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Uga Uga de
época
A série
O Quinto dos Infernos é uma
chanchada sobre a história nacional.
E tome peladões

Marcelo Marthe
Divulgação Rede Globo
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| Cena
de O Quinto dos Infernos: elenco de novela das 7 |
Boa parte
da história nacional cabe melhor no tom de sátira que no
de pompa e mais ainda na televisão. Ciente dessa vocação,
o novelista Carlos Lombardi criou para a Rede Globo uma chanchada de época.
Trata-se da série O Quinto dos Infernos, que estréia
nesta terça-feira e na qual figuras históricas viram personagens
de pastelão. O enredo narra a fuga de dom João VI de Portugal,
em 1807, para escapar à invasão de Napoleão. Passa
ainda pela independência do Brasil e vai até o fim do império
de dom Pedro I. Para transformar esses fatos em comédia, o autor
usou uma salada de vários livros, entre os quais o best-seller
O Chalaça, de José Roberto Torero, sobre o personagem
homônimo, braço direito do imperador. "Juntei tudo e ainda
inventei um pouco mais", diverte-se Lombardi. Previsivelmente, dom João
VI é mostrado como um glutão, dom Pedro I como um mulherengo
e a imperatriz Carlota Joaquina como uma ninfomaníaca. Resta saber
se esses clichês servirão de trampolim para piadas inteligentes
como conseguiu, no geral, Carla Camurati no filme Carlota Joaquina
ou se a série de 48 capítulos se resumirá
a um compêndio de obviedades e derrières masculinos, como
aconteceu em Uga Uga, última novela de Lombardi.
O Quinto
dos Infernos é uma produção econômica para
o gênero, o que vem a calhar num momento em que a Globo tenta reduzir
despesas. Seu custo, de 200.000 reais por capítulo,
é 50.000 reais mais baixo que o de Os
Maias. Em vez de filmar no exterior, reconstituiu-se Portugal em cidades
como a gaúcha Bento Gonçalves. A irreverência permitiu
que se incluíssem músicas atuais na trilha sonora e, claro,
cenas de nudez de ambos os sexos, razão pela qual Lombardi convocou
parte do elenco de Uga Uga. Estão lá, por exemplo,
o galã Humberto Martins (com uns pneuzinhos a mais), interpretando
o dom-juan Chalaça, e Danielle Winits, na pele de uma cortesã.
"Danielle é uma atriz que sabe ir da comédia ao drama, como
o papel exige", explica o autor. Além de ter seios voluptuosos,
sua musa, quem diria, é um pilar da dramaturgia.
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