Edição 1 627 - 8/12/1999

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Um olho biônico para Stevie

Não são apenas as investigações genéticas que estão impulsionando a medicina. Dezenas de novas técnicas e artefatos estão levando as possibilidades de cura a limites que só existiam em ficção científica. Na sexta-feira passada, uma cirurgia ocular experimental realizada na Universidade Johns Hopkins, em Baltimore, ganhou súbita notoriedade quando o cantor e compositor americano Stevie Wonder anunciou que vai submeter-se à técnica para tentar recuperar a visão. Portador de um tipo de cegueira que o acompanha desde o berço, o cantor nasceu com as estruturas oculares intactas, mas sofreu problemas na retina quando ainda era bebê. A cirurgia desenvolvida pelo Instituto do Olho Wilmer, ligado à universidade, vai tentar turbinar as estruturas existentes no olho de Stevie Wonder a partir da instalação de um microchip de computador na retina.

Até agora quinze pessoas se submeteram à técnica experimental. Elas recuperaram a visão apenas parcialmente e por um período de tempo restrito. O microchip é instalado em meio às células da retina, uma estrutura que fica no fundo do olho e transforma os padrões luminosos captados em impulsos nervosos que podem ser decifrados pelo cérebro. Esses impulsos são processados como imagem no córtex cerebral. O pequeno artefato eletrônico estimula as células ainda não degeneradas completamente a funcionar novamente. Entre os pacientes aptos a receber o chip estão os portadores de doenças de origem genética e hereditária que perdem a visão gradualmente, como a retinite pigmentosa. A técnica ainda não foi aprovada oficialmente e seu uso regular em centros de cirurgia ocular deve ocorrer apenas dentro de cinco anos. Stevie Wonder, de 49 anos, anunciou sua intenção de se submeter à cirurgia durante um culto religioso em Detroit.