BUSCA

Busca avançada      
FALE CONOSCO
Escreva para VEJA
Para anunciar
Abril SAC
ACESSO LIVRE
Conheça as seções e áreas de VEJA.com
com acesso liberado
REVISTAS
VEJA
Edição 2042

9 de janeiro de 2008
ver capa
NESTA EDIÇÃO
Índice
COLUNAS
Lya Luft
Millôr
André Petry
Roberto Pompeu de Toledo
SEÇÕES
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
VEJA.com
Holofote
Contexto
Radar
Veja essa
Gente
Datas
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos
Publicidade
 

Violência
Não eram só fogos

Festa de fim de ano no Rio de Janeiro
teve participação especial de balas
de revólver e fuzil


Marcelo Bortoloti e Ronaldo Soares

O céu de Copacabana riscado por balas luminosas: tiros de fuzil durante a queima de fogos


VEJA TAMBÉM
Nesta reportagem
Quadro: Probabilidade de um disparo para o alto atingir alguém

No réveillon deste ano, os tradicionais fogos de artifício da Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, misturaram-se no céu aos riscos luminosos de balas disparadas por fuzis. Trata-se de uma já tristemente conhecida maneira que a bandidagem encontrou de saudar o ano-novo – além de, como sempre, demonstrar seu poder de fogo. Poderia ter sido essa a causa de um inédito saldo da maior festa carioca: seis pessoas feridas a tiro na praia, sendo quatro atingidas por balas que vieram de cima. Mas a perícia preliminar já descartou que os ferimentos tenham sido provocados por balas de fuzil. Foram tiros de revólver ou pistola, muito provavelmente disparados por pessoas que estavam na praia, durante a queima de fogos.

A tradição de atirar para cima durante comemorações ou homenagens não existe apenas no Brasil. É um costume que persiste principalmente porque não se conhecem seus riscos. Imagina-se que um projétil lançado para cima simplesmente desaparece no ar, ou volta com força desprezível. A prática, no entanto, mostra o contrário. A bala atirada para cima tem pela lei da gravidade uma inapelável trajetória de retorno. Ela chega ao solo em média com um terço da velocidade com que foi disparada. Se é um tiro de fuzil, ainda que o projétil pese apenas 10 gramas, quando volta ao chão seu impacto pode chegar ao de 1 tonelada. É mais que suficiente para matar alguém.

A pedido de VEJA, o diretor do Núcleo de Estudos Estratégicos da Universidade Federal Fluminense (UFF), Ronaldo Leão, calculou as trajetórias possíveis desse tipo de disparo e suas conseqüências. Como mostra o quadro, um revólver calibre 38 é capaz de disparar balas a uma velocidade média de 1.000 quilômetros por hora. Num ângulo de 90 graus, o projétil sobe 500 metros e volta ao chão a 400 quilômetros por hora. É o bastante para perfurar o corpo humano. Se atinge a cabeça, o pescoço ou o tronco até a altura do abdômen, pode ser fatal. Quando o tiro é disparado a 90 graus, a bala pode cair em qualquer lugar num raio de 10 metros. Mas, se a arma estiver levemente inclinada, a 80 graus, por exemplo, o projétil cairá a até 70 metros. Dependendo da inclinação, fuzis do tipo AR-15, FAL ou AK-47, que são utilizados pelos traficantes cariocas, podem atingir pessoas a mais de 1 quilômetro de distância. Em 2006, 205 pessoas foram feridas por balas perdidas no Rio. A esmagadora maioria foi vítima de confrontos armados entre policiais e bandidos, e não de tiros dados para cima. Os cariocas e seus convidados de todo o mundo poderiam ser poupados desse risco numa festa que sempre foi pacífica. "Dar tiros para o alto como forma de comemoração é coisa típica de país subdesenvolvido. E mostra a quantidade de armas em poder da população. Não por acaso, é muito comum vermos manifestações como essa em lugares como o Rio de Janeiro, a Palestina ou o Iraque", diz José Vicente da Silva Filho, ex-secretário nacional de Segurança Pública.




 

  VEJA | Veja São Paulo | Veja Rio | Expediente | Fale conosco | Anuncie | Newsletter |