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No purgatório
Do
Inferno pretende ser a mais
perturbadora das versões da
história do Estripador. Não é

Isabela Boscov
Divulgação
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| Jack
faz mais uma vítima: sem faro para o suspense |
No rol dos criminosos célebres, Jack, o Estripador ocupa posição
de honra por ser o primeiro serial killer moderno, pelo barbarismo
com que assassinou sete prostitutas em 1888 e pelas especulações
sobre sua verdadeira identidade, que costumam ligá-lo à
maçonaria e a figurões da época. É natural,
portanto, que Jack continue a ser tema de filmes. O mais recente é
Do Inferno (From Hell, Estados Unidos, 2001), que
estréia nesta sexta-feira no país. Johnny Depp, em mais
uma boa atuação, faz o investigador Fred Abberline, um viciado
em ópio que tem visões de crimes que estão por acontecer.
Abberline tem mais tormentos a enfrentar a sordidez do bairro londrino
de Whitechapel, onde Jack escolhia suas vítimas, e a paixão
por Mary (Heather Graham), uma prostituta que está na mira do assassino.
Ele pressente também que há pessoas importantes que desejam
frustrar seu trabalho. A única ajuda vem de um cirurgião
(Ian Holm), que se dispõe a explicar a perícia com que Jack
mutila seus cadáveres.
Era para
ser de um clima infernal. E, no que dependesse da produção
meticulosa e dos esforços de Depp e Holm, seria mesmo. Do Inferno,
no entanto, padece de uma intrigante falta de suspense. Não é
o caso de perguntar o que está faltando aqui, e sim o que está
sobrando. Para começar, o filme leva excesso de bagagem na direção
dos irmãos Albert e Allen Hughes, que procuram carregar ao máximo
nas tintas em cada cena. O resultado é que não há
mudanças de tom e crescendos capazes de criar tensão. O
segundo problema está na lógica hollywoodiana de desenvolver
personagens segundo o cachê dos atores que os interpretam. As atrizes
que fazem as prostitutas amigas de Heather Graham, por exemplo, são
pouco conhecidas. Em decorrência, não estão lá
para ter personalidade, e sim para morrer. Já Heather ganha milhões
de dólares, o que lhe garante certas prerrogativas dentro do enredo.
Quem paga a conta é a platéia, que já começa
o filme com a certeza de que alguns personagens vão sofrer menos
que outros. Assim, não há mistério que resista.
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