Edição 1 635 -9/2/2000

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"Enganam-se os nacionalistas tupiniquins ao imaginar que a ameaça do capital estrangeiro é real: são dólares."

Jodilson Argôlo
jargolo@ig.com.br

Capital estrangeiro

A reportagem de capa desta semana mostra de forma cristalina a receita de sucesso dos investimentos estrangeiros no país, e como é exagero e alarme falso a preocupação de alguns xenófobos ("Chuva de dólares", 2 de fevereiro).
Leopoldo Dias Vieira Barretto
São Paulo, SP

Vendo a capa da VEJA posso concluir que, no mundo globalizado de hoje, as potências estão se reunindo, formando um só predador, cujas presas sempre são os países mais fracos, no caso do Brasil, o retardatário.
Priscila da Costa

Volta Redonda, RJ

 

Ponto de vista

Achei muito bom o artigo "Banheiros e desenvolvimento" (2 de fevereiro). Realmente é fundamental que tenhamos mais atenção com nosso próprio nariz (e banheiros). Acredito que seríamos mais felizes, sem pensar no resto, se tivéssemos mais cuidado com o jardim de nossa casa, sem falar no prazer que isso nos dá. Em um mundo cada vez mais globalizado, parece simplista falar de ordem na mesa de trabalho, mas certamente este será o primeiro passo para conquistas cada vez maiores!
Tania Bertoluci de Souza
Porto Alegre, RS

 

Radar

Li na seção Radar na nota "Chance perdida" (26 de janeiro) que "um neoliberal conhecido" demonstra que as "fábricas Votorantim" perdem dinheiro, já que o patrimônio líquido não evolui. A culpa é atribuída ao nosso "neonacionalismo", que não nos deixa embarcar na "onda global". É curioso como o progresso e o bem-estar das indústrias Votorantim preocupam tanta gente. Volta e meia recebemos, direta ou indiretamente, conselhos, orientação e avisos de gente bem-intencionada, a título de colaboração desinteressada. Outras vezes recebemos "palpites", acusações inverídicas, aleivosias gratuitas e muitas vezes um indisfarçável desejo de simplesmente detratar. Agradecemos as colaborações, esclarecemos as dúvidas e rechaçamos as aleivosias. É que nos orgulhamos de ser nacionalistas, sim. É que ainda não nos acostumamos à cavação "global" e ainda vemos nela uns traços de George Orwell, cujo verdadeiro 1984 ainda está por acontecer. É claro que dinheiro interessa. Mas não é tudo. Queremos progredir como sempre progredimos: com trabalho, sem golpes; olhando antes o interesse do país e depois o nosso; indo bem quando o Brasil vai bem, apertando-nos quando há tempos maus. Desta vez o "conhecido neoliberal" palpiteiro errou redondamente. Se ele vê estagnação nas indústrias Votorantim é prova mais que suficiente de que ou não sabe ler balanços ou seu íntimo e mal disfarçado desejo lhe deturpa a visão. Continuaremos com a nossa diretriz de progredir com segurança, dentro de nossas fronteiras, proporcionando, na medida do possível, bens básicos para o progresso do país e trabalho digno para o nosso povo.
Antônio Ermírio de Moraes
São Paulo, SP

Nenhuma auditoria na Petros constatou prejuízo de 200 milhões de reais na gestão anterior. É provável que uma leitura apressada do balanço de 1999 tenha causado uma ilusão de óptica à fonte da notícia. No balanço, a Petros provisionou, em uma atitude preventiva, 178 milhões de reais (valor acumulado desde 1998) para cobrir eventuais prejuízos que se configurem em todas as suas operações (Radar, 2 de fevereiro).
Carlos Flory
Presidente da Petros
Rio de Janeiro, RJ

 

Receita Federal

A matéria "Multa na turma" (2 de fevereiro) nos coloca na vala comum dos que abusam de suas prerrogativas e de seu poder para chafurdar em privilégios e não cita que prestei contas ao Ministério Público, que reconheceu que a verba de gabinete não pode ser tratada como rendimento. Desafio a Receita ou qualquer mídia a encontrar em minha história ou em meu patrimônio qualquer ato que me desabone. A Receita agiu covardemente. Para não atingir os ladrões que meteram a mão no dinheiro público, resolveu multar a todos indistintamente. Contesto a Receita quanto à cobrança de valores os quais jamais usufrui, mas que engordaram os bolsos de certos políticos e equiparam os porões do crime organizado, fatos para os quais parece que se faz vista grossa.
Senadora Heloísa Helena
Brasília, DF

 

Rio de Janeiro

O Projeto Pnud/IMO-82/010 – Prevenção, Controle e Combate à Poluição Marinha na Costa Brasileira, que tive a oportunidade de dirigir de 1982 a 1983, já previa naquele tempo a possibilidade de ocorrência desses acidentes. Executado com apoio institucional do Pnud e apoio técnico da Organização Marítima Internacional, o projeto contou com grande equipe nacional e internacional, além da atuação da Sema (atual Ibama), da Cetesb e da Petrobras. O projeto "morreu na praia" por falta de continuidade administrativa do governo federal. A solução é fácil: auditoria ambiental em todas as instalações, licenciamento, análise de riscos, remanejamento de instalações e profissionalismo da atividade pública, colocando o Ibama na condição técnica e operacional da Agência Canadense de Meio Ambiente. Do contrário, nosso esforçado ministro Sarney Filho continuará a ter úlcera, pois não tenho a menor dúvida de que outros acidentes acontecerão ("A polícia persegue os seios... enquanto na orla...", 26 de janeiro).
Arnaldo Augusto Setti
Brasília, DF

 

DIRETO DE

O Fórum de Debates de VEJA na internet perguntou na semana passada: Capital estrangeiro: ameaça? Veja o que responderam alguns leitores:

"Precisamos de investimentos (independentemente de onde venham) e nossa economia tem-se mostrado ineficaz para promovê-los."
Paulo de Luna Freire
luna-freire@uol.com.br
Campinas, SP

"Quando o país não tem poupança para investir e há necessidades enormes de investimento na produção, não importa a origem do capital."
Telêmaco
tecnico@rodoviariolider.com.br
Muriaé, MG

"Se analisarmos as políticas de subsídios e de defesa de seus mercados adotadas pelos países estrangeiros, veremos claramente a falácia da propalada internacionalização dos mercados."
Francisco Malta Cardozo
alpesagr@uol.com.br

"Acho engraçado agora, após anos de ineficiência gerencial, a gritaria contra o dinheiro de fora."
Claudio Moreira e Silva
cmesilva@uol.com.br
Rio de Janeiro, RJ

"O que me preocupa é que nos encontramos às vésperas de completar 500 anos e novamente estamos sendo invadidos, e desta vez não são os portugueses."
Nilton Zupa
nzupa@uol.com.br
Ourinhos, SP

"O capital estrangeiro aqui no Tio Sam é em geral bem-vindo, seja de caráter 'especulativo' ou investimento direto. O Brasil precisa muito do investimento externo, para se desvencilhar ainda mais do modelo estatal-protecionista."
Eduardo Gil
megil@gsbpop.uchicago.edu
Chicago, Illinois, EUA

"O capital estrangeiro investido para produzir no Brasil é bem-vindo, porém aquele que só é colocado aqui para especular ou para ser aplicado no tráfico de drogas deve ser banido."
Flavio José M. Job
flaviojob@uol.com.br
Porto Alegre, RS

 

CORREÇÃO: Diferentemente do que foi publicado na seção Datas (12 de janeiro), o nome de uma das três filhas do navegador Amyr Klink e de Marina Bandeira é Tamara, e não Lina.

 

 

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