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LIVROS
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| Buzzati:
pérola para crianças |
A
Famosa Invasão dos Ursos na Sicília, de Dino Buzzati
(tradução de Nilson Moulin; Berlendis & Vertecchia;
160 páginas; 34 reais) O jornalista e escritor italiano
Dino Buzzati (1906-1972) ganhou o respeito dos críticos e fez sucesso
de público graças ao romance O Deserto dos Tártaros.
Ao se aventurar pela literatura infantil, também produziu uma
pequena jóia. A Famosa Invasão dos Ursos na Sicília
é uma fábula cuja narrativa alterna prosa e verso, entremeada
com ilustrações coloridas do próprio autor. O cenário
é uma Sicília fantástica. No topo de montanhas cobertas
de neve, num tempo remoto, habita uma comunidade de ursos. Um dia, pressionados
pela falta de comida, eles descem às planícies onde
travarão uma batalha contra os homens e tentarão resgatar
um ursinho seqüestrado por caçadores. Por trás da história
inocente, Buzzati tece uma alegoria sobre as atrocidades da II Guerra
Mundial, em pleno andamento quando ele publicou sua obra.
Uma
Sombra Logo Serás, de Osvaldo Soriano (tradução
de Eric Nepomuceno; Relume Dumará; 200 páginas; 25 reais)
Osvaldo Soriano é um nome essencial da literatura contemporânea
argentina, cujos temas preferidos eram a derrota, o vazio existencial,
a falta de perspectivas. Dono de um humor cáustico, o escritor
(morto em 1997, aos 54 anos) acabou exilado durante os anos de chumbo
da ditadura militar naquele país. Escrito em 1990, Uma Sombra
Logo Serás ganha uma reedição oportuna no Brasil
seu primeiro lançamento por aqui, há nove anos, passou
completamente despercebido. Neste momento de crise na Argentina, a ficção
de Soriano é mais atual que nunca. Seu protagonista é um
especialista em informática que perdeu o emprego, está sem
um tostão no bolso e mal tem o que comer. Ele perambula pelo interior
do país e cruza com outros personagens marginais: uma cartomante,
um banqueiro falido e um golpista que se faz passar por italiano.
TELEVISÃO
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| O
casal Arnolfini: aula sobre arte |
Grandes
Mestres da Pintura (Quintas, às 22h30, na TV Cultura)
Esta série tem a grife da produtora anglo-germânica RM, a maior
usina de documentários sobre arte do mundo seu acervo é
de 2.500 horas de conteúdo do gênero. Os 24 programas que a
emissora educativa paulista TV Cultura colocará no ar ao longo de
2002 fogem ao lugar-comum e abordam desde os mestres do século XV
até artistas contemporâneos. Em vez de se deterem apenas em
curiosidades biográficas, os documentários vão fundo
na análise estética de cada pintor e são verdadeiras
aulas de história da arte, sempre administradas por um especialista
na matéria. A série estréia nesta semana abordando
o artista flamengo Jan van Eyck (1395-1441), autor do retrato Giovanni
Arnolfini e Sua Esposa, entre outras obras-primas. A partir do
estudo de seus principais quadros, demonstra-se como ele foi um precursor
do Renascimento e um dos primeiros artistas a refinar a técnica da
pintura a óleo. Já estão confirmados para as quatro
semanas seguintes, pela ordem, títulos sobre Brueghel, Rubens, Rembrandt
e Velázquez.
DISCOS
Eternal,
The Isley Brothers (Universal) Em quatro décadas de carreira,
os irmãos Isley nunca deixaram de acompanhar as evoluções
da música negra americana. Aliás, freqüentemente estiveram
na vanguarda dessas mudanças. Foram os primeiros "patrões"
de Jimi Hendrix, que tocou guitarra em sua banda, e caíram com
tudo no funk, nos anos 70. Agora eles se aproximam das batidas eletrônicas
do hip hop, sob a batuta de um produtor antenadíssimo como R. Kelly.
As concessões à "modernidade" não interferem nas
principais qualidades dos irmãos, que são os vocais em falsete
de Ron Isley e os solos repletos de efeitos do guitarrista Ernie Isley.
Eternal é o trabalho mais bem-sucedido do grupo em anos
recentes, das baladas como Contagious às canções
dançantes como Move Your Body. Atenção para
a surpreendente versão de If You Leave Me Now, sucesso do
grupo Chicago na década de 70.
Eee-0
11: the Best of the Rat Pack, Frank Sinatra, Dean Martin e Sammy
Davis Jr. (EMI) Na década de 50, o trio de cantores e mais
o ator Peter Lawford criaram o Rat Pack, uma patota de amantes da farra.
O Rat Pack produziu filmes curiosos, como Ocean's Eleven (que recentemente
foi refilmado pelo diretor Steven Soderbergh), mas nada se compara às
suas realizações musicais. Esta coletânea traz algumas
das melhores canções gravadas por Sinatra, Martin e Davis
Jr. O primeiro brilha nas versões de The Lady Is a Tramp,
da dupla Rodgers & Hart, e em duas faixas dificílimas de encontrar
em disco: I'm Gonna Live Till I Die e Mr. Success. Sammy
Davis está no auge de sua forma em The Birth of the Blues
e Dean Martin surpreende em Volare, aquele hit manjado de cantinas
italianas. Uma delícia.
Motherland,
Natalie Merchant (WEA) Depois de deixar o grupo americano 10,000
Maniacs, em meados dos anos 90, a cantora e compositora Natalie Merchant
tornou-se diva das feministas e lésbicas americanas, abordando
em suas letras (que são acima da média) temas como o aborto
ou a violência contra mulheres. Mas mesmo quem não entende
uma palavra de seus versos, ou não se interessa pelos assuntos
de que ela trata, tem motivos para apreciar seu trabalho. Sua voz grave
é uma das mais marcantes do pop atual, e ela é uma ótima
melodista. Motherland é seu disco-solo mais homogêneo
e enxuto nos outros sempre há alguma faixa lamurienta demais.
Com produção do guitarrista T-Bone Burnett (que tem no currículo
obras com Bob Dylan e Elvis Costello), o CD traz as habituais composições
em estilo folk da cantora, mas com pitadas de sons latinos e até
árabes.
VÍDEO
Conte
Comigo (You Can Count on Me, Estados Unidos, 2000. Paramount)
O amor entre irmãos não é um tema que costume
render muitos sucessos no cinema americano. Este filme modesto, porém,
ganhou uma repercussão inesperada e merecida com
a indicação aos Oscar de roteiro e de atriz, para Laura
Linney, no ano passado. Laura se revela uma atriz competente no papel
de uma mãe solteira ultraciosa de seus deveres. Sua vida sai de
prumo, no entanto, com o retorno à cidade de seu irmão caçula
(Mark Ruffalo), um desses sujeitos para quem tudo parece dar errado
e, para culminar, com a chegada de um novo gerente (Matthew Broderick),
um chato contumaz, ao banco em que ela trabalha. O filme equilibra drama
e humor com destreza, sem forçar a mão para um lado ou outro.
Também em DVD.
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