Edição 1 627 - 8/12/1999

VEJA esta semana

Brasil
Internacional
Geral
Hotéis bons e baratos na ilha de Fidel
Cientistas descobrem seis novos planetas
O Monte Everest cresceu e se move
A venda de carteira de estudante em Salvador
Ana Moser abandona o vôlei
O fenômeno Dida, que pega pênaltis em profusão
Os 120.000 mergulhadores amadores de nosso litoral
A rota litorânea da África rumo à Ásia
Alerta contra o bronzeamento artificial
Mercados da moda alternativa fazem sucesso
Ecologistas não querem barragens no Terceiro Mundo
Alfabeto mais antigo é encontrado no Egito
As megaproduções para formaturas do colegial
Fauna atrai turistas ao litoral sul da Argentina
A paixão de colecionadores pelos velhos carros
Custam pouco e são bons os espumantes nacionais
Santa Catarina se prepara para uma invasão de turistas
Vista cansada ganha lente descartável
Os primos pobres dos clubbers na periferia
Coleção de verão a preço de ouro
Os saltos das sandálias cresceram
O relevo brasileiro em fotos e textos
Os roteiros esotéricos e místicos
Sabotagem na Embraer
Edmond Safra morre em assalto
A medicina do futuro
Economia e Negócios
Guia
Artes e Espetáculos
Colunas
Roberto Campos
Sérgio Abranches
Diogo Mainardi
Roberto Pompeu de Toledo
Seções
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
Radar
Contexto
Holofote 
Veja essa
Notas internacionais
Hipertexto
Gente
Datas
Cotações

Veja recomenda

Banco de Dados 

Para pesquisar digite uma ou mais palavras no campo abaixo. 


Vândalos no hangar

Jatos da Embraer são vítimas de sabotagem
e suspeitas recaem sobre sindicalistas

 

Claudio Rossi
Linha de montagem, em São José dos Campos: câmaras de vídeo para prevenção


P
ouco depois da meia-noite de 5 de novembro passado, um funcionário que passava pela linha de montagem da Embraer, na cidade paulista de São José dos Campos, notou algo errado nos aviões em fase de acabamento. Os cabos do sistema elétrico do trem de pouso de dois jatos ERJ-145 haviam sido cortados com alicate e pendiam da fuselagem. Foi uma sabotagem grosseira e tudo indica que a intenção do vândalo era mesmo deixar seu trabalho à mostra. Ainda assim, poderia ter graves conseqüências. Um piloto desatento, que decolasse sem ver o problema, seria obrigado a fazer um pouso arriscado, uma vez que, naquelas condições, o trem de pouso não obedeceria aos comandos elétricos.

O avião atingido pela sabotagem é uma das estrelas da pauta de exportações brasileiras e o principal responsável pelo faturamento de 1,2 bilhão de dólares da Embraer no ano passado. Ao tomar conhecimento do caso, o presidente da companhia, Maurício Novis Botelho, convocou uma reunião extraordinária da diretoria. Além de decretar a lei de silêncio sobre o assunto, os diretores decidiram instalar 22 câmaras de vídeo em pontos vitais da fábrica. Foi uma providência sensata, embora tardia. O objetivo era melhorar as condições de segurança internas e facilitar a identificação de responsáveis por futuros atos de vandalismo.

Os representantes do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, que discutiam com a empresa o índice de reajuste salarial para o ano 2000, acusaram a Embraer de atentar contra a liberdade individual dos empregados ao instalar as câmaras. Os metalúrgicos se queixaram à deputada federal Angela Guadagnin (PT-SP), ex-prefeita de São José dos Campos. Ela comprou a briga e, por escrito, passou um pito na empresa. A resposta da Embraer saiu com um parágrafo inteiro dedicado ao tema que, dias antes, era absolutamente confidencial. "Trata-se de ação de sabotagem, de cunho evidentemente criminoso e que, caso não detectada a tempo, poderia implicar em acidente aeronáutico", escreveu Botelho em carta enviada à deputada (leia trecho da carta).

A sabotagem de aviões praticamente prontos não é novidade na Embraer. Em pelo menos duas ocasiões houve problemas semelhantes nos hangares da companhia. A ação dos vândalos nem original foi. Nas oportunidades anteriores, também foram cortados com alicate os cabos elétricos do sistema de trem de pouso de turboélices Brasília. A primeira foi em 1984. A outra, no início dos anos 90, época da abertura das discussões em torno do processo de privatização da companhia. As suspeitas dos diretores, tanto nas duas vezes como agora, recaíram sobre os sindicalistas. A empresa nunca conseguiu chegar aos nomes dos responsáveis e os casos acabaram morrendo. "Ninguém ligado ao sindicato fez uma bobagem dessas", afirma Antônio Donizete Ferreira, o presidente da entidade. "A empresa deve procurar os suspeitos em outro lugar."

A carta de Botelho: "ação de cunho criminoso"