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Só
com ração de passarinho
Para
chegar aos 50 anos
com o mesmo peso dos 20,
a receita é comer nada, ou quase isso
Monica
Gailewitch
Você
que está na faixa dos 20 anos, sai com a camiseta
molhada da academia de ginástica e come feito
um passarinho para não engordar pode ter certeza:
aos 30, a luta contra a balança ficará
ainda mais difícil. Aos 40 e aos 50, então,
nem se fala. A facilidade para ganhar quilos indesejáveis
se acentua com o passar do tempo. Isso vale tanto
para os homens quanto para as mulheres. "A única
forma de você não engordar à medida
que envelhece é reduzir o consumo de calorias
e aumentar a prática de exercícios",
diz o fisiologista Turibio Leite Barros Neto, coordenador
do Centro de Medicina da Atividade Física e
do Esporte, da Universidade Federal de São
Paulo.
A
primeira explicação para essa tendência
é a redução gradativa do ritmo
do metabolismo (ou seja, da velocidade com que as
células transformam o alimento em energia)
ao longo da vida. Um estudo realizado por pesquisadores
da escola de medicina da universidade americana
de Washington comparou a capacidade de perda de
gordura de um grupo de adultos de 20 anos com a
de outro de 70 anos. Ambos foram submetidos à
mesma dieta e, no início, a um programa moderado
de atividades físicas. No primeiro momento,
a queima de gordura pela turma de 70 anos foi 30%
inferior à do grupo dos mais novos. Depois,
foi aumentada a intensidade dos exercícios
do grupo de 70 anos. Após quatro meses de
treino intensivo, a perda calórica dos mais
velhos se igualou à dos jovens, que durante
todo o período da pesquisa se mantiveram
em atividade física moderada. Isso prova
que a possibilidade de perda acentuada de calorias
por pessoas mais velhas existe, mas é suada.
Nesse aspecto, a natureza foi mais generosa com
os homens do que com as mulheres. Um homem de 50
anos que queira manter o peso pode consumir mais
ou menos a mesma quantidade de calorias que uma
mulher na faixa dos 20 anos que tenha o mesmo objetivo
(veja
fichários).
Mais
difícil Algumas
pesquisas recentes vêm dando confirmação
científica àquilo que as mulheres
consideraram uma injustiça da natureza. Esses
estudos explicam em detalhes as razões pelas
quais os homens podem comer mais e engordar menos
que as mulheres. Um dos trabalhos, desenvolvido
por uma equipe do Centro de Nutrição
Humana da universidade americana do Colorado, revelou
que a resposta inicial do organismo masculino ao
exercício físico é mais lenta
que a do corpo feminino. Isso significa que durante
uma sessão de ginástica a tendência
da mulher é queimar mais gordura do que o
homem. Até aí, ótimo. O problema
é o que acontece depois: a gordura que foi
embora volta com rapidez espantosa. O organismo
feminino está programado para reter toda
a gordura ingerida nas horas seguintes ao exercício.
Com o homem, é diferente. A perda de gordura
durante a ginástica é relativamente
menor. Em compensação, a recuperação
é mais lenta. No final das contas, os gramas
de peso perdidos pelo homem durante o trabalho físico
diário têm muito menos chances de retornar
à silhueta do que os eliminados pela mulher.
Uma
mulher de 1,70 metro e 80 quilos (obesa, portanto)
submetida a uma dieta de 1.500
calorias por dia emagrecerá de 3 a 4 quilos
ao final de um mês. Se um homem de mesmo peso
e altura fizer uma dieta idêntica, sua perda
será de 6 a 10 quilos no mesmo período.
"É da natureza", diz o endocrinologista Alfredo
Halpern, professor da Universidade de São Paulo.
"Por sua conformação física,
a mulher sempre terá mais facilidade para ganhar
peso e mais dificuldade para emagrecer do que o homem."
A primeira explicação para isso é
de natureza anatômica. O corpo do homem, de
modo geral, tem mais músculos e menos gordura
que o da mulher. E músculo consome mais energia.
Portanto, em matéria de gordura, o corpo masculino
é mais perdulário. Sua tendência
é gastar sempre. A vocação da
mulher, nesse caso, é acumular.
Seis
vezes por dia À
medida que o tempo avança, homens e mulheres
interessados em manter o peso devem desenvolver alguns
hábitos apontados pelos especialistas como
aliados naturais do organismo. Em lugar de fazer duas
ou três grandes refeições e fechar
a boca entre uma e outra, o recomendado é consumir
pequenas porções de alimento ao longo
do dia. Isso porque, ao ficar muito tempo sem receber
alimento, o organismo deixa de realizar a termogênese.
Esse é o nome do processo de queima de calorias
durante a metabolização dos alimentos.
Ou seja, quem consumir 1.500
calorias por dia divididas em seis refeições
gastará mais energia do que aquele que ingerir
a mesma quantidade de alimento em três vezes.
"Quem salta uma refeição abre mão
da termogênese e do gasto de energia", diz o
médico Henrique Suplicy, responsável
pelo serviço de obesidade do Hospital das Clínicas
da Universidade Federal do Paraná.
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