A medida que o homem degrada o meio ambiente, nossos mais
próximos parentes no mundo animal, os macacos, estão
sendo empurrados contra a parede, da mesma forma que milhares
de outras espécies. Há três semanas,
a organização não governamental americana
Conservation International, CI, divulgou uma lista com as
25 espécies de primatas mais ameaçadas do
planeta. A pesquisa, publicada pela revista americana Time,
coloca gorilas africanos, orangotangos asiáticos
e cinco espécies que vivem no Brasil entre os sentenciados
à morte. Um estudo mais detido da fauna brasileira
mostra que o problema por aqui é ainda mais grave.
O Brasil tem a maior diversidade de primatas do mundo. Aqui
vivem 77 espécies, mais do que o dobro da diversidade
encontrada na República Democrática do Congo,
o segundo país do mundo em variedade de primatas.
Um terço está na lista oficial de animais
ameaçados de extinção do Ibama.
As razões que estão empurrando os primatas
brasileiros para o corredor da morte são muitas.
Na época do descobrimento, a Mata Atlântica
cobria mais de 1 milhão de quilômetros quadrados.
Hoje restam menos de 8% desse total. É cruel. Os
animais definham, procriam num ritmo mais lento e morrem
por falta de alimentos e de água. Na Amazônia,
os efeitos da destruição da floresta estão
apenas começando a ser sentidos. Outro fator que
acelera a extinção é a caça,
tanto para servir de alimento, no caso das espécies
maiores, como para animal de estimação, no
caso das menores. Diante desse quadro, é até
surpreendente que nos últimos 100 anos nenhum primata
tenha sido extinto num mundo tão degradado que provoca
o desaparecimento de 100 espécies a cada dia. No
atual ritmo de desmatamento, dificilmente os macacos terão
a mesma sorte neste século que começa.
 |
MICO-LEÃO-DOURADO
Onde vive:
Noroeste do Rio de Janeiro
É
o mais famoso dos animais ameaçados pela destruição
da Mata Atlântica. Só restam 900 na natureza.
|
|
|
MACACO-PREGO-DO-PEITO-AMARELO
Onde vive: Sudeste
da Bahia
É
ameaçado pela transformação da
região cacaueira em pastagens. Estima-se que
cinqüenta restem na natureza.
|
|
|
SAGÜI-DA-SERRA
Onde vive: Espírito
Santo e Minas Gerais
Já ocupou o
norte do Rio de Janeiro. Hoje, está restrito
a poucas florestas acima de 400 metros de altitude.
|
|
|
CUXIÚ-DE-NARIZ-BRANCO
Onde vive:
Amazonas e Mato Grosso
Espalhado por uma
área grande da Amazônia, é muito
vulnerável à ação do homem
no meio ambiente.
|
|
|
CUXIÚ-DE-COSTAS
CINZA
Onde vive:
Entre os rios Araguaia e Xingú, no Pará
Anda em grupos de
trinta indivíduos, o que facilita sua caça
para servir de alimento.
|
|
|
UACARI-BRANCO
Onde vive:
Entre os rios Solimões
e Japurá, no Amazonas
Vive em grupos de
cinqüenta animais que percorrem até 6
quilômetros por dia.
|
|
|
UACARI-PRETO
Onde vive:
Norte do Rio Solimões,
no Amazonas
Espécie
barulhenta muito afetada pela caça.
|
|
|
MURIQUI
Onde vive:
São Paulo e Minas Gerais
Maior
primata da América, resistiu ao desmatamento
por sua capacidade de adaptação. Restam
apenas 1 200 indivíduos na natureza.
|
|
|
MACACO-ARANHA
Onde vive
Norte do Rio Amazonas
Habita
o topo das árvores pendurando-se nos galhos
com o rabo.
|
|
|
SAGÜI-DA-SERRA-ESCURO
Onde vive: São
Paulo e sul de Minas Gerais
Era abundante na região
onde hoje está a cidade de São Paulo.
|
|
|
MICO-LEÃO-DA-CARA-PRETA
Onde vive: Litoral
norte do Paraná
Por pouco esta espécie
não desaparece antes de ser descoberta. Foi
descrita em 1990. Restam 500 indivíduos.
|
|
|
SAGÜI-DE-SANTARÉM
Onde vive:
Entre os rios Madeira e Tapajós,
na Amazônia
Sofre com o desmatamento
para formação de pastagens.
|
|
|
PARAUACU-BRANCO
Onde vive:
Região de Tefé,
no Amazonas
Evita a vegetação
baixa e vive sempre acima de
15 metros do chão.
|
|
|
MICO-DE-CHEIRO-DE-CABEÇA-PRETA
Onde vive:
Foz do Rio Japurá, no
Amazonas
É caçado
para venda como animal doméstico.
|
|
|
CUXIÚ-PRETO
Onde vive:
Norte do Pará
A hidrelétrica
de Tucuruí inundou 70% de seu habitat.
|
|
|
SAGÜI-IMPERADOR
Onde vive:
Acre e Rondônia
Espécie difícil
de ser vista na floresta. Entra na lista pela falta
de informações sobre sua população.
|
|
|
MICO-LEÃO-DA-CARA-DOURADA
Onde vive:
Sudeste da Bahia
É
muito afetado pelo tráfico de animais silvestres.
Estima-se que existam 600 na natureza.
|
|
|
SAGÜI-BRANCO
Onde vive: Pará
Habita
a margem direita do Rio Tapajós e anda em grupos
de dez indivíduos em média. É
caçado e vendido como animal doméstico.
|
|
|
SAGÜI-BICOLOR
Onde vive:
Região metropolitana
de Manaus
Suas chances de resistir
diminuem com o crescimento da cidade.
|
|
|
CALIMICO
Onde vive:
Acre
É
encontrado em áreas próximas de bambuzais
e longe de terras alagadiças ou grandes rios.
Não sobrevive em habitat diferente.
|
|
MACACO-BARRIGUDO
Onde
vive: Amazonas
Vive
no alto das árvores e raramente vem ao chão.
Por ser grande, é caçado
para servir de alimento.
GUARIBA-PRETO
Onde
vive: Pará, Maranhão
e Paraíba
A
população da Amazônia está
protegida pela vastidão da floresta. No Nordeste,
está quase extinta pela devastação
da Mata Atlântica.
BUGIO
Onde
vive: Sul da Bahia
Habitava desde a Bahia
até o Rio Grande do
Sul. A destruição da
Mata Atlântica o empurrou para
as poucas áreas ainda preservadas.
MICO-LEÃO-PRETO
Onde
vive: Sul do Rio Tietê,
em São Paulo
Os
900 indivíduos desta espécie que ainda
resistem estão restritos a áreas de
conservação.
SAUÁ
Onde
vive: Sudeste da Bahia e
Nordeste de Minas Gerais
Espécie que
se comunica por gritos. Está
em perigo por causa da devastação
da Mata Atlântica.
MACACO-ARANHA-MARROM
Onde
vive: Fronteira com Colômbia
e Venezuela
Animal
grande que vive no coração
da Floresta Amazônica. É
caçado para servir de alimento.
Fontes: Ibama, Renctas,
Instituto Pau Brasil, CI, Centro de Primatologia do
Rio de Janeiro e livro Primatas do Brasil,
de Paulo Auricchio
Fotos: Russel Mittermeier/Paulo
Jares/Daniela Dacorso/Zig Koch/
Dorival Elze/Paulo Auricchio/Mário leite/A.
Pissinatti.
|