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Edição 2042

9 de janeiro de 2008
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CINEMA

Alvin e os Esquilos (Alvin and the Chipmunks, Estados Unidos, 2007. Desde sexta-feira em cartaz no país) – Transplantados de sua floresta para Los Angeles, três esquilos invadem a casa de Dave Seville (Jason Lee) no pior momento. Sua carreira de compositor foi para o brejo antes mesmo de começar, ele perdeu o emprego e, para completar, ainda tem de tomar conta do despachado Alvin, do cerebral Simon e do atrapalhado Theodore, que acham que ele é seu pai adotivo. E, quando Dave diz que conversa com esquilos, passa por louco, naturalmente. O trio, porém, canta que é uma beleza. Inspirado em suas vozinhas, Dave verá seus sonhos se realizarem (até tudo começar a dar errado de novo, por causa do empresário matreiro interpretado por David Cross). Baseado no "grupo" inventado pelo músico Ross Bagdasarian nos anos 50 e no desenho que este originou na década seguinte, Alvin e os Esquilos não está exatamente destinado a virar um clássico. Mas é tão deliciosamente surreal que não há como resistir aos seus encantos.

P.S. Eu Te Amo (P.S. I Love You, Estados Unidos, 2007. Desde sexta-feira em cartaz no país) – Um pouco de sentimentalismo às vezes não faz mal a ninguém – especialmente quando ele vem temperado por humor e delicadeza, como nesse filme de Richard LaGravenese, roteirista de As Pontes de Madison e diretor de Escritores da Liberdade. Hilary Swank é uma moça que anda às turras com o marido (Gerard Butler, de 300) – o que só agrava a sua desorientação quando ela se vê precocemente viúva. O marido, porém, era um irlandês brincalhão que deixou para ela uma série de cartas destinadas a ajudá-la a reencontrar um rumo na vida. P.S.: é bom levar um lencinho.

 

LIVRO

Os Melhores Contos que a História Escreveu, organizado por Flávio Moreira da Costa (vários tradutores; Nova Fronteira; 560 páginas; 59,90 reais) – Apesar do título, a antologia recolhe não apenas contos, mas também poemas e excertos de livros como a História, do grego Heródoto, e Os Sertões, do brasileiro Euclides da Cunha. Os textos trazem em comum o tema histórico, em um amplo arco que vai dos tempos bíblicos – com o Livro de Ester – à revolução russa (em contos de Gorki e Isaac Babel). Entre as curiosidades está o conto A Perfeição, de Eça de Queiroz, no qual o autor se afasta dos ferinos retratos da sociedade portuguesa pelos quais é mais conhecido para compor uma fantasia mítica sobre o herói grego Ulisses.

 

DVD

Led Zeppelin: The Song Remains the Same (Estados Unidos/Inglaterra, 1976; Warner) – No ano passado, quando se anunciou que o Led Zeppelin iria se reunir para um único concerto em Londres, milhões de fãs congestionaram o site da empresa que vendia os ingressos. Para quem não entende o porquê de tanta comoção, esse DVD é uma aula e tanto. Lançado nos cinemas brasileiros com o título – idiota – de Rock É Rock Mesmo, ele traz uma apresentação do quarteto em Nova York, além de cenas em que os roqueiros davam vida às suas fantasias (o baixista John Paul Jones, por exemplo, interpretou um cavaleiro medieval). A nova versão do DVD ganhou quatro músicas extras e entrevistas com o vocalista Robert Plant e o empresário da banda, Peter Grant.

 

Paulo Vitale
Ana Paula Lopes: repertório versátil, com novos (e bons) compositores

DISCO

Mil Rosas, Ana Paula LopeSs (Usina Brasil) – A cantora paulista é um dos destaques da nova geração de intérpretes da MPB. Faltava, no entanto, um trabalho que a distinguisse entre outras tantas "revelações". O disco de estréia, Meu, de 2005, trazia um repertório muito ortodoxo, calcado em clássicos de Tom Jobim, Chico Buarque etc. Pois um dos pontos fortes de Mil Rosas, seu mais recente CD, é justamente o repertório. Ana Paula privilegiou novos – e bons – compositores, como o carioca Domenico Lancellotti (autor da bossa Quem Sabe) e a também cantora Giana Viscardi, autora de quatro canções (a melhor é a dançante Gata Lúcida). Ana Paula também mostra versatilidade – vai da MPB mais tradicional ao forró com interpretações e arranjos acima da média.

 

 

OS MAIS VENDIDOS

Reciclagem da mais velha idéia da literatura de auto-ajuda – querer é poder –, O Segredo, da australiana Rhonda Byrne, foi o livro mais vendido no Brasil em 2007, com mais de 1 milhão de exemplares comercializados. Apesar de lançado a menos de dois meses do fim do ano, Harry Potter e as Relíquias da Morte, sétima e última parte da saga criada pela inglesa J.K. Rowling, conquistou o primeiro lugar de ficção, com mais de meio milhão de exemplares vendidos. O segundo e o terceiro lugar couberam ao afegão Khaled Hosseini, confirmando o sucesso, nos últimos anos, de livros sobre o Afeganistão. Na não-ficção, o campeão foi, pelo segundo ano, Marley & Eu, a história do cachorro do jornalista americano John Grogan. O segundo lugar, 1808, do também jornalista Laurentino Gomes, demonstra o vigor do interesse pela história entre os leitores brasileiros. A lista reflete somente as vendas em livrarias. É por isso que dela não consta O Bispo, biografia de Edir Macedo, dono da Rede Record e líder da Igreja Universal, escrita pelo jornalista Douglas Tavolaro. Segundo a editora Larousse, foram comercializados quase 800.000 exemplares. Essa venda, porém, se deu sobretudo em templos da Igreja Universal e repercutiu com força bem menor no mercado livreiro.

 

 



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