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Lições
do caos argentino
Reuters

Militantes
queimam pneus nos protestos da semana passada em Buenos Aires |
Nesta virada de ano, a Argentina teve cinco presidentes da República
em apenas doze dias. Por duas vezes se decretou o estado de sítio,
que suprimiu direitos constitucionais dos cidadãos. É um
recorde mundial e, talvez, histórico de instabilidade política
concentrada em tão pouco tempo. Nos momentos mais assombrosos de
nossa economia inflacionária, nós, brasileiros, medíamos
o grau de desajuste do país pela troca freqüente de ministros
da Fazenda. Chegamos a ter seis em apenas dois anos, durante o governo
de Itamar Franco. O quarto deles veio a ser o senador Fernando Henrique
Cardoso, que, eleito presidente da República, foi instrumental
na estabilização econômica do país. Produzida
pela insatisfação popular, a renúncia do presidente
argentino Fernando de la Rúa, em dezembro, também pode ter
aberto caminho para que os argentinos recobrem a saúde econômica
no futuro. Mas é um equívoco imaginar que, em política,
do caos sempre nasce a luz.
Quando as
instituições são constantemente aviltadas, seja por
baionetas, seja por panelaços, as sociedades saem perdendo. A experiência
recente da Argentina de trocar de presidente como se troca de camisa mostra
que se deixar guiar pelas arruaças e se intimidar pelas barricadas
não é uma estratégia liberal nem progressista de
uma sociedade. É simplesmente suicida. Foram patéticas as
desesperadas tentativas dos políticos argentinos de colocar a faixa
presidencial sobre o peito de alguém com um mínimo de governabilidade.
A crise institucional do país vizinho só teve como saldo
positivo para a democracia o fato de, pela primeira vez na história
argentina, não ter assanhado os quartéis. Numa reportagem
especial, Raul Juste Lores, editor de assuntos internacionais
de VEJA, relata como encontrou imersa em perplexidade e estagnação
uma Argentina que ele conheceu orgulhosa e desafiadora como correspondente
da revista em Buenos Aires, cargo que ocupou até maio do ano passado.
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