Edição 1 627 - 8/12/1999

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Bobagens estelares

Livro conta como os ídolos de Hollywood
podem ser imbecis e esbanjadores

Isabela Boscov

A afeição do comediante Jim Carrey por seu cão labrador é conhecida em Hollywood. O totó só come rações criadas por um chef, tem massagista e mora numa casa de verdade, só dele, com um sofá bem macio no centro da sala. Carrey não é o único a paparicar um mascote com tantos luxos. A atriz e cantora Liza Minnelli certa vez despachou seu terrier da Suécia para Paris em jato fretado, pelo qual pagou 50.000 dólares. Essas e outras histórias estão no livro Movie Stars Do the Dumbest Things (Astros de Cinema Fazem as Coisas Mais Imbecis), lançado há pouco nos Estados Unidos. Seus autores, três jornalistas, não hesitam em propagar anedotas como se fossem fatos indisputáveis. Mas, analisados com um olhar crítico, seus relatos fornecem boas pistas sobre o que é ser um ídolo do cinema: dar-se ao luxo de esbanjar dinheiro, agir como se o mundo estivesse ao seu dispor ou simplesmente meter os pés pelas mãos.

Exemplos não faltam. Consta que, de olho na modelo Angie Everhart, o mulherengo Kevin Costner mandou um avião repleto de flores voar até o México e buscá-la para um jantar. Angie não se impressionou. Largou o astro na porta do restaurante e foi esticar a noitada com seus próprios amigos. Pudera, o sujeito é mesmo um mala-sem-alça. Vexame maior passou Melanie Griffith, pega de surpresa pela "notícia" de que 6 milhões de judeus haviam morrido no Holocausto. Depois, a atriz tratou de se defender: "Devo ter faltado a essa aula na escola, mas não sou burra". Mais cioso do que lhe vai pela cabeça (ou em volta dela), Bruce Willis teria feito o estúdio gastar 750.000 dólares extras no filme Zona de Perigo, de 1993, para refazer cenas em que sua peruquinha parecia muito artificial.

Muitas das histórias contidas no livro já fazem parte há décadas do folclore de Hollywood. Como aquela que exemplifica a vaidade de Warren Beatty. Durante as filmagens de Clamor do Sexo, em 1961, o bonitão perdia tanto tempo admirando seu reflexo nos espelhos do cenário que o diretor Elia Kazan ordenou que eles fossem cobertos. Frank Sinatra também não é poupado. Diz-se que, entre seus milhões de fãs, o mais fervoroso era ele mesmo: segundo uma de suas namoradas, o cantor gostava de fazer sexo ouvindo as próprias canções. Joan Crawford e Marlene Dietrich enfrentaram até tortura: removeram os dentes posteriores para conseguir covinhas mais sedutoras. Marlene, aliás, protagoniza uma história triste. Já velhusca, ela apertava-se em bandagens para aparentar uma silhueta juvenil. Um jovem com o qual teve um caso revelou que, à noite, era preciso desenrolá-la "como a uma múmia". Bem menos atenção à beleza dava Marlon Brando. No início dos anos 60, quando sua circunferência começou a inflar, o figurinista de A Face Oculta se viu obrigado a fazer calças de tecido elástico para ele. Ainda assim, Brando, que atuava no filme e o dirigia, não desistiu de comer e rasgou dezoito pares de calças. Brincalhona, a equipe confeccionou cartazes que diziam: "Não alimente o diretor".