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Edição 1 733 - 9 de janeiro de 2002
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A vez dos outros

Em Trapaceiros, Woody Allen
deixa o seu elenco brilhar

Isabela Boscov

Mudanças podem ser benéficas para todo mundo. Até para Woody Allen, que encontrou na sua persona de nova-iorquino sofisticado e neurótico um manancial do qual tira um filme por ano, em média. Em Trapaceiros (Small Time Crooks, Estados Unidos, 2000), que estréia nesta sexta-feira em São Paulo e no Rio, Allen continua neurótico, mas não tem nada de sofisticado. Ele é "O Cérebro" Ray, apelido jocoso que ganhou na prisão por causa de sua inépcia para a vida de crimes (ou qualquer outra vida, na verdade). Ray, porém, planeja mais um golpe "infalível": alugar uma pizzaria vazia e, do porão desta, cavar um túnel até o banco vizinho. Para disfarçar, sua mulher, Frenchy, transforma o ponto numa loja para vender seus biscoitos. O túnel não dá em nada, mas os biscoitos são um sucesso e deixam o casal milionário. Logo eles serão presa de todo tipo de golpista, como o marchand canalha vivido com inspiração por Hugh Grant. É um dos filmes mais despretensiosos de Allen nos últimos tempos, e também um dos mais divertidos. Nem tanto porque ele convença como paspalho, mas porque deixa o território livre para outros grandes comediantes – como a inglesa Tracey Ullman, que faz Frenchy, e a veterana diretora e roteirista Elaine May, que dá um baile no papel de uma solteirona simplória.

   
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