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Edição 1 733 - 9 de janeiro de 2002
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Dia de matança

Em Rondônia, 27 presos são
trucidados na penitenciária

Não houve tentativa de fuga em massa durante o massacre de presos dentro da Penitenciária José Mário Alves da Silva, em Porto Velho, na madrugada da quarta-feira passada. Quando foram para cima das vítimas armados de paus, pedras e estiletes improvisados, os 300 detentos que participaram da chacina queriam mesmo era matar os companheiros. Pretendiam trucidar 72. Só conseguiram pegar 27, cujos corpos foram sendo amontoados no pátio do presídio durante as dezoito horas de revolta. Para alcançar os alvos, derrubaram as paredes internas das celas, feitas de tijolos de barro e blocos de concreto. Para se armar, arrancaram pedaços de ferro de dentro das estruturas de concreto da prisão, cuja precariedade da construção – interrompida há seis anos – se agravou com o tempo e a manutenção inadequada. Tudo contribuiu para a batalha – esperada na caixa de violência de uma prisão –, a começar da manobra realizada pela direção da penitenciária no dia anterior.

No ano passado, dezessete foram mortos na permanente guerra de quadrilhas que pretendem controlar o tráfico de drogas e a venda de proteção atrás das grades. O diretor do presídio, Jordano Giovani, já tinha enviado mais de setenta outros ameaçados para celas especiais quando fez a operação que detonou a tragédia. Como havia 35 presidiários tidos como principais matadores dentro da cadeia, Giovani inverteu a situação. Mandou esses homicidas para as celas seguras e fez os ameaçados voltar para as áreas comuns da prisão. Os mais violentos tinham seus seguidores. Meia hora depois, começaram os tumultos que levaram ao massacre. Segundo o superintendente de Assuntos Penitenciários, Abimael dos Santos, a única ordem oficial tinha sido a de trancar todos os presos nas celas, porque havia boatos sobre uma rebelião.

 
 
   
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