Edição 1 627 - 8/12/1999

VEJA esta semana

Brasil
Internacional
Geral
Hotéis bons e baratos na ilha de Fidel
Cientistas descobrem seis novos planetas
O Monte Everest cresceu e se move
A venda de carteira de estudante em Salvador
Ana Moser abandona o vôlei
O fenômeno Dida, que pega pênaltis em profusão
Os 120.000 mergulhadores amadores de nosso litoral
A rota litorânea da África rumo à Ásia
Alerta contra o bronzeamento artificial
Mercados da moda alternativa fazem sucesso
Ecologistas não querem barragens no Terceiro Mundo
Alfabeto mais antigo é encontrado no Egito
As megaproduções para formaturas do colegial
Fauna atrai turistas ao litoral sul da Argentina
A paixão de colecionadores pelos velhos carros
Custam pouco e são bons os espumantes nacionais
Santa Catarina se prepara para uma invasão de turistas
Vista cansada ganha lente descartável
Os primos pobres dos clubbers na periferia
Coleção de verão a preço de ouro
Os saltos das sandálias cresceram
O relevo brasileiro em fotos e textos
Os roteiros esotéricos e místicos
Sabotagem na Embraer
Edmond Safra morre em assalto
A medicina do futuro
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O país de pedra

Livro fotográfico conta história
e curiosidades sobre a formação
do relevo brasileiro

Clique nas fotos para vê-las ampliadas

Ricardo Villela

 

O Brasil é um dos países de paisagem mais diversificada do mundo. Espalhados por 8,5 milhões de quilômetros quadrados, estão montanhas com mais de 2 000 metros de altura, planícies que se estendem além da linha do horizonte, cavernas de até 70 quilômetros de comprimento, cachoeiras que despencam de alturas equivalentes à da Torre Eiffel e inúmeros cânions, dunas, vales e escarpas. Nos últimos anos, esse cenário tem sido contemplado com uma série de livros com edições luxuosas e fotos caprichadas, em que a preocupação principal é mostrar as belezas do país para estrangeiros. Nesta semana, chega às lojas um livro voltado para outro lado dessa paisagem. Monumentos Geológicos, de Ricardo Siqueira (200 páginas, 68 reais), trata da gênese desse cenário. Em suas páginas, as fotos de tirar o fôlego vêm acompanhadas de informações geológicas escritas para o leigo. Durante a leitura, descobre-se, entre outras curiosidades, como se formam as cavernas (e as estalactites que as enfeitam), como surgiram as dunas que formam os Lençóis Maranhenses ou como a montanha do Pão de Açúcar foi parar na Zona Sul do Rio de Janeiro.

 

Fotos: Ricardo Siqueira
Lençóis Maranhenses:
dunas formadas por ventos no decorrer de
11 000 anos

Siqueira tornou a geologia compreensível para enfermeiras, advogados e donas de casa graças a sua formação. Geólogo graduado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, ele guardou o diploma no armário há dezesseis anos para abraçar o fotojornalismo. A idéia de fazer o livro só veio em 1997, durante um passeio com amigos no Pico das Agulhas Negras, na divisa do Rio de Janeiro com Minas Gerais. "As pessoas percorrem trilhas, tomam banhos de cachoeira, desbravam cavernas, mas não fazem idéia de como tudo foi parar ali", diz Siqueira. Com essa idéia na cabeça e um equipamento sofisticadíssimo na mão, Siqueira permaneceu 226 dias viajando. Percorreu 16.000 quilômetros de estradas, voou outros 8.000, visitou setenta cachoeiras e 53 cavernas. Subiu a 2.580 metros no Parque Nacional de Itatiaia, e desceu 181 metros abaixo da superfície na Mina da Passagem, em Ouro Preto. Fez 2.500 fotografias que revelam novos ângulos de monumentos manjados, como o Pão de Açúcar, no Rio de Janeiro, ou descortinam cenários pouco conhecidos dos brasileiros, como a Formação de Nhamundá, um complexo de cachoeiras e cavernas em plena bacia amazônica, a 100 quilômetros de Manaus.  


Gruta do Maquiné:
iluminação artificial e
infra-estrutura para turista

Recantos inacessíveis – Cada camada de solo traz, em sua composição, em seu tamanho e no formato de suas rochas, informações sobre a evolução daquele ambiente ao longo do tempo. Interpretando os sedimentos, os geólogos descobrem se, em determinado lugar, fazia calor ou frio, ventava muito ou pouco, se as chuvas eram raras ou se a região vivia sob enxurradas. A areia encontrada no solo da Chapada Diamantina, um enorme planalto maior do que a Holanda no centro da Bahia, mostra que a região era um mar coberto por icebergs muito antes da separação da América do Sul da África. As Cataratas do Iguaçu começaram a surgir há 120 milhões de anos por uma série de erupções vulcânicas. A lava seca virou um enorme bloco de rochas de basalto que se partiu, formando a queda abrupta que hoje tanto deslumbra os turistas. Em processo de permanente mutação, as cataratas estão subindo o leito do rio. O impacto das águas no solo escavam o chão fazendo desabar as paredes das cachoeiras. A região da Chapada dos Veadeiros, a 240 quilômetros de Brasília, é uma das formações geológicas mais antigas do Brasil. Lá, há rochas formadas há 1,6 bilhão de anos. Já a história dos Lençóis Maranhenses começou há apenas 11 000 anos. Os rios da região escavam o leito por onde passam carregando muita areia para o litoral. As correntes marítimas espalham a areia pelas praias e os ventos fazem o resto.

 

Chapada Diamantina:
areia no solo mostra que a região já foi mar
Chapada dos Veadeiros:
região antiga com rochas
de 1,6 bilhão de anos

Uma das qualidades do livro é reservar espaço tanto para recantos inacessíveis como para pontos turísticos dotados de boa infra-estrutura. Para fotografar a Gruta do Janelão, na região do Peruaçu, norte de Minas Gerais, Siqueira percorreu 15 quilômetros de terra, pedregulhos e lama a bordo de um jipe até uma velha fazenda. De lá, caminhou uma hora e meia até a entrada da caverna e mais três horas à luz de lanternas em seu interior. É um desafio que poucos turistas teriam disposição para encarar. Já para fazer as fotos da Gruta do Maquiné, também em Minas Gerais, não foi necessário grande esforço. A gruta tem iluminação artificial e infra-estrutura para os turistas. Infelizmente, o livro não traz informações objetivas sobre como visitar cada monumento. O melhor a fazer é se inspirar em suas fotos e descobrir a viabilidade da visita com as agências de viagem.