-PRETO

Onde vive: Norte do Pará
A hidrelétrica de Tucuruí inundou 70% de seu habitat.

SAGÜI-IMPERADOR

Onde vive: Acre e Rondônia
Espécie difícil de ser vista na floresta. Entra na lista pela falta de informações sobre sua população.

MICO-LEÃO-DA-CARA-DOURADA

Onde vive: Sudeste da Bahia
É muito afetado pelo tráfico de animais silvestres. Estima-se que existam 600 na natureza.

SAGÜI-BRANCO

Onde vive: Pará
Habita a margem direita do Rio Tapajós e anda em grupos de dez indivíduos em média. É caçado e vendido como animal doméstico.

SAGÜI-BICOLOR

Onde vive: Região metropolitana de Manaus
Suas chances de resistir diminuem com o crescimento da cidade.

CALIMICO

Onde vive: Acre
É encontrado em áreas próximas de bambuzais e longe de terras alagadiças ou grandes rios. Não sobrevive em habitat diferente.

MACACO-BARRIGUDO

Onde vive: Amazonas
Vive no alto das árvores e raramente vem ao chão. Por ser grande, é caçado para servir de alimento.

GUARIBA-PRETO

Onde vive: Pará, Maranhão e Paraíba
A população da Amazônia está protegida pela vastidão da floresta. No Nordeste, está quase extinta pela devastação da Mata Atlântica.

BUGIO

Onde vive: Sul da Bahia
Habitava desde a Bahia até o Rio Grande do Sul. A destruição da Mata Atlântica o empurrou para as poucas áreas ainda preservadas.

MICO-LEÃO-PRETO

Onde vive: Sul do Rio Tietê, em São Paulo
Os 900 indivíduos desta espécie que ainda resistem estão restritos a áreas de conservação.

SAUÁ

Onde vive: Sudeste da Bahia e Nordeste de Minas Gerais
Espécie que se comunica por gritos. Está em perigo por causa da devastação da Mata Atlântica.

MACACO-ARANHA-MARROM

Onde vive: Fronteira com Colômbia e Venezuela
Animal grande que vive no coração da Floresta Amazônica. É caçado para servir de alimento.

 

Fontes: Ibama, Renctas, Instituto Pau Brasil, CI, Centro de Primatologia do Rio de Janeiro e livro Primatas do Brasil, de Paulo Auricchio

Fotos: Russel Mittermeier/Paulo Jares/Daniela Dacorso/Zig Koch/
Dorival Elze/Paulo Auricchio/Mário leite/A. Pissinatti.