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Sons do outro mundo
Tenda
de cartomante, sessão de
meditação, terapia alternativa?
Vai ter Corciolli no fundo musical

Sérgio
Martins
Claudio Rossi
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| Corciolli: "Beethoven teria composto melhor
se fosse um homem feliz"
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Consumida
em larga escala pela turma que acredita em duendes, a música new
age tornou-se um filão de respeito no mercado brasileiro de discos.
A irlandesa Enya e a canadense Loreena McKennitt, por exemplo, chegam
a vender 100.000 cópias por lançamento
mesma cifra que gente do primeiro escalão do mundo pop,
como Oasis e Rolling Stones. Aos poucos vão surgindo também
músicos brasileiros que correspondem ao gosto da patota esotérica.
Figuras como o compositor Aurio Corrá, o cantor Carlos Pacini e,
principalmente, o paulistano José Antonio Corciolli, de 33 anos.
Seu instrumento é o teclado eletrônico, do qual ele arranca
sons etéreos, depois combinados a tambores orientais, mantras indianos
e versos em latim. Ele não gosta de aplicar o rótulo "new
age" às próprias composições. Prefere dizer,
com ar misterioso, que faz "música imaginária". Seja qual
for o nome, sem nenhuma divulgação ou campanha de marketing,
cada um de seus oito discos vendeu cerca de 20.000
unidades. Eles têm lugar cativo no hit parade dos salões
de cartomante e clínicas de terapias alternativas. Corciolli gosta
de mencionar pessoas famosas que são suas fãs, como o ator
Miguel Falabella, o publicitário Celso Loducca e a numeróloga
e apresentadora de televisão Aparecida Liberato. Também
exibe com orgulho um papel meio suspeito, com timbre do Vaticano mas escrito
em português, que seria uma bênção do papa a
seu disco Unio Mystica, de 1995.
Corciolli
conta que começou a se interessar por música aos 14 anos,
fascinado com os sintetizadores do francês Jean-Michel Jarre e do
grego Vangelis. Mas só resolveu levar a coisa a sério muitos
anos mais tarde depois de ter se formado em arquitetura. Sua primeira
experiência como músico profissional foi no grupo Espírito
Cigano, uma imitação brasileira do conjunto francês
Gipsy Kings. Em 1993 ele partiu em carreira-solo. Surpreendentemente,
o próprio Corciolli garante ser um tipo cético. Não
lê seu destino nas cartas nem faz mapas astrológicos. Nunca
foi peregrino em lugares "cheios de vibrações", como Santiago
de Compostela ou o Tibete (embora tenha gravado músicas ao lado
de alguns monges desse país). Seu escritor preferido não
é Paulo Coelho. E o mais próximo de um momento místico
que ele diz ter experimentado se deu na Catedral de Notre-Dame, em Paris,
quando tinha 18 anos. Ao ouvir um recital com as músicas de Bach,
sentou-se num banco da igreja e chorou.
Longe dele
desprezar a matéria. Corciolli mostrou tino comercial ao fundar
a gravadora Azul Music. Com oito anos de existência, seu catálogo
tem oitenta discos com artistas nacionais e internacionais sem
falar em CDs com ruídos de água e piados de passarinho.
A campeã de vendas do selo é tudoazul, coleção
especificamente projetada para servir de trilha sonora a tratamentos alternativos
como o reiki (aquele passe energético de que o cantor Roberto Carlos
é fã) ou a cromoterapia. Lançada em fevereiro do
ano passado, a série de dez CDs vendeu 300.000
cópias até agora. O trabalho como músico e empresário
já garantiu a Corciolli um cotidiano confortável, numa casa
espaçosa de um bairro de classe média alta de São
Paulo. Mais que confortável, aliás, ele diz que sua vida
é feliz. "A felicidade é fundamental para um músico
criar sua obra. Beethoven, por exemplo, teria composto melhor se não
tivesse tido uma vida pessoal tão complicada", sentencia ele. É
isso mesmo. Depois dessa, melhor fazer uma pausa para relaxamento.
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Balaio-de-gatos
Divulgação

A irlandesa Enya: música na trilha de
O Senhor dos Anéis
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Surgido
ainda nos anos 60, o rótulo new age foi criado para definir
a música que levasse o ouvinte a um estado espiritual elevado.
Seus pioneiros, por assim dizer, foram artistas indianos, como Ravi
Shankar, que caíram no gosto do movimento hippie. Nas décadas
seguintes, a new age ganhou tantas divisões que acabou virando
um balaio-de-gatos. Hoje em dia existe a new age tribal, que promete
o nirvana à custa de batucadas primitivas; a progressiva
eletrônica, reduto de tecladistas; e a contemporânea,
na qual se destaca a irlandesa Enya. Esta última é
um fenômeno mundial. Seu último lançamento,
A Day without Rain, vendeu mais de 5 milhões de cópias
nos Estados Unidos. Neste ano ela ganhou uma indicação
para o Globo de Ouro, premiação que é uma espécie
de passaporte para o Oscar, pela canção May It
Be, que entrou na trilha de O Senhor dos Anéis.
O estilo Enya de fazer música aquelas melodias "celestiais"
tocadas por uma flautinha chata costumam também fazer
sucesso no cinema. A trilha de Titanic, por exemplo, foi
descaradamente copiada das músicas da cantora por ordem de
James Cameron, diretor do filme e amante de new age.
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