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O país de pedra
Livro
fotográfico conta história
e curiosidades sobre a formação
do
relevo brasileiro
Clique
nas fotos para vê-las ampliadas
Ricardo
Villela
O
Brasil é um dos países de paisagem
mais diversificada do mundo. Espalhados por 8,5
milhões de quilômetros quadrados, estão
montanhas com mais de 2 000 metros de altura, planícies
que se estendem além da linha do horizonte,
cavernas de até 70 quilômetros de comprimento,
cachoeiras que despencam de alturas equivalentes
à da Torre Eiffel e inúmeros cânions,
dunas, vales e escarpas. Nos últimos anos,
esse cenário tem sido contemplado com uma
série de livros com edições
luxuosas e fotos caprichadas, em que a preocupação
principal é mostrar as belezas do país
para estrangeiros. Nesta semana, chega às
lojas um livro voltado para outro lado dessa paisagem.
Monumentos
Geológicos,
de Ricardo Siqueira (200 páginas, 68 reais),
trata da gênese desse cenário. Em suas
páginas, as fotos de tirar o fôlego
vêm acompanhadas de informações
geológicas escritas para o leigo. Durante
a leitura, descobre-se, entre outras curiosidades,
como se formam as cavernas (e as estalactites que
as enfeitam), como surgiram as dunas que formam
os Lençóis Maranhenses ou como a montanha
do Pão de Açúcar foi parar
na Zona Sul do Rio de Janeiro.
Fotos: Ricardo Siqueira
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Lençóis
Maranhenses:
dunas
formadas por
ventos no
decorrer de
11
000 anos
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Siqueira
tornou a geologia compreensível para enfermeiras,
advogados e donas de casa graças a sua formação.
Geólogo graduado pela Universidade Federal
do Rio de Janeiro, ele guardou o diploma no armário
há dezesseis anos para abraçar o fotojornalismo.
A idéia de fazer o livro só veio em
1997, durante um passeio com amigos no Pico das
Agulhas Negras, na divisa do Rio de Janeiro com
Minas Gerais. "As pessoas percorrem trilhas, tomam
banhos de cachoeira, desbravam cavernas, mas não
fazem idéia de como tudo foi parar ali",
diz Siqueira. Com essa idéia na cabeça
e um equipamento sofisticadíssimo na mão,
Siqueira permaneceu 226 dias viajando. Percorreu
16.000
quilômetros de estradas, voou outros 8.000,
visitou setenta cachoeiras e 53 cavernas. Subiu
a 2.580
metros no Parque Nacional de Itatiaia, e desceu
181 metros abaixo da superfície na Mina da
Passagem, em Ouro Preto. Fez 2.500
fotografias que revelam novos ângulos de monumentos
manjados, como o Pão de Açúcar,
no Rio de Janeiro, ou descortinam cenários
pouco conhecidos dos brasileiros, como a Formação
de Nhamundá, um complexo de cachoeiras e
cavernas em plena bacia amazônica, a 100 quilômetros
de Manaus.
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Gruta
do Maquiné:
iluminação
artificial
e
infra-estrutura
para
turista
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Recantos
inacessíveis Cada
camada de solo traz, em sua composição,
em seu tamanho e no formato de suas rochas, informações
sobre a evolução daquele ambiente
ao longo do tempo. Interpretando os sedimentos,
os geólogos descobrem se, em determinado
lugar, fazia calor ou frio, ventava muito ou pouco,
se as chuvas eram raras ou se a região vivia
sob enxurradas. A areia encontrada no solo da Chapada
Diamantina, um enorme planalto maior do que a Holanda
no centro da Bahia, mostra que a região era
um mar coberto por icebergs muito antes da separação
da América do Sul da África. As Cataratas
do Iguaçu começaram a surgir há
120 milhões de anos por uma série
de erupções vulcânicas. A lava
seca virou um enorme bloco de rochas de basalto
que se partiu, formando a queda abrupta que hoje
tanto deslumbra os turistas. Em processo de permanente
mutação, as cataratas estão
subindo o leito do rio. O impacto das águas
no solo escavam o chão fazendo desabar as
paredes das cachoeiras. A região da Chapada
dos Veadeiros, a 240 quilômetros de Brasília,
é uma das formações geológicas
mais antigas do Brasil. Lá, há rochas
formadas há 1,6 bilhão de anos. Já
a história dos Lençóis Maranhenses
começou há apenas 11 000 anos. Os
rios da região escavam o leito por onde passam
carregando muita areia para o litoral. As correntes
marítimas espalham a areia pelas praias e
os ventos fazem o resto.
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Chapada
Diamantina:
areia
no solo mostra
que a região
já foi mar
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Chapada
dos Veadeiros:
região
antiga com
rochas
de
1,6 bilhão de
anos
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Uma
das qualidades do livro é
reservar espaço tanto para recantos inacessíveis
como para pontos turísticos dotados de boa
infra-estrutura. Para fotografar a Gruta do Janelão,
na região do Peruaçu, norte de Minas
Gerais, Siqueira percorreu 15 quilômetros
de terra, pedregulhos e lama a bordo de um jipe
até uma velha fazenda. De lá, caminhou
uma hora e meia até a entrada da caverna
e mais três horas à luz de lanternas
em seu interior. É um desafio que poucos
turistas teriam disposição para encarar.
Já para fazer as fotos da Gruta do Maquiné,
também em Minas Gerais, não foi necessário
grande esforço. A gruta tem iluminação
artificial e infra-estrutura para os turistas. Infelizmente,
o livro não traz informações
objetivas sobre como visitar cada monumento. O melhor
a fazer é se inspirar em suas fotos e descobrir
a viabilidade da visita com as agências de
viagem.
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