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Vândalos
no hangar
Jatos
da Embraer são vítimas de sabotagem
e suspeitas recaem sobre sindicalistas
Claudio Rossi
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Linha
de montagem, em São José
dos Campos: câmaras de
vídeo para prevenção
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Pouco
depois da meia-noite de 5 de novembro passado, um
funcionário que passava pela linha de montagem
da Embraer, na cidade paulista de São José
dos Campos, notou algo errado nos aviões
em fase de acabamento. Os cabos do sistema elétrico
do trem de pouso de dois jatos ERJ-145 haviam sido
cortados com alicate e pendiam da fuselagem. Foi
uma sabotagem grosseira e tudo indica que a intenção
do vândalo era mesmo deixar seu trabalho à
mostra. Ainda assim, poderia ter graves conseqüências.
Um piloto desatento, que decolasse sem ver o problema,
seria obrigado a fazer um pouso arriscado, uma vez
que, naquelas condições, o trem de
pouso não obedeceria aos comandos elétricos.
O
avião atingido pela sabotagem é uma
das estrelas da pauta de exportações
brasileiras e o principal responsável pelo
faturamento de 1,2 bilhão de dólares
da Embraer no ano passado. Ao tomar conhecimento
do caso, o presidente da companhia, Maurício
Novis Botelho, convocou uma reunião extraordinária
da diretoria. Além de decretar a lei de silêncio
sobre o assunto, os diretores decidiram instalar
22 câmaras de vídeo em pontos vitais
da fábrica. Foi uma providência sensata,
embora tardia. O objetivo era melhorar as condições
de segurança internas e facilitar a identificação
de responsáveis por futuros atos de vandalismo.
Os
representantes do Sindicato dos Metalúrgicos
de São José dos Campos, que discutiam
com a empresa o índice de reajuste salarial
para o ano 2000, acusaram a Embraer de atentar contra
a liberdade individual dos empregados ao instalar
as câmaras. Os metalúrgicos se queixaram
à deputada federal Angela Guadagnin (PT-SP),
ex-prefeita de São José dos Campos.
Ela comprou a briga e, por escrito, passou um pito
na empresa. A resposta da Embraer saiu com um parágrafo
inteiro dedicado ao tema que, dias antes, era absolutamente
confidencial. "Trata-se de ação de
sabotagem, de cunho evidentemente criminoso e que,
caso não detectada a tempo, poderia implicar
em acidente aeronáutico", escreveu Botelho
em carta enviada à deputada (leia
trecho da carta).
A
sabotagem de aviões praticamente prontos não
é novidade na Embraer. Em pelo menos duas ocasiões
houve problemas semelhantes nos hangares da companhia.
A ação dos vândalos nem original
foi. Nas oportunidades anteriores, também foram
cortados com alicate os cabos elétricos do
sistema de trem de pouso de turboélices Brasília.
A primeira foi em 1984. A outra, no início
dos anos 90, época da abertura das discussões
em torno do processo de privatização
da companhia. As suspeitas dos diretores, tanto nas
duas vezes como agora, recaíram sobre os sindicalistas.
A empresa nunca conseguiu chegar aos nomes dos responsáveis
e os casos acabaram morrendo. "Ninguém ligado
ao sindicato fez uma bobagem dessas", afirma Antônio
Donizete Ferreira, o presidente da entidade. "A empresa
deve procurar os suspeitos em outro lugar."
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A
carta de Botelho:
"ação de
cunho criminoso"
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