Não
são apenas as investigações
genéticas que estão impulsionando
a medicina. Dezenas de novas técnicas
e artefatos estão levando as possibilidades
de cura a limites que só existiam em
ficção científica. Na
sexta-feira passada, uma cirurgia ocular experimental
realizada na Universidade Johns Hopkins, em
Baltimore, ganhou súbita notoriedade
quando o cantor e compositor americano Stevie
Wonder anunciou que vai submeter-se à
técnica para tentar recuperar a visão.
Portador de um tipo de cegueira que o acompanha
desde o berço, o cantor nasceu com
as estruturas oculares intactas, mas sofreu
problemas na retina quando ainda era bebê.
A cirurgia desenvolvida pelo Instituto do
Olho Wilmer, ligado à universidade,
vai tentar turbinar as estruturas existentes
no olho de Stevie Wonder a partir da instalação
de um microchip de computador na retina.
Até
agora quinze pessoas se submeteram à
técnica experimental. Elas recuperaram
a visão apenas parcialmente e por um
período de tempo restrito. O microchip
é instalado em meio às células
da retina, uma estrutura que fica no fundo
do olho e transforma os padrões luminosos
captados em impulsos nervosos que podem ser
decifrados pelo cérebro. Esses impulsos
são processados como imagem no córtex
cerebral. O pequeno artefato eletrônico
estimula as células ainda não
degeneradas completamente a funcionar novamente.
Entre os pacientes aptos a receber o chip
estão os portadores de doenças
de origem genética e hereditária
que perdem a visão gradualmente, como
a retinite pigmentosa. A técnica ainda
não foi aprovada oficialmente e seu
uso regular em centros de cirurgia ocular
deve ocorrer apenas dentro de cinco anos.
Stevie Wonder, de 49 anos, anunciou sua intenção
de se submeter à cirurgia durante um
culto religioso em Detroit.